Por João Ramalho (*)

É com grande orgulho que declaro o óbvio: sexo vende! Na remota possibilidade deste artigo estar a ser lido em voz alta numa comunidade Amish, as minhas sinceras desculpas desde já. Agora que já me purguei de 0.0001% da minha culpa posso enfatizar que existe um tremendo paralelismo entre tecnologia e sexo. Colocando doutra forma, a cada invenção vemos o aparecimento de novas formas de expressar e apresentar o ato sexual: Internet, sexo; Blu-ray, DVD, CD, VHS, sexo; Televisão, sexo; Cinema, sexo; Fotografia, sexo; Invenção da imprensa, sexo; Cerâmica, sexo; Escultura, sexo; Pintura, sexo; nem o papiro se salvou de ser usado para representações sexuais; Moeda, sexo; Pinturas rupestres, sexo. Verdade, há cerca de 37 mil anos, mais século menos século, um homem teve a necessidade de gravar uma vulva na parede da gruta. Isto sim é hardcore! Então a pergunta quase se coloca sozinha – para onde irá evoluir a expressão sexual em tandem com a tecnologia emergente nos próximos sete anos?


Sexo e a monogâmica relação com a programação

Sigmund Freud acenaria em concordância e orgulho face à declaração: “estamos arduamente programados para o sexo”. Seguidamente acusar-me-ia de sofrer de complexo de Édipo ou algo parecido, pois era esse o tipo de pessoa que Freud era. Não obstante, a verdade é que os seres vivos sofrem de duas programações base fortemente codificadas geneticamente: a autopreservação e a reprodução. Não desaparecer e perdurar. Quando em confronto, a reprodução ganha, basta ver exemplos de espécies que morrem depois de copular e as que se matam por sexo. O sexo rege a vida, como tal, enquanto existirem humanos ele existirá. Enquanto existirem avanços tecnológicos, novas formas de abraçar o sexo vão aparecer.

O futuro do SexTech em três tendências  

  1. Wirelessex e a Realidade Virtual

A minha primeira previsão é que o grande boom na tecnologia Realidade Virtual virá aquando da introdução da capacidade de sexo remoto no reportório do que a mesma pode fazer. Será uma evolução em três fases, sendo a primeira somente a exibição dos corpos dos utilizadores no mesmo espaço virtual. A segunda (em paralelo com a primeira) será o mapeamento da cara do utilizador em avatares 3D que podem ser customizados fisicamente. Nesta fase, o utilizador terá a escolha de várias posições sexuais para os avatares executarem, podendo observar o sucedido pelo ponto de vista dos mesmos. Toda a experiência poderá vir a ser amplificada via uso de wearables sexuais. A terceira, e derradeira, será o controlo total da experiência com a possibilidade de substituição dos avatares por réplicas dos utilizadores usando câmaras pessoais que filmem e enviem imagens 3D em tempo real.

  1. Internet das Coisas, integração e adoção.

A minha segunda previsão foca-se na Internet das Coisas, na conectividade de quase todos os aparelhos à internet e em wearables sexuais. Para quem não sabe, já existe uma vasta escolha de vibradores controlados remotamente, tanto para a mulher como para o homem. Alguns são pequenos o suficiente para serem usados no dia-a-dia. Por isso, onde está a previsão? Integração e adoção. Imagino serviços à la Tinder a implementar uma opção de se enviar vibrações como se fossem simples acenos, com a possibilidade de feedback em tempo real sob a forma do aumento cardíaco da outra pessoa, ou de outros dados captados pelos ditos wearables. Também o aparecimento de sites agregadores de utilizadores anónimos com vibradores ativos, em que outros membros controlam a velocidade e outros parâmetros para gáudio de todos.

  1. Sex OS. Robôs, assistentes pessoais e Inteligência Artificial.

Com o aparecimento de bonecas sexuais cada vez mais elaboradas e realistas, com o melhoramento dos assistentes pessoais virtuais (Alexa, a Siri, e a Cortana) e com o aprimoramento da inteligência artificial, creio estarmos a poucos anos de assistir a uma junção de todas as três tecnologias para o consumidor final. Esta é minha última previsão - um companheiro mecânico que não envelhece, que pode ser reparado e melhorado, que é um controlador de media, assistente pessoal, alarme de casa, de domótica, livro de receitas, etc. A sua personalidade será elaborada à medida dos desejos do parceiro/utilizador, que para todos os efeitos pode fazer sexo com, sem pudores, sem reservas e sem inibições. A tecnologia necessária já existe, falta a integração desta.

Por último, com o aparecimento destes robots, quanto tempo demorará até haver um movimento de liberalização para o casamento entre homem e máquina? E será moralmente correto? E a partir de que idade se deve poder oferecer um HUGOtm da Lelo pelo Natal a um filho? São estas as questões pertinentes que espero ver resolvidas nos próximos anos.

(*) Consultor Senior, Bee Engineering

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