A Sony voltou à carga. O lançamento de smartphones topo de gama tem sido feito a um ritmo tão pouco habitual que quando se pensa no lançamento do modelo original, o Sony Xperia Z, parece que já foi há bastante tempo, mas aconteceu “só” em 2013.



Por esta razão a Sony não tem conseguido fazer grandes mudanças no seu equipamento. Tem apostado antes no aprimoramento de falhas que vão sendo apontadas aos Xperia Z. E esta estratégia tem tanto de positiva – o smartphone está sempre atualizado com as melhores especificações -, como de negativa – os modelos são muito parecidos e podem causar confusão no consumidor.



Mas o Xperia Z3 é diferente. É o verdadeiro novo Sony Xperia Z. É o refinamento final dos modelos que têm chegado ao mercado. E mais uma vez a tecnológica japonesa conseguiu fazer com que as pequenas diferenças fossem significativas. Só houve um aspeto que não mudou e isso é bom para os utilizadores: a experiência de utilização continua imaculada.


O melhor é ser acima da média

É arrojada a suposição de que o Sony Xperia Z3 tem tudo para ser o melhor smartphone Android – e não só – do mercado.



Tem o melhor ecrã? Não. Tem a melhor câmara fotográfica? Não. Tem o processador com melhor desempenho? Também não. Tem leitor de impressões digitais ou contador de batimentos cardíacos?...Não. Tem suporte para redes 4G de categoria 6? Negativo.



Então porque é que o mais recente topo de gama da Sony tem tudo para estar entre os melhores? Porque consegue ser muito bom e acima da média na maior parte das características. Não é o melhor nos parâmetros de análise referidos, é um facto, mas quando se junta todo o pacote e se faz o devido peso daquilo que o equipamento pode dar ao utilizador, então aí são poucos os que lhe podem fazer frente.



Além disso o smartphone oferece de facto aquilo que uma boa parte dos consumidores pedem para os níveis de preço do segmento premium - o preço do Xperia Z3 começa nos 589 euros.



O ecrã, por exemplo, é de grandes dimensões graças às suas 5,2 polegadas e resolução Full HD. No caso do ecrã apesar de as características serem as mesmas, existe um salto qualitativo relativamente à geração anterior. O brilho está mais controlado e mais agradável para os olhos, ainda que as cores continuem não muito realistas – apresentam-se demasiado saturadas, azuis demasiado azuis e verdes muito verdes.



Mas no geral a experiência de visualização é boa: as fotografias, os vídeos e os jogos que têm a devida qualidade ganham “alento” quando reproduzidos no Xperia Z3.

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Na fotografia o cenário volta a repetir-se um pouco. Os números são os mesmos, isto é, o sensor fotográfico de 1/2,3 polegadas continua a ser capaz de produzir fotografias com 20,7 megapíxeis e no geral o resultado alcançado pelo Xperia Z3 é muito semelhante ao sensor do Xperia Z2.



A diferença está sobretudo ao nível da fotografia noturna ou em baixas condições de luminosidade. O novo Sony parece ser muito mais sensível para a luz que o rodeia, conseguindo entregar fotografias bastante claras tendo em conta as condições. Por vezes as fotos com pouca luz ficam um pouco baças, mas o utilizador pode evitar este efeito ao ter um pouco mais de cuidado na composição da imagem. Ainda assim, bem acima do que a maioria dos smartphones consegue atingir.



As fotos em condições normais conseguem alcançar um grande detalhe e pormenor. Ficam aqui três exemplos do que faz a câmara do Xperia Z3.

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Um smartphone de inverno

A Sony foi a primeira grande fabricante a fazer com que os equipamentos topo de gama pudessem ir ao banho. Esta questão já aqui foi discutida mais do que uma vez. Não é uma funcionalidade que faça voar telemóveis das prateleiras, mas é bastante útil em várias situações do dia a dia.



Foi correr com o telemóvel na mão e chegou a casa com ele todo suado? Não há problema, pode passá-lo por água. Começou a chover, não tem grande abrigo, mas a chamada é mesmo importante? Fale sem receios, o máximo que a chuva fará é limpar o equipamento. Está a lavar a loiça e quer saltar de música no Spotify? Faça-o sem ser preciso agarrar um pano primeiro.



O telemóvel é estanque, comprovado, e a Sony recomenda que mais do que meia hora debaixo de água pode não fazer muito bem à saúde do equipamento. Recomenda-se aqui o espírito da utilização razoável. Mas um aspeto que não deixa de impressionar, sobretudo junto de quem não costuma lidar com esta categoria de equipamentos, é o facto da entrada de auscultadores estar a descoberto e mesmo assim garantir a impermeabilidade. No entanto este buraco pode por vezes segurar alguma água que é apenas libertada nas ocasiões menos apropriadas.



Perde-se assim a ideia de que um telemóvel deste género só faz falta no verão, para uma visita à piscina ou ao parque aquático. O dispositivo móvel da Sony é também de inverno, de outono e de primavera.

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Admite-se que houve um aspeto no Sony Xperia Z3 que preocupou: existem espaços entre o ecrã e o chassis do telemóvel. O GapGate do Galaxy Note 4 foi a primeira história a vir à memória. Não é tão grave, mas é notório e de referir. Apesar de não ter causado problemas, quando o equipamento ia a “banhos” ficava sempre uma sensação de desconfiança – que nunca se veio a confirmar.



E estas pequenas falhas – que podem não existir em todos os modelos – são o único factor negativo a apontar ao design do Xperia Z3. E foi aqui que a Sony deu o grande salto qualitativo. O tamanho continua a ser generoso, mas as extremidades arredondadas tornam-no mais user friendly.

As laterais em aluminio colorido e a construção em vidro – que tem uma resistência mediana a riscos – dão-lhe a sensação premium que ainda falta a muitos equipamentos topo de gama. O vidro do Xperia Z3 é no entanto muito escorregadio, ao ponto do telemóvel mover-se sozinho numa superfície lisa ao mínimo toque.



Na mão o telemóvel assenta muito bem e as margens entre o ecrã e o resto do corpo do equipamento estão mais reduzidas – mas a Sony pode continuar a melhor neste aspeto.


Android de fazer inveja ao iOS

Um aspeto onde o Xperia Z3 sempre foi melhor do que a esmagadora maioria da concorrência é ao nível do desempenho. Continua limpo, fluído, rápido, sem falhas.



O equipamento nunca mostrou um “engasgo”, mesmo em situações mais exigentes como na transição entre aplicações ou na utilização de aplicações mais exigentes como vídeojogos ou streaming de vídeo como o Twitch. Navegar na Internet e nas redes sociais é feito como devia ser, sem problemas ou atrasos.



O Sony Xperia Z3 não é um super-telemóvel, também sofre com as exigências sobretudo ao nível do aquecimento, mas é um equipamento que no desempenho faz lembrar os melhores tempos do iOS.



O desempenho exímio estende-se também à outra grande característica do Z3: o suporte com o Remote Play da PlayStation 4, que permite jogar títulos de nova geração no smartphone através de tecnologia Wi-Fi. O TeK já tinha feito o devido teste – que foi foi passado com distinção -, mas mesmo em jogos de nova geração, como The Last of Us Remastered ou Infamous: Second Son não apresentam desafio para este sistema.



Apesar de poder parecer apenas mais uma funcionalidade, pense nesta pergunta: há algum equipamento de outra marca que permita fazer o mesmo, isto é, jogar jogos de PlayStation 4?



Tendo em consideração todos os elementos já referidos e que parecem verdadeiros devoradores de energia – grande ecrã, boas fotografias, gaming de última geração, streaming e redes sociais “fluídos” -, é a bateria do Xperia Z3 um dos seus maiores trunfos. Os utilizadores vão conseguir atingir os dois dias de utilização normal sem grandes dificuldades – mesmo com Wi-Fi sempre ligado, por exemplo.



Foram aliás raras as vezes em que foi preciso carregar o Xperia Z3 dois dias seguidos e quando isso aconteceu a carga de exigência foi bastante puxada.

[caption]Xperia Z3[/caption]

Para os casos de aperto, que acontecem independentemente do telemóvel que se tem, existem agora modos inteligentes de conservação de energia. O TeK não percebe no entanto é o tempo de espera necessário para ativar o modo Ultra Stamina – tanto no arranque como quando volta ao normal. O Huawei Ascend P7 tem uma opção semelhante e são apenas precisos dois segundos para transformar o telemóvel numa reserva de energia. Este é mais um ponto onde a Sony ainda pode aprender com a concorrência.


Considerações finais

Comprar o Sony Xperia Z3 não é comprar um smartphone. É comprar uma experiência de utilização e um conjunto de características e ferramentas que mesmo não sendo as melhores do mercado no campo individual, conseguem todas ter um desempenho acima da média. Design e construção acima da média, resistência acima da média, fotografia acima da média, integração acima da média..



Pequenos “grandes” pormenores como a possibilidade de jogar títulos da PlayStation 4 num telemóvel ajudam a justificar parte do seu preço, sobretudo para quem já tem a consola de última geração da Sony. Já não precisa de comprar uma PS Vita para ter acesso ao Remote Play. O TeK defende até que um bundle entre a PlayStation 4 e o Xperia Z3, bem colocado ao nível de preço, seria o “escândalo” deste Natal.



Mas a vida não é assim tão fácil para quem compra e não menos para quem vende. Foram alguns responsáveis da Sony Mobile Portugal quem o admitiram ao TeK: até uma marca com tanta tradição de mercado sofre do estigma de que só os Samsung e os iPhone é que são bons telemóveis.



A Sony já tinha provado mais do que uma vez que esta não é a realidade. Depois do Xperia Z3 só não acredita quem não quer.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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