Por Daniel Cruz (*) 

A evolução que a tecnologia conheceu ao longo das últimas décadas tem sido decisiva para grandes avanços no sector da saúde, procurando resolver os maiores desafios da sociedade e da sua esperança de vida. Neste domínio, a nutrição está a ganhar terreno no ecossistema da saúde como uma ferramenta de prevenção na batalha contra doenças crónicas como o cancro e a diabetes. O âmbito da nutrição está cheio de potencial para o desenvolvimento, num momento em que os prestadores de serviços de saúde procuram novas formas de dar maior controlo aos cidadãos e melhorar os seus conhecimentos no que toca à sua saúde. E, a par da nutrição, surge a necessidade de mobilizar nações inteiras e torná-las menos sedentárias, num esforço para combater problemáticas como a obesidade, actualmente percebida como um dos maiores desafios em matéria de saúde no século XXI. A incidência da obesidade triplicou nas nações europeias desde a década de 80. Actualmente, mais de um terço das crianças de 11 anos da Europa é obesa ou tem excesso de peso, e 70% dos adolescentes do sul da Europa não atinge os níveis de actividade diária recomendados pela OMS. A obesidade já é responsável por 2 a 8% do total de despesas em saúde e por 10 a 13% das mortes da região.

A saúde mental é outra área chave de crescimento, com uma grande influência na saúde e bem-estar geral da população. Segundo diversas estimativas, o custo total das patologias mentais ronda os 3,5% do PIB total dos países da OCDE. De acordo com a OMS, os transtornos neuropsiquiátricos são o terceiro factor mais importante no cálculo dos anos de vida com ajustamento em função da deficiência (ou AVAD) a nível europeu, com 15,2% do total, atrás apenas das patologias cardiovasculares, com 26,6%, e das várias formas de cancro, com 15,4%. Em muitos países ocidentais, os transtornos mentais são responsáveis por entre 30 e 40% das baixas laborais crónicas, o que, por sua vez, faz com que os afectados por patologias leves ou moderadas, como quadros de ansiedade ou depressão, tenham o dobro das probabilidades de estar desempregados. Estas pessoas também correm um risco muito maior de viver na pobreza e em situações de marginalização social.

Fruto de tudo isso, o mercado dos wearables médicos está a assistir a um crescimento explosivo, alcançando um valor total de 11.000 milhões de euros a nível mundial em 2016, com a indústria da saúde a ser o segmento de mais rápido crescimento dentro do campo dos wearables. Dispositivos de grande popularidade, como o FitBit, conseguem mobilizar os pacientes, e a eles se aliaram aplicações mais centradas no entretenimento, como o Pokémon GO. Desde o lançamento do célebre jogo para smartphones, os jogadores já caminharam um total de quase 9.000 milhões de quilómetros.

Não obstante, estas tecnologias revolucionárias trazem consigo uma avalanche de dados. E não são uns dados quaisquer, são os mais pessoais que temos: dados sobre a nossa saúde. Quando estes dados são trasladados para o âmbito da investigação revelam-se fulcrais na hora de melhorar a nossa saúde futura, já que nos permitem valer-nos de machine learning para acelerar a cadência das nossas descobertas. O acesso aos dados também abre as portas a cuidados centrados no paciente, à medida que os dados se vão tornando mais acessíveis para o paciente. Ainda assim, a disposição dos pacientes na hora de partilhar os seus dados médicos, requisito chave para a transformação digital da saúde, depende da sua confiança nas instituições, serviços e empresas que trabalham na área da saúde.

A integridade na gestão de dados é um ponto central para a evolução futura da saúde. Sem ela, deveremos voltar aos cuidados básicos, a correr pelo parque sozinhos, a encontros com médicos para qualquer pergunta e a uma dieta sã sem notificações que nos animem. Convém recordar as 550.000 pessoas que morrem prematuramente todos os anos às mãos de enfermidades crónicas evitáveis na Europa. A inovação está a ajudar os pacientes do futuro nessa batalha. Mas para a ganhar, os utilizadores terão de poder confiar nas suas aplicações e na privacidade dos seus dados.

(*) Territory Manager NetApp Portugal

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