Uma equipa de investigadores portugueses e brasileiros vai testar a utilização de inteligência artificial no diagnóstico da COVID-19, analisando ultrassonografias ao tórax com recurso a técnicas de visão por computador.

O THOR (Avaliação Torácica Assistida por Computador usando POCUS) é um dos 12 projetos financiados pelo concurso “AI 4 COVID-19: Ciência dos Dados e Inteligência Artificial na Administração Pública para reforçar o combate à COVID 19 e futuras pandemias – 2020” da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

O projeto, uma colaboração multidisciplinar entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), o Hospital Garcia da Orta (HGO), a FC.ID e a Nevarotech, tem um financiamento total de 240 mil euros e a duração de 24 a 36 meses.

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Em comunicado, o INESC TEC explica que a utilização de ultrassonografias ao tórax (Point-of-Care Ultrasound - POCUS) é “particularmente interessante no contexto da COVID-19”. O sistema de ultrassom é portátil, possibilitando uma utilização mais conveniente e permitindo o diagnóstico da pneumonia viral associada à maioria dos casos graves.

Contudo, Miguel Coimbra, investigador do INESC TEC e professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), indica que o uso da técnica se encontra limitado pela sua complexidade operacional. “O correto posicionamento da sonda e a avaliação da imagem são duas tarefas interligadas e complexas, que requerem conhecimento especializado e formação diferenciada por forma a serem utilizadas de forma eficaz”, detalha o investigador.

A questão cria uma oportunidade para explorar o potencial da IA: “E se pudéssemos guiar de forma automática um utilizador inexperiente no correto posicionamento da sonda de POCUS no diagnóstico e avaliação da COVID-19 e sugerir um diagnóstico assistido por computador (DAC) imediato?”, questiona Miguel Coimbra.

O protótipo vai ser instalado no HGO, que já utiliza as ultrassonografias no estudo de doentes com COVID-19 para efeitos de investigação clínica. De acordo com Filipe Gonzalez, coordenador médico do projeto, a equipa constituída Rui Gomes e Jacobo Bacariza, dois elementos com diferenciação em ecografia torácica, vai “recrutar os doentes com COVID-19, dos quais serão colhidas, anotadas e tratadas as imagens e vídeos que servirão de substrato ao projeto de algoritmia e visão computacional”. O HGO será também o local de instalação do protótipo para as fases finais do projeto.

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