Por Francisco Jaime Quesado (*)

A Minha Mãe morreu. A Minha Mãe sempre foi uma pessoa muito especial e a tranquilidade do seu sorriso e das suas palavras era um sinal permanente de conforto com a pessoa e com todos com quem convivia. A Minha Mãe tinha da Vida um sentido único de Confiança e de Esperança e estar com a Minha Mãe era a certeza de se estar bem com a Vida. Vivemos um tempo onde mais do que nunca importa o sentido de convicção na nossa atitude enquanto pessoas e enquanto Sociedade. Vivemos um tempo em que mais do que nunca precisamos de ganhar a batalha de uma Sociedade Tranquila. A Sociedade em que a Minha Mãe acreditava e em que com a sua partida mais do que nunca passei a acreditar.

A Minha Mãe era uma Pessoa Simples. Simples nos gestos, nas palavras, na forma de abordar os problemas, na forma de construir e partilhar ideias com os outros. Tive a sorte de ter a Minha Mãe como Professora nos primeiros anos de Escola e a simplicidade dos seus ensinamentos marcou muito a minha infância. A Minha Mãe foi professora durante muitos anos e fazia da Escola uma Comunidade Aberta, de partilha permanente de conhecimento e de construção de contextos sólidos de solidariedade positiva entre alunos e pais. A minha Mãe acreditava muito na força duma Sociedade Aberta, aquela de que nos fala Karl Popper, e que é a base da afirmação da criatividade individual e da capacidade coletiva de uma Sociedade que se quer Moderna e Positiva.

A Minha Mãe era uma Pessoa de Confiança. Olhar para a Minha Mãe, Falar com a Minha Mãe, fazer parte dos sonhos e das ideias da Minha Mãe era dar sentido permanente à importância da palavra Confiança. Acredito como acreditava a Minha Mãe que sem um verdadeiro Contrato de Confiança não podemos aspirar a ter uma Sociedade Aberta e Moderna, onde o indivíduo se sinta útil e a dimensão do futuro seja um desafio permanente, como John Locke tão bem defendia. A Minha Mãe gostava de confiar e de partilhar com os outros a sua enorme crença numa sociedade justa e solidária, onde todos possam aspirar ao ideal da felicidade humana.

A Minha Mãe acreditava num Mundo Melhor e procurou ao longo da sua vida em cada ato do dia a dia mostrar que o que fazemos, enquanto pessoas e enquanto sociedade, pode ser mais diferente e mais positivo. A Minha Mãe sempre me disse que importa sermos ambiciosos na vontade de fazermos melhor e de conseguirmos construir as pontes que consideramos vitais para a nossa realização pessoal. Mas também sempre me disse que a Ambição tem que ser um exercício inteligente, onde saibamos mobilizar os outros de forma colaborativa para aquelas que são as nossas ideias e as nossas propostas de solução.

A Minha Mãe acreditava no Futuro. Com a sua partida, a Minha Vida ficou muito mais vazia. Já não tenho a alegria permanente da sua presença física, das suas palavras de confiança, da sua convicção nas suas ideias. Sem a Minha Mãe os meus dias e as minhas noites passaram a ser muito mais vazios. Mas apesar da sua partida continuo a ter a Minha Mãe presente em cada dia e em cada noite da Minha Vida. Acredito como a Minha Mãe acreditava numa Sociedade Tranquila, e será para mim uma honra poder ajudar a construir a Sociedade em que a Minha Mãe tanto acreditava!

(*) Presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública   

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