Entre os muitos equipamentos que passam pela redação do TeK para teste, nem sempre conseguimos ter tempo alargado de experiência que ajudem a criar a "rotina" desejável à análise que tem realmente sentido para melhor elucidar os leitores sobre as vantagens e desvantagens de um smartphone, portátil ou tablet. Mas não foi isso que aconteceu com o Surface Pro, que tem acompanhado os movimentos da redação nas últimas semanas.

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Em vez do computador portátil habitual, o Surface Pro passou a ser o primeiro recurso para uma verificação da atualidade e dos emails logo que começa a manhã, ainda antes de chegar à redação, estendendo as suas funções de "companheiro" na viagem e saindo em reportagem sempre que foi preciso acompanhar uma conferência de imprensa ou uma entrevista.

Depois do trabalho passou também a ocupar um espaço de destaque em casa, para a consulta de podcasts e programas de TV em diferido, visualização de pequenos filmes no YouTube e até consulta de receitas para "apimentar" o jantar. E para partilhar novidades nas redes sociais, sendo muitas vezes reclamado pelos mais novos da família para executar jogos…

Em todas as tarefas o tablet mostrou-se um companheiro capaz de responder às exigências, não falhando no trabalho nem nos momentos de descontração, mas destacando-se sobretudo na flexibilidade de se transformar rapidamente em portátil para facilitar o uso do teclado, uma característica que já tinha agradado no Surface RT.

O tablet com a versão "normal" do Windows 8 chegou ao mercado português a 30 de maio, mais de três meses depois da versão RT, posicionando-se como um híbrido profissional nas características e no preço, que está ao nível dos ultrabooks de gama média.

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Com um processador Intel i5, 4GB de memória e 64 ou 128 GB de armazenamento, que na verdade se refletem em 89 GB disponíveis para conteúdos próprios, o Surface Pro tem também outras vantagens face à versão RT, como o suporte a cartões de memória microSDXC, Bluetooth 4.0 e antenas mais poderosas para a ligação à Internet.

Conte ainda com uma porta MiniDisplay para ligação a ecrãs externos que pode ser útil para exibir apresentações de trabalho mas também para mostrar as fotos das últimas férias a uma audiência de amigos.

É preciso investir num cabo extra, que custa 39,99 euros, mas quem gosta de trabalhar em modo multimonitor pode tirar partido desta funcionalidade.

O design dos dois Surface é muito semelhante, mas o Surface Pro tem uma moldura diferente na base traseira que funciona como dissipador de calor para arejar o processador mais potente, que mesmo assim aquece mais do que o desejável

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Apesar de manter a mesma dimensão e qualidade do ecrã do Surface RT, 10,6 polegadas, o Surface Pro é mais grosso e pesado (são quase mais 230 gramas) do que o Surface RT e outros tablets como o iPad, o que em algumas situações pode tornar menos confortável a sua utilização como tablet, segurando com apenas uma mão. O desconforto agrava-se em utilizações longas por causa do aquecimento da parte traseira, uma questão que a Microsoft deveria resolver.

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A verdade é que, pelo próprio design do tablet, a sua posição mais normal será suportado na base destacável, o Kickstand, e ligado ao teclado, mas esta ajusta-se mais a funções "profissionais" e não será o tipo de uso de preferência de todos os utilizadores, nem em todos os tipos de tarefas. A navegação na web usando apenas o toque, os vídeos, os jogos e mesmo a resposta a emails curtos e pequenos comentários nas redes sociais não exigem o teclado físico e muitos utilizadores acabam por recorrer apenas ao teclado virtual no ecrã.

As capas teclado já tinham sido elogiadas antes aqui no TeK mas vale a pena continuar a destacar a sua funcionalidade. Qualquer uma delas revela-se fácil e prática de ligar e desligar, com um clique sonoro pelo contacto magnético, e serve também como proteção do ecrã do tablet.

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Se gosta de escrever rápido e da sensação de carregar em teclas, não hesite em pagar mais 10 euros pela Type Cover, mas a Touch Cover mostra-se também à altura de um "teclista rápido" e reduz um pouco a espessura do "pacote" completo.

O único senão em relação a outros teclados de portáteis pode ser o touch pad, que é relativamente pequeno pelo que na maioria das vezes optámos pelo toque direto no ecrã para as opções mais rápidas… Não sentimos a necessidade de um rato externo, mas há entre as opções um Wedge Touch Mouse especialmente desenhado para o Surface, que não testámos, que custa perto de 70 euros.

A caneta é outro dos elementos de diferenciação em relação o Surface RT, auxiliando muito a introdução de dados para quem gosta de desenhar ou tomar notas com reconhecimento de escrita, que melhorou muito desde as primeiras versões do Windows. A tecnologia é diferente da usada pela caneta para o iPad mas não trouxe dificuldades de utilização, mesmo sem estar entre as primeiras escolhas para introduzir dados.

Há porém um problema adicional: este é um elemento que se pode perder muito facilmente, sobretudo se for distraído... Não há uma "corda" nem um espaço para guardar a caneta dentro do chassi do tablet, e não é solução a proposta de "prender" magneticamente a caneta à porta de carregamento do Surface. Qualquer pequeno encosto pode soltar o dispositivo e lá vão mais 30 euros "para o boneco".

Em termos de características físicas há ainda a salientar uma câmara e uma traseira, mas são as duas muito limitadas, com uma resolução de 720 p que é suficiente para videochat mas que podem ser uma desilusão se decidir fazer fotografias.

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Para quem já vive num mundo onde o Wi-Fi está praticamente sempre presente, o facto do Surface Pro não ter uma porta Ethernet não será surpresa, nem dificuldade extra, mesmo nas empresas. Com a vantagem adicional de ser muito mais fácil ligar e configurar uma Pen 3g ou 4G diretamente na porta USB…

E finalmente a bateria. Sabemos que este é sempre um dos pontos fracos em todas as análises que fazemos. Na verdade ainda não houve uma única bateria de um tablet, híbrido ou portátil - e muito menos de um smartphones - que tenhamos considerado satisfatória.

Mesmo assim o Surface RT mostrou aguentar estoicamente quase um dia completo, mesmo com exigências mais fortes, mas o Pro mal se aguenta até ao final de uma jornada de trabalho, obrigando ao transporte do carregador, que é pequeno e prático mas tem um fio demasiado curto para ser ligado sem incómodos em algumas salas de reuniões ou de conferências.

Claro que mais uma vez a duração da bateria depende do tipo de utilização, e se esta for levezinha pode garantir até dois dias sem necessidade de recarregar, o que chegou a acontecer em alguns fins de semana de atividade menos intensa…

Depois dos últimos resultados da Microsoft que mostram mais uma vez que a aposta no Surface está longe de ser um sucesso até parece estranho estar a escrever uma análise com pontos positivos ao tablet, mas a verdade é que este é uma boa solução para quem já percebeu que os tablets Android e mesmo o iPad não chegam para substituir um portátil profissional e que parece capaz de cumprir as expectativas mesmo de utilizadores mais exigentes. Pelo menos das nossas cumpriu e em alguns casos até excedeu o que era esperado.

O ponto fraco é a bateria, mas também o preço. Não haverá muito quem esteja disposto a pagar 979 euros pela versão de 128 GB, e mesmo a versão de 64 GB parece demasiado cara, sobretudo se comparadas de forma direta as características técnicas com outros portáteis híbridos que estão no mercado. E a estes valores ainda tem de acrescentar 129,99 euros para uma capa teclado, ou 119,99 se optar por uma capa touch.

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A análise que tínhamos feito do Surface RT já tinha mostrado a flexibilidade e a engenharia tablet e do teclado, assim como de outros pormenores como o cabo de ligação elétrica (semelhante ao usado nos portáteis Mac), mas para quem se sentia limitado pela necessidade e instalar aplicações através da loja Windows Store e queria mais poder de processamento para algumas ferramentas, esta é a opção certa. Desde que tenha o orçamento necessário.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fátima Caçador

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