Por Luis Silva (*)

Muitos dos datacenters que existem ainda hoje foram projetados para durar 20 ou 30 anos. Contudo, a evolução tecnológica tem sido tão grande que que se tornou mais eficiente e acessível construir de novo um Datacenter do que atualizar os existentes. A eficiência energética assume um importância extrema, principalmente quando se fala de uma escala global.

Existe um termo padrão na indústria chamado PUE (Power Usage Efficiency), que mede a eficiência dos datacenters em termos do consumo de energia, sendo que quanto maior o PUE menos eficiente é o datacenter. Nas últimas décadas verificámos um investimento contínuo no desenvolvimento de tecnologias e arquiteturas para que os datacenters sejam mais eficientes, minimizando a quantidade de componentes, otimizando a energia consumida para que se possa chegar o mais próximo possível de 1, que significa eficiência perfeita.

Assim, assistimos a uma mudança significativa na utilização de servidores sem qualquer tipo de otimização e num edifício com temperaturas muito baixas, onde o valor do  PUE era de 2.0, em 1985, para a utilização de forma massiva módulos independentes com servidores colocados no exterior, previamente montados e enviados para o destino, onde o PUE baixou para valores 1.15 e 1.18, em 2020.

Atualmente, o formato de datacenter modular que já tinha sido testado no passado sem sucesso, está novamente a ser introduzido na indústria ,através da utilização de novas tecnologias e pela possibilidade de transporte num camião para qualquer localização, representando uma ótima solução quando necessitamos de levar o poder da computação para locais periféricos. Este modelo foi projetado para ser totalmente remoto e permite, se necessário, comunicar via satélite caso não haja uma ligação à infraestrutura de rede.

Adicionalmente, estão a ser incorporadas múltiplas tecnologias como células de combustível de hidrogénio que permitem manter os servidores em funcionamento 48 horas consecutivas. Utilizamos ainda  métodos de refrigeração por imersão líquida que, ao invés de usarmos ar para transferência de calor, utilizamos líquidos que têm capacidade de transferência de calor muito maior do que o ar. A inovação continua a um ritmo acelerado e numa iniciativa da Microsoft com datacenters submersos (Projeto Natick) alimentados por energia renovável já obtivemos um PUE inferior a 1.07.

A infraestrutura de rede não está apenas no terreno, está agora também no espaço através do Azure Orbital – uma estação terrestre no Datacenter que permite que os operadores de satélite comuniquem e controlem os seus satélites, processem dados e programem operações. As imagens capturadas do planeta terrestre, atmosfera, solo, água e poluição permitem-nos entender como o clima ou o meio ambiente estão a mudar, como podemos melhorar e prevenir a ocorrência de catástrofes.

São imensos os projetos em curso para continuar a melhorar a eficiência no consumo de energia dos datacenters, tendo já sido anunciados datacenters suportados com 100% de energia renovável o que nos permite afirmar que a revolução silenciosa nos datacenters continuará a um ritmo ainda mais elevado nos próximos anos.

(*) diretor da unidade de negócio de Microsoft Azure

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