Por Magnus Rehle (*)

Com a crise financeira a atacar em força, as economias emergentes têm-se tornado mercados de crescimento muito interessantes para a indústria de telecomunicações. Esta indústria tem ganho relevância à medida que as populações da África e da Ásia estão cada vez mais ligadas às redes de telecomunicações e à Internet.



[caption] Magnus Rehle [/caption]Ninguém acreditaria há uns anos atrás que a China seria um país impulsionador do desenvolvimento do mundo democrático. No entanto, após o maior evento de telecomunicações do ano, o Mobile World Congress, que decorreu em Fevereiro deste ano em Barcelona, é para mim inquestionável que, ironicamente, sejam os fornecedores de smartphones Chineses a terem o papel fundamental no aumento do acesso à Internet nos mercados emergentes.

Durante o mês passado, tenho participado como moderador de diversos eventos, tentando traduzir as tendências discutidas em Barcelona para o que conduzirá o futuro das comunicações nos países em desenvolvimento. Como conectar o próximo bilhão à Internet? Em muitos dos países emergentes a penetração já atingiu mais de 100% (há mais telemóveis do que pessoas) e mesmo que muitas pessoas andem com dois ou até três telemóveis ou cartões SIM, é justo dizer que esta foi uma revolução para muitas pessoas.

A "próxima grande novidade" é a banda larga móvel e espera-se um grande crescimento este ano, com o número de pessoas conectadas passando dos 5-10% para os 20-30% nos mais remotos países Africanos, Latino-Americanos e Asiáticos. Com smartphones a $30, os tarifários dos operadores móveis a cair e os serviços oferecidos por parte de players globais como WhatsApp, Youtube, empresas de jogos e fornecedores locais de conteúdos, os consumidores vão literalmente correr pelo deserto até à aldeia mais próxima para ficar online.

A Internet é uma das ferramentas mais poderosas para criar democracia e crescimento, ao aproximar as pessoas umas das outras, ao mesmo tempo que estimula a educação e o empreendedorismo. Do ponto de vista económico, um estudo do Banco Mundial / IFC estimou que para cada aumento de 10 pontos percentuais nas conexões de alta velocidade à Internet, há um aumento no crescimento económico de 1,3 pontos percentuais.

Na minha opinião, telefones móveis, Internet e redes sociais são óptimas ferramentas para a democracia e abertura das nações, algo que já vimos nos Estados Bálticos e mais recentemente na primavera Árabe. O Facebook e a partilha de interesses como a música e o desporto torna o mundo mais pequeno, e ter Wikipedia ou as últimas notícias no smartphone vai fazer com que as pessoas dêem um salto para o futuro. E vai criar novas empresas em todo o lado. Da mesma forma que o Skype, WhatsApp ou Spotify são um sucesso global com base em ideias inteligentes desenvolvidas por empresários locais e posteriormente vendidas globalmente, novas ideias irão surgir quando o mundo todo tiver um smartphone.

Até agora, muitos dos fabricantes internacionais de smartphones estiveram apenas focados na Europa e nos EUA nas suas estratégias. A Apple está apenas focada em segmentos de elevado valor e é ainda um player pequeno fora da Europa e EUA. A Nokia ainda é a maior marca em muitos mercados emergentes, mas tem-se concentrado mais em telemóveis básicos em vez de smartphones. Mesmo a Samsung, que já tem algumas ofertas de baixo custo, não tem grande incidência em mercados emergentes. E a janela de oportunidade está a fechar-se à medida que os players Chineses se apropriam do mercado.

Até recentemente, o preço elevado dos smartphones não estava ajustado ao baixo nível de poder de compra da maior parte da população do mundo em desenvolvimento. No entanto, conhecidas marcas Chinesas como a ZTE e a Huawei já estão a mudar isso - no Quénia já se pode encontrar um smartphone a $50. E a oferta de aparelhos de baixo custo está a aumentar exponencialmente a penetração de smartphones. Estudos recentes indicam que a penetração de smartphones do mundo é de 35%, mas prevêem um aumento para mais de 50% em 2015, impulsionado principalmente pelo segmento de baixo valor. De acordo com a Gartner, em 2013 e pela primeira vez serão vendidos mais smartphones no “resto do Mundo” do que nos EUA e na Europa juntos, e em 5 anos 1,7 bilhões de smartphones serão vendidos em mercados emergentes.

Por isso concluo: a ironia desempenha um papel importante em relação ao futuro do acesso à Internet nos mercados emergentes. Em poucos anos, os consumidores na África, América Latina, Índia ou China serão capazes chamar um táxi, ouvir música transmitida localmente e fazer parte de uma rede social local, usando um smartphone barato, provavelmente de uma marca Chinesa.

Talvez a Apple possa se dar ao luxo de perder a batalha dos mercados emergentes e com o valor de mercado a cair provavelmente terão outras prioridades. Mas se a Samsung e principalmente a Nokia querem ser os líderes de mercado amanhã, precisam urgentemente de aumentar a oferta de smartphones de gama baixa. Com a estratégia actual destas empresas, a minha aposta é que vamos ver as marcas Chinesas na liderança num futuro bem próximo.

(*)Senior Partner da Greenwich Consulting

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