Gerir a Inovação para Inovar a Gestão
Por Francisco Jaime Quesado
(*)

Novas Estratégias à volta de temas centrais para o futuro do País e da Europa estão em cima da mesa. Pensar a Inovação e Criatividade como factores centrais duma Nova Sustentabilidade em que a participação dos cidadãos se assume numa lógica "colaborativa em rede" justifica uma atenção muito especial aos Novos Factores Estratégicos de Competitividade que devem nortear qualquer actuação para o futuro. Não se pode conceber uma lógica de mudança na Sociedade Portuguesa se não se fizer da Inovação e Criatividade os "enablers" estratégicos duma nova atitude perante a participação individual em sociedade. A aprovação da Nova Estratégia EU2020 e a dinamização de um Novo Plano Europeu de Inovação são a base para uma nova dinâmica também em Portugal.

A importância estratégica que a temática da Inovação e Criatividade assume justifica uma participação activa da sociedade civil na discussão dos caminhos que se têm que definir daqui para a frente. Há claramente um sentido de urgência no envolvimento dos "actores operacionais" (Estado, Universidades, Centros I&D, Empresas) na abordagem estruturada das opções que estão em cima da mesa na definição dos investimentos a realizar. A aposta numa Sociedade de Inovação a nível europeu é a base para um Novo Plano Nacional de Inovação: a mensagem de mudança e de abertura a um novo compromisso que está em cima da mesa será certamente um sinal de confiança para com os desafios que se colocam à economia e sociedade portuguesa nos próximos tempos.

[caption]Nome da imagem[/caption] Mudar a agenda para agendar a mudança é um desafio colectivo no qual a participação individual se configura como estrategicamente mais do que necessária. O objectivo de consolidação da Sociedade do Conhecimento em Portugal não se pode fazer por mero decreto e face à dimensão estratégica assumida pelos objectivos da sustentabilidade torna-se fundamental que o Estado, as Universidades e os "players empresariais" na área das telecomunicações firmem um verdadeiro "pacto estratégico" sobre as parcerias a desenvolver para a implementação de plataformas em que os cidadãos se revelem nesta nova lógica participativa que cada vez mais é o Portugal 2.0.

A participação empreendedora da Sociedade Civil neste amplo movimento de reflexão estratégica sobre as novas temáticas para o futuro do país fecha o circuito. São boas as notícias que nos chegam quanto à oportunidade de afirmação da Plataforma Construir Ideias, na linha do capital de intervenção de prestigiados "Think tanks" como é o caso do Policy Network ou do Bruegel, entre outros. Também aqui a actualidade estratégica da temática energética veio ao de cima, corporizada na discussão profunda sobre as questões suscitadas pela opção do nuclear como fonte energética alternativa em Portugal. Trata-se duma matéria polémica e a sua abordagem torna-se fundamental para sustentar opções que se venham a fazer daqui para a frente.

A construção duma Sociedade da Inovação e Criatividade é um desafio complexo e transversal a todos os actores e exige um capital de compromisso colaborativo entre todos. Em 2010 Portugal é já claramente um país da linha da frente em matéria de infra-estruturas de última geração na área das Telecomunicações e da produção de novas fontes de energia. Assumir o desafio duma perspectiva estratégica de aposta num novo modelo de Economia Sustentável, centrada na Inovação e Criatividade, implica por isso saber dar resposta às solicitações das várias frentes e acima de tudo tomar de forma consciente opções sobre qual as melhores soluções a adoptar para o futuro.

(*) Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento

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