Foi arriscado por parte da LG recuperar um sistema operativo que antes de chegar às suas mãos andou nas ruas da amargura. Falamos do WebOS e de como a tecnológica sul-coreana transfigurou por completo o software que enquanto era detido pela HP era usado em smartphone ou tablets. E os números - cinco milhões de vendas - mostram que nos televisores o sistema operativo parece ter encontrado o seu “cantinho”.



Mas como a concorrência é feroz, as empresas não podem experimentar aquela máxima de deitarem-se à sombra da bananeira. Apesar da boa receção que teve, incluindo no TeK, o WebOS evoluiu e a segunda grande versão foi apresentada no início de janeiro na CES.



Mas como um dos eventos internacionais da LG, o InnoFest, foi este ano organizado em Lisboa, já foi possível ter um primeiro contacto com uma tecnologia que só chegaria ao mercado nacional em março. O TeK foi experimentar o WebOS 2.0 para perceber o que ele significa para a LG e para a evolução dos televisores inteligentes no geral. Estas são as primeiras impressões.


O conceito está lá




Há uma coisa que funciona muito bem no WebOS: a barra de aplicações que surge na parte inferior do ecrã e que é facilmente navegável. É possível chamar essa barra a qualquer momento, esteja a ver televisão ou esteja a consumir vídeos no YouTube, e o processo é realmente simples.



E num equipamento como um televisor quanto mais simples melhor. O telecomando funciona como um rato de computador ou um ponteiro de laser que os utilizadores movem para chegar onde querem.

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Há ainda uma forma rápida de aceder às últimas aplicações utilizadas e uma outra forma rápida de aceder às aplicações menos usadas – são dois botões, um do lado esquerdo e outro do lado direito respetivamente – que devem ser clicados na barra de apps.



Perante o conceito funcional, o que pode estragar a experiência de utilização? A lentidão pois claro. Durante os momentos de teste ao novo WebOS, foi notória a diferença de tempo que havia entre os comandos serem dados e realmente executados, o tempo que as aplicações demoravam a abrir e as próprias transições do software não eram suaves como se esperava, mostrando vários engasgos.



Mas num aspeto a velocidade melhorou, isto porque agora o arranque dos televisores promete ser até 60% mais rápido.



Depois nota-se uma certa teimosia das fabricantes – não só da LG, atenção -, em querer embutir nos televisores modos de utilização que são comuns dos computadores ou dos dispositivos móveis. Pense-se por exemplo nos ecrãs QWERTY virtuais que surgem para podermos aceder a algum site. Eles são tudo menos práticos.



As tecnológicas têm tentado várias alternativas – telecomando com teclado fisico na parte traseira, tentar dizer ao consumidor que o telemóvel também serve de controlo remoto -, mas a verdade é que nenhuma delas se mostra simples o suficiente para ser considerada como “vencedora”.



Parece que existe um foco demasiado grande em ferramentas que não são muito vantajosas numa TV – como um navegador Web -, perdendo-se assim a oportunidade de investir mais tempo e dinheiro noutras ferramentas que são verdadeiramente importantes. O televisor vai ser o centro nevrálgico das casas inteligentes e está na altura de assumir esta realidade.

Aplicações feitas à medida




Um dos aspetos mais positivos do WebOS, que continua nesta versão, é o design cuidado das aplicações que são de facto feitas para ecrãs de grandes dimensões e não simples importações de outros sistemas operativos.

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O resultado são programas e ferramentas visualmente apelativas, algo que a LG decidiu também assumir ao renovar ligeiramente a sua loja online de conteúdos. Mas estando de cara lavada, a mesma não consegue esconder alguns defeitos que existem, como a falta de aplicações críticas.



Existe o Spotify, o YouTube e a EuroSport, por exemplo, mas não foi possível encontrar um jogo conhecido na loja. Existem jogos, mas não são jogos que chamem a atenção e que transmitam uma imagem de grande desenvolvimento.



Portugal está representado no WebOS com algumas aplicações – contam-se pelos dedos das mãos -, sendo a app do SAPO e do Meo Videoclube aquelas que têm um nome maior por trás do seu desenvolvimento.



No geral parecem faltar conteúdos – sempre o problema dos conteúdos – e em Portugal onde nem sequer é possível aceder a serviços como o Netflix ou o Hulu Plus parece condenar logo ao fracasso o verdadeiro conceito de smart tv. Haveria maior conforto do que lançar uma aplicação, diretamente na TV, e ter acesso a centenas de filmes e séries?


O “smartphone” da casa




Os utilizadores usam o smartphone para estar sempre a par das novidades e um dia a casa poderá usar o televisor exatamente para a mesma função: notificar os utilizadores daquilo que se passa com os restantes equipamentos de eletrónica e outras informações. Imagine que alguém toca à campainha – poderá ver de imediato quem é no televisor.



Esta é a visão da LG para o televisor e essa parece realmente acertada. Com o WebOS 2.0 a empresa permite por exemplo incluir alguns canais à barra de navegação que funciona exatamente como os “Websites” favoritos. Não será por isso necessário andar a fazer um longo e extensivo zapping de canais quando em apenas três ou quatro toques pode saber logo o que está a dar nas emissoras que mais consome.

É uma TV mais pessoal, mais amiga.

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Destaque ainda para o facto de a LG Portugal, em específico, estar a negociar com canais e operadores de telecomunicações para trazer mais conteúdos direcionados especificamente para os utilizadores portugueses. E a empresa também está à procura de mais parceiros que queiram colocar as suas aplicações no “grande ecrã”, com o objetivo de fortalecer o ecossistema e a ligação ao mercado nacional.


Considerações finais




O WebOS 2.0 não é uma revolução. É uma evolução e talvez devesse ter a designação de WebOS 1.5. Nem mesmo ao nível do design do interface existe uma mudança. Os novos pormenores são pequenos – tempo de inicialização mais rápido, lista de canais preferidos, barra de acesso rápido a definições e loja de conteúdos renovada -, e por isso parece tudo muito familiar.

O conceito no geral continua a parecer bem implementado – a barra de aplicações é tão simples que faz lembrar o único botão frontal do iPhone -, mas existem aspetos nas Smart Tvs que continuam a ser usados de forma indevida. Há muitos ecrãs na vida dos utilizadores e é preciso saber adaptar conteúdos, aplicações e sistemas operativos a cada um deles. Porque cada um será usado de forma diferente.



Mas o grande problema da LG é que mais fabricantes estão a tentar fazer o mesmo. A Samsung vai apostar no Tizen. A Google continua a seduzir outras marcas como a Sony. Já a Mozilla também consegue conquistar alguns nomes de peso como a Panasonic.



Com tantos players a puxarem o mercado das Smart TVs em direções distintas, parece óbvio que dificilmente se vai atingir no curto prazo uma unificação como a que já existe nos PCs – Windows, Mac OS e Linux – e nos smartphones – Android, iOS e Windows Phone.



Os televisores que existem atualmente no mercado são inteligentes, mas é uma inteligência superficial e com resultados pouco práticos ao nível da utilização. O difícil caminho dos televisores como centro nevrálgico da casa está iniciado, resta esperar para ver qual a direção que vai ser tomada e a que destino vai conduzir.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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