Por Carlos Cunha (*)

A IDC estima que em 2024 haja um crescimento de 800% do número de aplicações lançadas em edge computing. Quando consideramos a quantidade avassaladora de dados agora gerados fora do centro de dados, não é nenhuma surpresa que a computação edge esteja a adquirir protagonismo em 2021.

A topologia edge já existe há algum tempo. A rápida implementação cloud em híper-escala e os dispositivos Internet-of-Things (IoT), impulsionados pela emergência da COVID-19, têm contribuído para que ganhe maior destaque. À medida que as organizações reagem às mudanças do mundo empresarial que a pandemia deixará para trás, esta tecnologia vai se tornando uma componente importantíssima da infraestrutura de rede. Promete apoiar a nova distribuição da força de trabalho, mantendo uma vantagem competitiva e ajudando as empresas a fortalecer as suas infraestruturas de TI e a recuperar no pós-crise, em conjunto com tecnologias de próxima geração, como o 5G e inteligência artificial (IA).

Ultrapassar os desafios da infraestrutura TI na era pós-COVID

A atual situação pandémica empurrou as empresas para a tecnologia edge, criando mudanças dramáticas nos padrões de tráfego das redes e contribuindo para a produção de quantidades significativas de dados que são gerados em dispositivos distintos de várias localizações. Olhando para uma era “pós-COVID”, algumas organizações ambicionam para o futuro um modelo de trabalho desprendido de uma localização fixa, como prevê a Gartner. Sendo provável que a nova distribuição da força de trabalho se torne norma, é necessário que as empresas contem com tecnologia capaz de fornecer em casa o mesmo nível de desempenho de rede que garantem no escritório.

O edge computing encarrega-se exatamente disto. Ao descentralizar a computação, não só se reduz a pressão imposta aos centros de dados e às redes fornecedoras, como se preserva a banda-larga, permitindo, em tempo real, o processamento de dados mais próximo dos utilizadores e dispositivos, em vez de remeter os mesmos para localizações centrais na cloud.

Ficar à frente da competição

Armazenar e processar dados com tecnologia edge, ou seja, mais perto da fonte, tem também um número de vantagens operacionais e comerciais. Por exemplo, no Reino Unido, como resultado da COVID-19 e da incerteza trazida pelo Brexit, a produção de automóveis caiu quase um terço, alcançando o nível mais baixo dos últimos 36 anos. Para empresas que procuram recuperar as receitas perdidas devido à pandemia, esta pode ser uma solução. A utilização do edge computing não só permite um mais rápido processamento de dados, como o faz por menores custos. A indústria de manufatura é um outro exemplo. Para setores onde a rentabilidade e qualidade dos produtos são fundamentais, a tecnologia edge pode ser útil na monitorização precisa das linhas de produção.

Mais importante ainda é salientar que a rápida recolha de dados relevantes para um negócio significa também uma mais eficaz resposta operacional a imprevistos – o que, depois do último ano, todos os líderes reconhecem como fulcral. O processamento de dados em tempo real através da tecnologia edge permite o armazenamento mais imediato de dados provenientes de sistemas e dispositivos conectados. A capacidade de analisar dados no ponto da sua criação, como alternativa ao envio para a cloud, dá aos líderes a possibilidade de reagir mais rápido a uma dada situação e de tomar decisões mais informadas.

Integrar tecnologias de próxima geração

Para as organizações que fazem cada vez mais uso de tecnologias de próxima geração, como a IoT, a IA e os wearables, as razões para a implementação de soluções de edge computing são ainda mais fortes. Porque permite apoiar o processamento local e em tempo-real, a tecnologia edge é crucial para aproveitar as oportunidades que nos oferecem estas ferramentas tecnológicas intensivas em dados e performance.

Para a IoT e wearables, cuja adoção aumentou 34% no ano passado, com muitos negócios a acelerar a transição para a automatização e a operacionalidade remota, a computação edge tem potencial para dar lugar a cadeias de fornecimento mais inteligentes e que garantam aos trabalhadores maior segurança e produtividade. Além de reduzir a pressão sobre a rede empresarial, o que, por sua vez, contribui para a redução ou eliminação da potencial latência.

Também a IA e a computação edge andam de mão dadas. A vasta quantidade de dados e poder de computação que exige o desenvolvimento de soluções de IA faz da tecnologia edge absolutamente necessária. Para empresas que estejam a experimentar modelos, o edge computing é a localização adequada para a captura dos dados necessários. Dito isto, a relação entre as duas tecnologias é mutuamente benéfica. Claro está que a IA e o machine learning (ML) terão um papel de crescente importância na gestão e análise de dados em tempo real.

Explorar oportunidades potenciadas pelo 5G

Finalmente, não poderíamos discutir a tecnologia edge sem explorar a sua relação com o 5G. A COVID-19 alterou, inevitavelmente, os hábitos de consumo das pessoas, que agora dependem da conetividade para trabalhar, aprender e para se entreterem. Assim, as empresas estão a ter de se adaptar, no sentido de providenciar uma experiência mais digitalizada, quer para colaboradores, como para os próprios clientes. O 5G tem o poder para fornecer isto e, como resultado, é esperado que desempenhe um papel crucial na recuperação económica global que nos aguarda, impulsionando, ao mesmo tempo, o crescimento de alguns setores que abrandaram durante a situação pandémica.

A implementação gradual do 5G está intrinsecamente ligada ao atual e futuro desenvolvimento da computação edge. Assim como a IoT, IA e os wearables, a tecnologia edge e o 5G são o casamento perfeito. Para concretizar a visão do 5G de conectar milhões de dispositivos com uma latência ultrabaixa e uma fiabilidade ultra alta – mantendo os custos reduzidos – é necessária a computação edge, que atinge a dita baixa latência reduzindo significativamente a distância física corrida pelo movimento de dados, muitas vezes responsável pelas limitações ou atrasos de processamento.

Um estudo recente da IBM revela que um número crescente de líderes empresariais reconhece já o valor do edge computing, com 91% a prever a sua implementação na respetiva empresa nos próximos 5 anos.

Em última análise, a transição para soluções de computação edge é, agora, um dever das organizações e vai continuar a sê-lo, especialmente se estas procuram dar início às suas estratégias de recuperação. Não tarda muito para que a tecnologia edge seja o lugar-comum de qualquer empresa – e a pandemia será, simultaneamente, o resultado e a causa desta realidade.

(*) Diretor Comercial da Dynabook Portugal

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