Partilha de informação em tempo real é vital para o controlo de uma pandemia

Por Juan Oñate *

O actual surto de gripe A (H1N1) destaca os desafios interligados a nível mundial, no que diz respeito aos profissionais de saúde de hoje. Mas anteriormente já havia tido lugar - entre muitas outras - a gripe aviaria. Quando uma gripe atinge dimensões de milhares de infectados em vários países e num curto período de tempo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declara estas doenças como pandemias. Esta é uma mudança importante - surtos anteriores às gripes aviaria e A (H1N1) demoraram meses a espalhar-se pelo Mundo, tornando-os mais fáceis de entender e colocar em quarentena, dando tempo às autoridades para colocar estratégias defensivas em prática. Agora, uma população mais móvel significa que as doenças podem espalhar-se em horas, sendo necessária uma abordagem radicalmente diferente ao controlo da pandemia.

Ser capaz de controlar os riscos, identificar potenciais transportadores da doença e partilhar esta informação a nível local, nacional e internacional está no centro de controlo de potenciais pandemias. E dada a rapidez com que estas doenças se podem propagar, a informação deverá ser prestada o mais próximo possível do tempo real.

A boa notícia é a crescente informatização das TI nos cuidados de saúde, significando que a informação a esta escala está cada vez mais disponível. Historicamente, os fornecedores de cuidados de saúde têm trabalhado em silos, com os dados mantidos em sistemas locais desligados ao resto do Mundo. Os últimos cinco anos têm visto um crescimento nos sistemas de TI nacionais, no entanto, este processo não se apresenta de igual forma em todo o Mundo, com muitos sistemas de cuidados de saúde que continuam a depender de fax e do e-mail. Mas à medida que os custos com a tecnologia diminuíram e as expectativas dos doentes aumentaram em todo o Globo, os cuidados de saúde tornaram-se receptivos à colaboração - possibilitando que informações valiosas sejam integradas para proporcionar uma foto temporal completa e precisa.

Esta explosão de informação criou, no entanto, três novos desafios. Os dados têm que ser integrados entre vários sistemas diferentes para obter uma imagem global; a qualidade deve ser verificada; e uma análise avançada é necessária para garantir que os profissionais da saúde podem acompanhar as tendências e navegar através do seu caminho através dos potenciais milhões de registos que estão agora à sua disposição.

No caso de pandemias como a gripe aviaria e a gripe A, a integração de diferentes infra-estruturas de TI é dificultada pelo número de países, sistemas e normas em causa. É impossível esperar que todos os sistemas de TI da área da saúde espalhados pelo Mundo utilizem as mesmas normas - o custo por si só seria proibitivo e o risco seria uma norma genérica que não iria ao encontro das necessidades de ninguém de uma forma adequada. E adicionando a isto as discrepâncias entre configurações de hardware e software que vão de legados de mainframes até ao mais recente sistema baseado em Web, é fácil ver a dimensão do problema da integração.

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Embora seja bastante óbvio que os diferentes Centros de Saúde em Portugal tenham a possibilidade de trocar informações de forma fácil, a partilha de informação a nível internacional é uma experiência nova para a maioria dos profissionais de saúde. E é impossível de planear com quem precisará de se integrar - antes do aparecimento da gripe A, ninguém teria identificado como uma prioridade a partilha de informações médicas com o México. Dada a rapidez com que as doenças se espalham e uma vez identificada a necessidade, esta tem que ser rapidamente abordada se os profissionais da saúde e organismos internacionais como a OMS quiserem compreender, acompanhar e em última instância controlar as pandemias.

Desta forma, ligações hard-wired entre sistemas individuais não irão funcionar em tempo real no fornecimento da integração. É necessária uma abordagem mais aberta que possa lidar com todos os tipos de dados, verificar a qualidade da informação e traduzi-la em conformidade. Essencialmente, deveria ser uma plataforma de informação que incluísse uma combinação de tradutores para todos os formatos de dados comuns, tais como a língua de mensagens de saúde HL7, com uma forma user-friendly de integração dos novos formatos, assim que são encontrados. E, apesar do aumento da utilização das TI na saúde, é vital que formatos não estruturados, como o fax, e-mails e folhas de cálculo possam ser incluídos para fornecer um quadro completo na área da saúde.

A qualidade da informação é vital para garantir que ambos os dados estão completos e que os sistemas estão a actuar de forma consistente. Por exemplo, diferentes termos precisam ser entendidos, diferentes áreas necessitam ser acompanhadas, assim como sinalizar automaticamente os registos dúbios ou pouco claros. Isto evita que os dados incorrectos corrompam a visão geral e as análises de ajuda.

Reunir os dados, tornando-os coesos e coerentes, dá a capacidade aos profissionais do ramo da saúde para aceder à mais poderosa arma contra pandemias - a informação em tempo real. Perceber onde existe uma maior concentração de gripe, quais os portadores com quem estiveram recentemente em contacto, susceptibilidades de determinados grupos e as formas específicas como as doenças se estão a alastrar deverá colocar os médicos um passo à frente das pandemias. Usados correctamente, os dados podem ser utilizados para efectuar comparações com outros países ou surtos, fornecendo a capacidade de prever os próximos passos e agir em conformidade.

Uma visão completa, em tempo real, fornece uma partilha de informação crítica durante a epidemia SARS, permitindo uma melhor focalização dos esforços para melhorar a assistência ao paciente e minimizar a propagação da doença. Em tempos mais actuais, os médicos possuem a possibilidade de participar em investigações mais abrangentes para uma melhor assistência médica e possuem uma plataforma para a partilha de informações críticas, quase em tempo real.

A gripe aviária foi declarada a primeira pandemia do século vinte e um e a actual gripe A não mostra sinais de abrandar, o que demonstra que a necessidade de colaboração mundial em tempo real está a acelerar. Com a tecnologia cada vez mais no centro dos cuidados de saúde, é fundamental que as organizações trabalhem em conjunto e integrem dados, de forma a transformar a informação em tempo real, tornando-a útil e accionável. Esta análise irá fornecer a capacidade de permanecer um passo à frente das pandemias e assegurar a compreensão da situação de modo a poder minimizar a propagação da doença e, com esperança, minimizar uma potencial perda de vidas.

* Regional Manager, Ibéria, Informática

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