Carlos Oliveira foi um dos oradores do painel "Transformação Digital da Administração Pública e das Empresas" que participou no eShow Portugal 2015. Na sua intervenção o presidente da InvestBraga disse que há muito que Portugal cria tecnologia de ponta - Multibanco, Via Verde -, mas que foram cometidos erros que não se traduziram numa expansão global.

É justamente nesta ideia de que o sucesso também passa por aprender com as falhas que Carlos Oliveira faz uma análise positiva ao ambiente empreendedor que existe em Porttugal e considera que a economia digital é o caminho a seguir pelas jovens empresas. 


 

TeK: O sucesso das startups é fundamental para que as empresas que ainda não apostam na economia digital se sintam mais tentadas a arriscar?
Carlos Oliveira:
Sem dúvida. Isso é uma tendência a nível mundial. Tipicamente as novas empresas, startups e empresas de menor dimensão são muitas vezes o maior veículo de inovação junto das grandes empresas. E é por isso que vemos quase todas as semanas anúncios de aquisições de empresas à escala mundial a pequenas e novas startups que vão de alguma maneira trazer valor. Muitas vezes valor de tempo, outras vezes valor até de cultura, as startups trazem novas tecnologias e inovação nos processos a estas grandes empresas.

TeK: A Comissão Europeia apresentou recentemente a proposta para um Mercado Único Digital. Quais serão os grandes desafios e o que vai mudar, tanto para as startups que já existem como para as que ainda vão surgir?
Carlos Oliveira: É suposto não ter que mudar nada. É suposto que o Mercado Único Digital venha trazer uma maior simplificação no acesso efetivo a este mercado digital, nomeadamente na área do ecommerce, na abulição do roaming. É suposto que acima de tudo venha baixar barreiras e não trazer mais complexidades. Portanto, que venha criar uma oportunidade com a qual as startups e as empresas que apostam, por exemplo no ecommerce, possam ter mais facilidade de acesso aos mercados europeus por uma relação mais simplificada, a nível quer das questões que possam ter a ver com o próprio ecommerce, quer com as questões fiscais. Ou seja, com uma série de áreas que facilitam essa atuação neste Mercado Único Digital.

TeK: Que análise faz ao estado atual do empreendedorismo em Portugal e o que pode ser feito para melhorar?

Carlos Oliveira: Pode-se sempre fazer muito para melhorar. Acho que temos de ser permanentemente insatisfeitos. Agora também temos de reconhecer que o país sofreu uma mudança substantiva e da qual nos devemos orgulhar, diria nos últimos cinco anos. Com a criação de um conjunto de novas startups, novas empresas, várias delas a serem financiadas em mercados mundiais complexos, como os EUA ou Inglaterra, e a terem sucesso. É preciso também que acima de tudo também se evangelize a quem está menos dentro deste tema que o falhar faz parte da equação. E portanto, muitas vezes ouvem-se críticas de ‘isto das startups não interessa para nada porque a maior parte está a falhar’, será assim em Portugal como será em todo o mundo. Não podemos é continuar a não ter sucesso por não tentarmos. As startups, eu diria que são também uma prova ao país de vitalidade e um olhar diferente que precisamos de ter. De tentarmos acreditar que é possível fazer acontecer.

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