http://imgs.sapo.pt/gfx/245267.gifA recuperação da procura das empresas no mercado de computadores portáteis mas também os bons resultados que a Toshiba Portugal tem conseguido no mercado de volume garantiram à empresa a recuperação da liderança neste segmento durante o primeiro trimestre do ano de 2004, afiançada pela análise da IDC Portugal.


Presente no mercado português directamente desde 2001, a Toshiba conta actualmente com um parque de equipamentos activos na ordem das 100 mil máquinas, mas já vendeu mais de 170 mil. Até Setembro deste ano a empresa conta chegar aos 200 mil portáteis vendidos, números que para além de traduzirem o crescimento sustentado das vendas aumentam também a responsabilidade perante os clientes e o próprio canal.



Em entrevista, Jorge Borges, gestor de produto e marketing da Toshiba Portugal, explicou ao TeK as razões que sustentaram estes resultados e falou ainda das tendências do mercado e das opções da empresa para os próximos dois anos



TeK: Os resultados da Toshiba em Portugal são bastante positivos para 2003 e no primeiro trimestre de 2004. A que atribui este sucesso?

Jorge Borges:
O ano fiscal da Toshiba terminou em Março, e foi um ano difícil, mas bem sucedido. Este sucesso que refere deve-se a várias questões. Na primeira metade do ano de 2003 tivemos alguns problemas nomeadamente ao nível de falta de componentes no mercado e consequentemente um aumento dos custos destes, enquanto o preço de venda ao público continuou a descer, uma tendência normal e motivada pela forte concorrência no mercado de portáteis. No entanto conseguimos que o ano nos corresse bastante bem, exactamente porque a nossa estratégia tem sido de não nos concentrarmos muito no mercado de baixo custo, onde esse problema da subida de preços dos componentes e descida do valor na venda a público se tem vindo a sentir mais fortemente.

Em termos de volume de facturação total registámos em 2003 uma pequena descida, mas um crescimento nas unidades vendidas de 11 por cento. Apesar dos preços dos portáteis no mercado terem descido cerca de 25 por cento este ano, a Toshiba conseguiu resistir a essa erosão, descendo cerca de 12%.

No primeiro trimestre de 2004, os factores que impulsionaram o regresso à liderança foram principalmente o facto de conseguirmos acertar a nossa capacidade de oferta com a procura do mercado, o que não aconteceu no primeiro trimestre de 2003, e porque o mercado profissional, das empresas, voltou a mostrar alguma dinâmica. A venda de equipamentos profissionais aumentou bastante significativamente, quando durante o ano de 2003 devido à própria conjuntura do mercado esteve bastante estagnado.

Note ainda que este foi, até agora, o trimestre em que a Toshiba vendeu mais unidades em Portugal, ultrapassando pela primeira vez as 12 mil máquinas.




TeK: A Toshiba tem vindo a insistir no "estilo de vida móvel", que complementa a venda de portáteis com todo um ecossistema de ligação através de GPRS e Wi-Fi. Parece-lhe que os utilizadores portugueses estão a aderir a este estilo de vida?

J.B.:
Sim, mas lentamente. Isto tem a ver com a própria maturidade da tecnologia, porque em qualquer mercado assistimos ao facto de que, numa primeira fase os early adopters aderem rapidamente à tecnologia, e só em fases posteriores, quando o benefício é mais evidente para o resto do mercado, há uma massificação. Podemos até fazer uma analogia com os telemóveis, em que há 10 anos atrás eram utilizados pelas as elites e depois se assistiu a uma massificação do mercado.

Estamos em crer que com o GPRS/3G e o Wi-Fi acontece algum semelhante. Quem adere primeiro é quem tem para já capacidade económica e quem entende claramente os benefícios da utilização, que são claramente para já os quadros médios e superiores das empresas.

A segunda fase há-de ser com os preços dos serviços de comunicação a descerem e a cobertura a aumentar, seja a nível do 3G seja dos Hotspots Wi-Fi. Duas situações que têm de acontecer em paralelo para a massificação, que acontecerá, de acordo com as nossas estimativas, dentro de 3 a 4 anos.

O terceiro passo será a entrada no mercado doméstico e educação, mais sensível ao preço.


TeK : Embora sendo tradicionalmente uma marca que ganha vendas na área empresarial, a Toshiba tem vindo a ganhar quota de mercado de consumo, mesmo numa altura em que a grande concorrência é através do preço. A que se deve esta tendência?

J.B.:
De facto a Toshiba começou a ter uma notoriedade maior na área empresarial. Até há cinco anos praticamente as vendas eram todas feitas para empresas, mas o crescimento do mercado de venda de portáteis para utilizadores particulares tem crescido pela variedade de preços e modelos. Além disso hoje as pessoas já entendem os benefícios e comparam um desktop com um portátil, e este tem vantagens óbvias e a diferença de preço já não é significativa.

A Toshiba tem lançado de alguns anos para cá produtos dirigidos especificamente para o mercado de consumo. Segmentámos a nossa oferta e endereçamos este mercado que tem necessidades muito diferentes. Em traços muito gerais o utilizador particular valoriza mais as características multimédia, que já tinha anteriormente no desktop (com ecrãs grandes, gravação de DVDs, som de alta qualidade), enquanto no mercado profissional, embora existam estas necessidades, por regra se valoriza mais as componentes de conectividade, autonomia e robustez dos componentes.

Hoje temos oferta bastante ampla, dos Satellite, Satellite Pro, Tecra e Portégé, para endereçar todos os segmentos e necessidades do mercado.

Queria realçar ainda mais um ponto. O mercado de consumo tem grande concorrência através do preço, mas há aqui duas realidades distintas: há um mercado de consumo sensível ao preço, que é o que está a crescer mais rapidamente, mas também há um que compra equipamentos de média e alta gama, privilegiando as características e marca antes do preço. Hoje 50 por cento do mercado são vendas de equipamentos com preços acima de 1500 euros. E, curiosamente, o portátil Toshiba mais caro é um da gama de consumo, o Satellite P20.

Actualmente temos preços competitivos nos segmentos onde temos oferta, mas há segmentos de baixo valor, tipicamente abaixo dos 1200 euros, onde não entramos porque não consideramos esta uma área de retorno interessante. Estamos neste momento a redesenhar um conjunto de processos internos ao nível de fabrico e procurement para conseguirmos ser competitivos também nesse mercado, que é actualmente o que cresce mais, mas enquanto não tivermos essa estrutura montada preferimos não estar nesse segmento.


TeK: Na sua experiência, quais as principais directivas que motivam a escolha de um portátil pelo utilizador português? É ainda muito o chamado "desktop replacement" ou há já uma maior consciência da necessidade da mobilidade e aposta em equipamentos mais leves, com melhor gestão de bateria?

J.B.:
Esta questão está relacionada com a segmentação de que já falámos antes. Os profissionais já valorizam há bastante tempo a mobilidade, porque precisam mais de se deslocar com frequência, enquanto os utilizadores individuais procuram mais as funcionalidades multimédia, não valorizando tanto a duração da bateria e a leveza do equipamento porque não se deslocam tanto com os equipamentos.

Assiste-se de há dois a três anos para cá à segmentação dos portáteis em duas grandes áreas, o conceito da mobilidade e da portabilidade, entre os utilizadores que querem trocar o desktop pelo portátil mas querem manter algumas funcionalidades do PC de secretária.

Este mercado não vai sobrepor-se ao dos utilizadores que privilegiam a mobilidade e estão dispostos a abdicar de alguma multimédia, ecrãs de maior dimensão, em troca da maior duração da bateria e leveza do equipamento. Ambos existem e são mercados diferentes, e os portáteis disponíveis endereçam as duas realidades.


TeK: Em termos de tecnologia, quais as principais linhas que vão ditar as novidades dos portáteis Toshiba para este ano de 2004?

J.B.:
Em cada uma das gamas as novidades são diferentes porque os utilizadores têm necessidades diferentes. Para utilizadores particulares basicamente as novidades são através da maior incorporação das características da convergência entre o portátil e a multimédia, que lançamos com o P20. Vamos lançar portáteis que alargam as características de som e imagem, que vão passar pela incorporação da Televisão no portátil e gravação da imagem no disco, um equipamento para o qual ainda não temos data de lançamento garantida.
Vamos ter também ecrãs muito mais luminosos, e com resolução superior às próprias televisões, e vamos incorporar também o liquid cooling tecnology, que resolve as necessidades de dissipar o calor gerado por processadores com cada vez maior capacidade de processamento.

Ao nível dos equipamentos profissionais as novidades vão muito mais no sentido da robustez dos equipamentos, à prova de choque e à prova de água. Também muito valorizada é a capacidade de RAID entre dois discos do mesmo portátil, útil para quem depende muito do seu equipamento e que não conseguem prescindir dele um único dia. No caso do disco avariar poderá sempre continuar a trabalhar no outro.

Mais para a frente vamos também lançar baterias de "Direct Methanol Fuel Cell", desenvolvida pelos laboratórios da Toshiba, que endereçam uma necessidade básica que é a autonomia da bateria, possibilitar uma duração 5 a 10 vezes superior às actuais.


TeK: A Sony apresentou esta semana formalmente a entrada da linha de portáteis Vaio no mercado Europeu e em Portugal. Parece-lhe que a concorrência poderá ser suficientemente forte para por em risco a liderança da Toshiba e a posição de outras marcas já estabelecidas no mercado?

J.B.:
Os portáteis da Sony já estavam no mercado europeu, mas não em Portugal. Há 5 anos atrás, quando a Sony apostou neste mercado, a Toshiba analisou com cuidado a entrada deste concorrente, quanto mais não seja pela enorme notoriedade de marca que tem. O que veio a acontecer é que a Sony acabou por se tornar num player não de primeiro plano, pela conjuntura de mercado mas eventualmente por escolha própria. Os equipamentos que estão no mercado referem-se a uma área muito específica, de média e alta gama, por isso não os encaramos como uma ameaça



TeK: A ameaça vem mais dos segmentos de preço baixo?

J.B.:
Sim. É cíclico que entrem marcas no mercado, as marcas B, que hoje representam cerca de 30 por cento das vendas de portáteis em Portugal, um fenómeno que acontece em toda a Europa. Estas vendem com base no baixo preço, sem salvaguardar o suporte ao parque instalado, e ao fim de um a dois anos abandonam o mercado. Estas marcas são uma ameaça não só para nós mas sobretudo para quem compra, já que um enfoque excessivo no preço pode prejudicar gravemente a saúde mental dos clientes.

Actualmente a Toshiba tem um parque instalado no mercado superior a 100 mil equipamentos activos e temos um cuidado muito grande com a assistência e com a qualidade do serviço que prestamos. Nós preocupamo-nos em ter uma operação rentável, também com a rentabilidade do canal e que os clientes estejam satisfeitos, preocupando-nos com os três pontos em simultâneo.

Isso mesmo é notório no programa Toshiba Mobility , que desenvolvemos desde Outubro de 2003 e no âmbito do qual já certificámos 56 empresas especialistas em mobilidade.



Fátima Caçador

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