Numa altura em que o sector de retalho está mais pressionado com a conjuntura económica em Portugal Miguel Major, diretor geral da Itautec Portugal, acredita que as soluções tecnológicas podem servir para que as empresas evoluam e se diferenciem da concorrência.

As soluções de Self Check Out são uma das apostas da empresa que apostou num centro de desenvolvimento em Portugal, a partir do qual também acompanha a internacionalização dos clientes.

[caption]Miguel Major[/caption]TeK: A Itautec tem apostado nas soluções de Self Check Out nas lojas de grande distribuição. Esta é uma área que está em expansão?
Miguel Major:
Sim, acreditamos que as soluções de Self Check Out continuarão a ser uma aposta vencedora na área do retalho, na medida em que atendem tanto às necessidades dos distribuidores como do cliente final. O Self Check Out permite que as empresas possam disponibilizar um apoio constante aos seus clientes, diminuindo as filas de espera e aumentando a disponibilidade de recursos na loja para ajudar os clientes.

As primeiras soluções de self-service para o retalho foram desenvolvidas na Itautec para dar resposta a um desafio lançado por um cliente nosso. Desde então, temos vindo a assistir a uma crescente adesão a este tipo de serviço, o que nos permite atualmente ter uma das maiores bases instaladas de Self Check Out na Península Ibérica, no sector da grande distribuição.

Hoje em dia, sentimos cada vez mais que os nossos clientes têm a necessidade não de aumentar, mas sim melhorar o que já têm, reinventando o metro quadrado da loja e tornando-se assim cada vez mais inovadores e produtivos. Para responder a esta demanda, uma das mais-valias das nossas soluções de Self Check Out é o facto de permitirem que no mesmo espaço, onde anteriormente apenas estava um consumidor, podem estar dois. Os nossos clientes podem assim melhorar o espaço já existente sem investimentos excessivos em novas infraestruturas.

TeK: Nesta área muitas empresas já tiveram avanços e recuos, acabando por abandonar investimentos realizados em equipamentos de leitura, refiro-me por exemplo ao Grupo Jerónimo Martins que foi pioneiro nestas soluções e acabou por desistir. Quais são os principais entraves a uma maior utilização destas soluções?

Miguel Major:
De facto, no nosso ponto de vista, o mercado do retalho em Portugal é claramente um ambiente de alta tecnologia, estando ao nível o melhor que se faz em todo o mundo.

Esta recetividade à inovação tecnológica deve-se, também, às inúmeras vantagens comerciais que advêm desta modernização no sector. O retalho eletrónico, a melhoria na gestão da cadeira de abastecimento e os cartões de fidelização, pelo facto de permitirem obter dados mais relevantes sobre os clientes, são algumas das vantagens apontadas, que têm como propósito melhorar o serviço prestado ao cliente final e, como consequência, aumentar o volume de vendas.

No entanto, claro que poderão sempre existir alguns entraves à utilização desta tecnologia, até porque a passagem para o formato self-service é naturalmente precedida por uma grande mudança cultural, pelo que os efeitos de massificação têm o seu tempo.

Assim, cabe-nos a nós e aos nossos parceiros investirmos também em recursos nas lojas que possam ajudar o cliente a compreender todas as vantagens derivadas da utilização desta e de outras tecnologias no ponto de venda.

TeK: Quem são os vossos principais concorrentes?

Miguel Major: Em relação à concorrência, esta é uma questão que temos alguma dificuldade em responder. Isto porque temos consciência de que existem diversos concorrentes nas várias áreas em que atuamos e sem esta concorrência não evoluímos e aprendemos. No entanto, o nosso principal objetivo passa por compreender as reais necessidades de cada cliente e criar uma solução personalizada que esteja de acordo com essas necessidades específicas. Tudo isto é realizado através de um trabalho completo de análise e consultadoria, colocamo-nos no lado do cliente para sentir as suas "dores" e encontrar a solução mais adequada.

É por isto que identificamos sim concorrentes nas diversas áreas em que atuamos, mas não de uma forma global, na forma como nos posicionamos enquanto especialistas em ponto de venda e no negócio do nosso cliente.


TeK: Sei que a Itautec tem um centro de desenvolvimento de software em Portugal. Quantas pessoas trabalham neste centro?
Miguel Major:
O quadro em que todos os retalhistas exercem a sua atividade em Portugal está a evoluir rapidamente e as suas empresas enfrentam uma concorrência cada vez maior, não apenas da parte de concorrentes locais, mas também de outros retalhistas internacionais em expansão.
A tecnologia é assim utilizada como um recurso fundamental para melhorar a tomada de decisões, prestar um serviço mais personalizado, simplificar as operações da cadeia de abastecimento e melhorar os processos comerciais.
Esta necessidade e a utilização intensiva da tecnologia por parte deste sector, em Portugal, conduziram a Itautec a um conhecimento rigoroso e aprofundado do retalho e também a uma forte necessidade de dinamização, inovação e reinvenção.
Uma das formas que encontramos para podermos prestar um melhor serviço aos nossos clientes, foi a criação de um centro de desenvolvimento de software local. Este laboratório, dimensionado de acordo com os projetos em curso, permite-nos também oferecer um acompanhamento mais próximo dos requisitos de cada cliente, uma oferta mais adequada das soluções e uma resposta mais atempada de acordo com as exigências do próprio mercado.

TeK: Só funciona em termos de desenvolvimento para cobrir as necessidades dos clientes portugueses ou também de outras operações?
Miguel Major:
Acima de tudo gostamos de responder a desafios. A Itautec surgiu em Portugal há 22 anos através de um desafio lançado por um cliente e desde então temos vindo a acompanhar os nossos clientes para onde eles vão. Se um cliente nosso decide abrir uma operação noutro país, nós vamos com ele, diretamente ou através de parceiros, para assim responder também às suas necessidades no país onde vão iniciar atividade. Orgulhamo-nos de afirmar que temos relações duradouras com os nossos clientes, muitas delas com tantos anos quantos os em que estamos presentes em Portugal.

É através de Portugal que a Itautec desenvolve a sua estratégia de expansão para os PALOP e também, juntamente com Espanha, para o resto da Europa, centralizando nacionalmente esta sua operação a partir da qual são alocados todos os recursos técnicos e financeiros.
A presença internacional da Itautec constitui uma vantagem competitiva para os clientes, que podem contar com o suporte qualificado da empresa para apoiar as suas estratégias globais.
Não obstante a nossa expansão internacional e os casos de sucesso que dela fazem parte, também pretendemos reforçar o nosso posicionamento em Portugal, com o objetivo de alargarmos a nossa base de clientes a nível nacional, mantendo um elevado nível de serviço nos atuais clientes.

TeK: Em termos de negócio, como é o balanço de 2011?
Miguel Major:
O balanço de 2011, até ao momento, é bastante favorável. Podemos afirmar que nos últimos dois anos temos apresentado taxas de crescimento na ordem dos dois dígitos, o que é algo muito positivo no atual cenário económico do país, mas também um enorme desafio, para continuarmos a inovar e a surpreender os nossos clientes.

TeK: Como vê a evolução do negócio numa altura em que a conjuntura económica é particularmente desfavorável para o sector retalhista?
Miguel Major:
Apesar da atual conjuntura económica continuamos, ainda assim, otimistas. Embora a situação económica seja desfavorável, e o sector do retalho não é exceção, só através da inovação tecnológica é que as empresas podem evoluir e diferenciar-se dos seus concorrentes.

Para além disso, o consumidor final continuará a procurar sempre conveniência, capacidade de escolha e valor, sendo cada vez mais importante suprir estas necessidades com o auxílio da tecnologia.

Apesar de sabermos que atualmente não existem grandes investimentos que têm como principal objetivo aumentar a quota de mercado, notamos uma tendência crescente relacionada com investimentos pontuais e cirúrgicos, que têm como fim reinventar aquilo que já existe, reinventar o metro quadrado da loja através da inovação tecnológica.

Fátima Caçador

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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