http://imgs.sapo.pt/gfx/225181.gif A Motorola apresentou esta semana três terminais que garante estão disponíveis para o mercado português assim que os operadores exigirem. A fabricante americana, que esta semana também anunciou a autonomização da sua unidade de semicondutores para se focalizar no mercado das comunicações, lembra que já está a fornecer terminais para a operadora móvel 3 em Itália e Reino Unido há cerca de um ano e que a experiência contribuiu para estabelecer acordos com outros fabricantes (como a Siemens) que optaram por concentrar esforços na rede e comercializar os terminais 3G da Motorola.



Em Portugal a Motorola instalou uma rede experimental que cobre a baixa da cidade do Porto para ir testar os seus terminais e receber a visita de parceiros e potenciais clientes.



Mário Serafim, country manager para Portugal explicou ao Tek os timings da apresentação da Motorola e desvendou alguns pormenores sobre os testes de rede que a empresa tem levado a cabo com os principais fabricantes de infra-estrutura.



O responsável acredita que as primeiras experiências 3G com interesse para o utilizador acontecerão nos primeiros meses do ano e que a reacção do mercado ditará os níveis de subsidiação dos novos terminais.



TeK: Porque decidiram apresentar já parte da oferta de terminais para o mercado português, quando o lançamento comercial do serviço poderá acontecer apenas em meados do ano, ou mesmo depois disso?
Mário Serafim:
A nossa apresentação teve como principal objectivo levar ao consumidor aquilo que o UMTS pode oferecer. Mostrar que hoje em dia algumas das funcionalidades mais aguardadas são uma realidade, que já temos a funcionar noutros países. Quanto ao lançamento comercial do serviço, o que entendi das palavras do regulador é que no dia um de Julho o serviço teria de estar a funcionar comercialmente e acredito que mesmo antes disso estará. Basta que um operador lance o serviço e os restantes acabarão por se lhe seguir.



Tek: Acredita que os operadores terão de subsidiar os terminais como forma de tornar o serviço mais apelativo aos utilizadores que já desfrutam de algumas promessas do UMTS nos seus terminais GPRS?
M.S.:
Não concordo muito como essa visão. Aquilo que mostramos hoje - fazer uma vídeo call com 15 frames por segundo no display - com a qualidade que já conseguimos oferecer não tem nada a ver com as potencialidades do GPRS. Acho que aquilo a que temos assistido até agora são experiências muito interessantes e inteligentes do ponto de vista do aproveitamento da tecnologia actualmente existente, mas são coisas radicalmente diferentes. Estas promessas do 3G acho que as pessoas só terão consciência delas quando de facto experimentarem o serviço.



TeK: Mas pensa que será necessário subsidiar terminais para acelerar a adopção da tecnologia?
M.S.:
Colocando-me na pele dos operadores penso que só vale a pena subsidiar um produto quando se tem garantias que daí vai resultar uma mais valia. Penso que o mercado vai responder a essa questão. Acredito que vai haver alguma agressividade comercial numa primeira fase, mas dificilmente se chegará aos níveis a que assistimos no GSM.



TeK: Já referiu que a Motorola tem realizado testes de interoperabilidade à rede com resultados satisfatórios dizendo também que os testes com operadores estão mais demorados. É uma crítica?
MS:
De forma alguma. Nós agimos de acordo com os objectivos do nosso negócio e nesse sentido algumas decisões dos operadores podem ser mais ou menos interessantes - como o ritmo de desenvolvimento de serviços 3G - mas não podemos fazer qualquer comentário a essa estratégia, que nos últimos anos tem alcançado resultados bastante positivos. São os operadores que têm de definir o timing exacto para avançar, medindo o custo acrescido que terão de suportar para estar na linha da frente e os benefícios que daí tiram. O caso da 3 existe porque a operadora apenas tem esta rede e por isso tem todo o interesse em avançar o mais rapidamente possível para o mercado.



TeK: É importante para Portugal estar na linha da frente?
M.S.:
Sem dúvida, o know-how e mais valias que essa liderança tecnológica nos traz já permitiu no passado que operadores como a Portugal Telecom pudessem investir em projectos como a Telesp Celular no mercado brasileiro. De outra forma teremos de importar know-how e perdemos a capacidade de agir nos mercados externos.



TeK: Os testes que têm realizado envolvem exactamente o quê?
M.S.:
Esses testes têm-se desenrolado no âmbito de parcerias que estabelecemos com os principais fabricantes de infra-estrutura e têm já algum tempo, embora uns estejam mais avançados que outros.
Alguns destes testes realizados com outros fabricantes, a nível da infra-estrutura, estão praticamente concluídos. Isto dá-nos vantagem acrescidas na realização de testes com os operadores uma vez que já temos trabalho feito com os principais fabricantes. Há no entanto muito trabalho a ser feito na área dos servidores, aplicações... que terá de ser feito com os operadores e que não posso desvendar se estão já em curso ou não.



TeK: Relativamente ao mercado europeu - Itália e Inglaterra onde estão com a 3 - tem números de vendas de terminais 3G?
MS:
Não posso revelar números mas garanto-lhe que são volumes bastante grandes e as encomendas para o próximo ano quer para os produtos disponíveis, quer para os novos produtos que iremos lançar são bastante interessantes, será uma explosão nas vendas.



TeK: A vossa parceria com a Siemens que objectivos tem?
MS:
A nossa liderança tecnológica levou a Siemens a estabelecer uma parceria connosco como suporte ao seu negócio de infra-estruturas. Estabelecemos uma parceria para os terminais, em especial para o A835, que tem uma versão comercializada pela Siemens com o branding e imagem deles, mas tecnologia Motorola. Para nós é importante estar no mercado de todas as formas, mesmo através destas parcerias até porque significa que estamos bem posicionados tecnologicamente.



Cristina Ferreira

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