Numa altura em que a indústria tecnológica dos smartphones parece estar a abrandar o ritmo da inovação técnica, outros fatores ganham preponderância nos duelos que as várias marcas vão travando entre si pela conquista dos mercados.

Deste leque, o design é naturalmente o que salta mais à vista. Embora sempre tenha figurado no topo das listas de prioridades das fabricantes móveis, o novo contexto tecnológico exige uma maior atenção ao pormenor estético na hora de pensar um novo equipamento. No entanto, os poderes da imagem não se cingem somente à conquista dos consumidores, mas também à construção de uma imagem e de uma identidade com que a marca pretende ser identificada.

A Huawei, atual líder do mercado chinês de smartphones, também não foge a este contexto. Os últimos nova são prova disso mesmo e quem o diz é Joonsuh Kim.

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No âmbito da apresentação dos novos equipamentos da marca, que decorreu em Berlim no passado dia 1 de setembro, o TeK teve a oportunidade de entrevistar o chefe da equipa de design da Huawei que, por várias vezes, defendeu a importância do design para o mais recente sucesso da empresa.

"O design está a tornar-se cada vez mais num fator de decisão para o consumidor que pretende comprar um smartphone. A tecnologia é cada vez mais semelhante entre si e é por isso que sentimos muita pressão do consumidor e dos nossos superiores internamente para surgir com a próxima grande ideia no domínio estético", um desafio que, de acordo com o designer, "não tem fim".

No Huawei nova, no entanto, há traços que parecem ser reciclados de outros equipamentos - a zona dianteira repesca alguns traços do iPhone 6/6s e a parte traseira é claramente reminiscente do Nexus 6P (equipamento que a Huawei ajudou a construir).

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Neste sentido, Kim não negou ter-se inspirado no Nexus para criar os nova, mas recusou a ideia de que esta é uma "versão barata" desse equipamento. Por trás desta nova linha de smartphones, a ideia foi integrar as características de um topo de gama num telefone com preço de linha média que, "ainda assim, não compromete a performance e o design do equipamento".

Por outro lado, o responsável da Huawei considera que a empresa "tem a sua própria identidade" e trabalha com traços que os "diferem de outros líderes do mercado", justificando, ainda assim, as possíveis semelhanças que vão despertando a atenção dos mais observadores.

"Temos de ter em conta que no mercado dos smartphones existem certas características que se tornam difíceis de diferenciar. Se fizéssemos uma coisa mesmo muito diferente, corríamos o risco de nos colocar numa posição em que acabaríamos por ser amados ou odiados e não estamos dispostos a correr esse risco. Temos de pensar de forma realista como é que é possível evoluir no design dos produtos, mas a evolução não é necessariamente uma coisa muito diferente da existente." disse. Para Kim, "ninguém pode criar uma coisa e pensar que é exclusivamente sua" e "a tecnologia é uma fonte de onde todos podem beber em que por vezes, certas caraterísticas se tornam standard". O CDO da Huawei comparou ainda esta dinâmica entre empresas com o início da indústria automóvel. "Se um carro aparece com rodas circulares, é normal que todos os outros também o façam porque é a fórmula que funciona. Mas, mesmo assim, ainda é possível distinguir um Audi de um BMW. É tudo sobre o sentimento que criamos nos nossos equipamentos."

No seu trabalho, Kim reconhece limitações provenientes do departamento de engenharia, mas acredita que é a superação dessas barreiras que faz um bom designer. "Se fores um designer verdadeiramente profissional, mesmo sob qualquer condição, tens de conseguir criar qualquer coisa nova, mas não apenas visual. O design não é apenas sobre fazer as coisas bonitas, mas também sobre fazer as coisas funcionais de forma a que o consumidor consiga senti-lo enquanto um produto uniforme. O design não é apenas visual."

Para o futuro, o designer acredita que a empresa tem os alicerces montados. "Não vamos continuar a adicionar novas linhas ao nosso portfólio" confessou, "acho que já é extenso o suficiente e devemos agora trabalhar nas séries existentes. Esta não vai ser certamente a última, mas será a última durante muito tempo".

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