Por Manuel Matos dos Santos (*)

Há pouco tempo, as academias de talento eram vistas como programas experimentais para acelerar a aprendizagem digital. Hoje são muito mais do que isso: tornaram-se ecossistemas vivos de desenvolvimento de competências, integração em ambiente profissional e criação de cultura de equipa, capazes de alinhar o crescimento das pessoas com o propósito das empresas.

O que começou como uma estratégia de formação focada em competências digitais transformou-se num modelo de gestão de talento. As academias deixaram de ser um ponto de chegada – ­­­­­­um curso que prepara para um cargo – para se tornarem um ponto de partida para o desenvolvimento contínuo. A grande mudança está na forma como combinam aprendizagem, integração e propósito, criando um círculo virtuoso: recrutam pessoas com potencial, formam-nas com método e intenção, integram-nas em equipas reais e continuam a acompanhar o seu crescimento.

É no espaço da academia que se cultivam não só competências técnicas, mas também uma mentalidade de aprendizagem constante. E é aqui que a tecnologia encontra o seu verdadeiro sentido: como ferramenta ao serviço do talento humano.

As academias de talento devem começar no recrutamento. Em vez de procurar o perfil perfeito, procuram o potencial certo. Valorizam a curiosidade, a vontade de aprender e a capacidade de ouvir, expor e de colaborar. Esta mudança de foco é decisiva, porque transforma o processo de seleção num ato de aposta no futuro, e não numa simples avaliação do passado.

Depois, vem a formação: intensa, prática e orientada a resultados. Mistura teoria com projetos reais, certificações com mentoria, técnica com cultura.

Mas o verdadeiro valor das academias revela-se no momento da integração em projeto. No mundo dos dados e de Generative AI, é através delas que os novos talentos se inserem nas mais diversas indústrias – banca, telecomunicações, energia, saúde, retalho, aviação, entre outras –, lado a lado com profissionais mais experientes. Essa combinação de perfis juniores e seniores cria equipas equilibradas, dinâmicas e altamente colaborativas, onde o conhecimento circula e o crescimento é partilhado. A partir do momento em que alguém integra uma academia, torna-se mais valioso – não apenas pelas competências que adquire, mas pela forma como aprende a aplicá-las, a trabalhar em equipa e a gerar impacto real ao cliente. É também por isso que o mercado olha para os formandos das academias com um novo respeito: são profissionais preparados, adaptáveis e prontos para contribuir desde o primeiro dia.

Quando o processo é bem desenhado, as academias tornam-se fontes sustentáveis de talento. Deixam de depender tanto do mercado para encontrar as pessoas certas, porque são elas próprias a criá-las.

Mas as academias de talento são mais do que espaços de formação – são comunidades. São o ponto onde o conhecimento se cruza com o sentido de pertença, onde a aprendizagem técnica se combina com a construção de relações humanas. As atividades colaborativas, o espírito de equipa, os eventos de partilha ao final do dia e as celebrações conjuntas são parte essencial desta vivência. Participar nos eventos da empresa – sejam momentos de networking, torneios, conferências ou uma simples cerveja ao final do dia – reforça laços, cria confiança e consolida o espírito de equipa. É aí que se constrói a verdadeira cultura organizacional: nas experiências partilhadas, nas conversas que inspiram e nas vitórias que se celebram em conjunto.

Cada vez mais, as organizações percebem que a retenção de talento não depende apenas de salários competitivos, mas de ambientes que valorizem as pessoas, que lhes deem espaço, que proporcionem um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional e que as façam sentir parte de algo maior. As academias são, nesse sentido, um instrumento de cultura viva: formam competências e fortalecem laços.

Num mercado em constante mudança, as certificações profissionais tornaram-se uma forma tangível de reconhecimento e progresso. Quando associadas a percursos de aprendizagem contínua, reforçam o perfil profissional e abrem portas a novas oportunidades – dentro e fora da organização. Mas mais importante do que a certificação é o que ela representa: um compromisso com a excelência e com a atualização constante. Num mundo em que as tecnologias de hoje serão obsoletas amanhã, a capacidade de aprender – e de reaprender – é o fator diferenciador.

Ao criar uma estrutura de aprendizagem contínua, as organizações tornam-se mais adaptáveis e mais preparadas para inovar. Cada academia é, em essência, um laboratório de cultura – um espaço onde se experimentam novas formas de trabalhar, comunicar, participar e crescer. E cada colaborador que passa por esse processo leva consigo um pedaço dessa cultura, tornando-se ele próprio um embaixador da empresa.

E é exatamente aí – nesse equilíbrio entre tecnologia e humanidade – que está o verdadeiro valor das academias de talento: preparam as pessoas para o futuro, e o futuro para as pessoas. Criam profissionais que não apenas dominam tecnologias, mas compreendem o propósito. Que não apenas integram equipas, mas constroem comunidades. Que não apenas aprendem – transformam e acrescentam valor à empresa como um todo e, principalmente, aos clientes da empresa.

(*) Manager na Closer Consulting