Por Pedro Marques (*)

A primeira semana de atividades do Mês da Internet mais Segura em Portugal está terminada. Esta efeméride, celebrada desde 2004 e que conta atualmente com o envolvimento de mais de 140 países, pretende unir esforços de diferentes stakeholders para tornar a Internet um lugar melhor para todos, em especial para os mais jovens. Foi, sem dúvida, uma semana intensa, dedicada a capacitar todos os utilizadores para práticas mais seguras, conscientes e responsáveis da Internet.

Esse trabalho num país onde 22% de população não utiliza a Internet, revela-se ainda mais necessário. Em Portugal, ainda é frequente cruzarmo-nos com opiniões que defendem que a Internet é um lugar perigoso. Muitas destas opiniões estão suportadas no medo e na desinformação – o que reforça a importância desta efeméride e da intervenção do Centro Internet Segura e de todos os seus parceiros nacionais. Constatar esta realidade leva-nos a questionar de onde vem o medo e desconfiança da Internet. E, se esta desconfiança é certamente útil para nos levar a ponderar mais cuidadosamente sobre a utilização que fazemos da tecnologia, também pode ser encarada como uma barreira que nos limita a curiosidade e nos impede de explorar e usufruir dos benefícios e oportunidades dos novos mundos criados pelo progresso tecnológico.

Desde 2007 que o Projeto Centro Internet Segura aposta fortemente na produção de conteúdo informativo, na sensibilização da população, no esclarecimento do cidadão e na redução dos conteúdos ilegais online como forma de combater o medo e insegurança quando falamos da utilização da Internet e das diferentes plataformas e tecnologias. Este projeto, sob a coordenação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, conta com o apoio de um consórcio formado por entidades públicas como a Direção-Geral da Educação e o Instituto Português do Desporto e da Juventude, de entidades privadas como a Fundação Portugal Telecom e a Microsoft e, desde o início deste ano, com uma organização não governamental de referência:  a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Nas sessões de sensibilização dinamizadas pelo centro de sensibilização CIS|FCT, somos frequentemente confrontados com a questão “É verdade que podem acontecer coisas más na Internet?”. Trata-se de uma pergunta que não pode ser apenas respondida com um “Sim, é verdade”. Muitas vezes torna-se necessário explicar que o Centro Internet Segura procura abordar riscos associados à utilização da Internet não com o intuito de assustar os cidadãos, mas para explicar como é que estes riscos são potenciados ou reduzidos face a adoção de determinados comportamentos quando estamos online.

No que diz respeito a tornar a Internet um lugar melhor, este Projeto não se esgota nas sessões de sensibilização e na produção de recursos informativos: existe um trabalho diário de esclarecimento dos cidadãos para a utilização mais segura da Internet e de processamento e bloqueio de conteúdos ilegais online realizado, de forma gratuita, pela Linha Internet Segura.

Dar resposta aos medos dos cidadãos, numa sociedade em que o avanço da tecnologia e as novas plataformas online surgem de forma constante, não é um desafio fácil e implica diversos stakeholders. A nível nacional, o desafio de capacitar a população para a Inclusão, Literacia e Cidadania Digitais não recai somente no Centro Internet Segura, mas também num conjunto de medidas e políticas públicas estruturadas que visam estimular toda a população para abraçar as oportunidades que a era digital oferece, como é o caso da Iniciativa Nacional das Competências Digitais e.2030.

Tornar a Internet um lugar melhor e combater o medo de explorar este lugar são dois desafios para os quais o Centro Internet Segura e os seus parceiros irão continuar a desempenhar o seu papel, capacitando os utilizadores para reagirem de forma mais informada e responsável aos riscos advindos do seu uso da Internet e das diferentes tecnologias. Cabe a todos nós abraçarmos este desafio, enquanto sociedade, não só ao longo deste mês da Internet mais Segura, mas todos os dias do ano. Cidadãos, pais, jovens, seniores, profissionais, empresas, políticos, todos juntos por uma Internet melhor.

(*) Gestor de Recursos do CIS|FCT

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