As tecnologias "verdes" são cada vez mais uma aposta entre Governo, empresas e consumidores, por motivos que podem variar entre a preocupação com a ecologia e o ambiente, o retorno económico ou a poupança.

Com medidas que passam pelo investimento em tecnologia "amiga do ambiente" (como o incentivo anunciado esta semana pela Comissão Europeia), sensibilização e mesmo incentivos económicos a estilos de vida mais "verdes", a opção pelas energias renováveis tem sido um dos pontos fortes da discussão mundial nesta matéria.

Os automóveis híbridos, pela menor emissão de gases com efeito estufa e consumo de combustíveis fósseis, constituem uma das propostas que têm visto a popularidade crescer - com os últimos meses a revelarem anúncios de novos modelos por parte de fabricantes como a Citroën, Nissan e BMW e promoção deste tipo de soluções através de medidas públicas.

Portugal não parece querer ficar para trás nesta matéria e tem apoiado a adopção dos carros que recorrem à corrente eléctrica para locomoção, nomeadamente através da instalação de uma rede nacional de mobilidade eléctrica, a Mobi.E, cujo primeiro ponto de carregamento foi inaugurado no Verão.

O projecto financiado pelo Governo foi lançado a 29 de Junho de 2009, e prevê a criação de 1.350 pontos de abastecimento até ao final de 2011, pretendendo-se que funcione como um apelo às empresas e cidadãos para que apostem em carros eléctricos. "Esta vai ser uma das áreas do futuro, onde o Governo mais vai investir", afirmava na altura o Primeiro-ministro, José Sócrates.

[caption]rede Mobi-E[/caption]

O objectivo é que a rede faça despontar a utilização de carros eléctricos, sendo também prometido, no site da iniciativa, incentivos de cinco mil euros para os primeiros cinco mil carros movidos a electricidade (a serem deduzidos no valor do veículo), mas é também referido que "nenhum construtor automóvel fez qualquer pedido de homologação de veículos que reúnam as condições" para apoio.

A aposta foca-se aqui nos veículos eléctricos e não nos automóveis híbridos - que recorrem a dois sistemas, motores de combustão e electricidade. No entanto, existem actualmente várias ofertas no mercado a tirar partido de tecnologias que combinam o recurso à electricidade com os combustíveis fósseis a que estamos mais habituados.

Talvez os exemplos mais conhecidos sejam os veículos híbridos propostos pela Toyota e pela Honda, mas o segmento conta também com modelos de fabricantes como a Mercedes, Ford, Mitsubishi, Chevrolet, Hyunday ou Lexus que utilizam como meio de propulsão as duas fontes de energia.

[caption]Toyota Prius[/caption]

O Toyota Prius foi lançado em 2007 e é considerado o primeiro híbrido a ser produzido em larga escala. O veículo arranca com o motor eléctrico, recorrendo apenas ao motor a gasolina a partir de uma certa velocidade, prometendo assim menores consumos energéticos e menos emissões de CO2. Em 2009, foi lançado o Honda Insight, que apesar de muitas semelhanças no funcionamento, recorria antes ao motor eléctrico como complemento, com a maior parte do trabalho a ser feito pelo motor a gasolina.

[caption]Honda Insight[/caption]

Esta semana, a BMW, que já contava com algumas propostas híbridas, anunciou que irá investir cerca de 400 milhões de euros, até 2013, na construção de novas instalações especializadas na produção de veículos eléctricos, na sua fábrica de Leipzig, na Alemanha.

O investimento foi apresentado juntamente com a decisão de fabricar em série o modelo ActiveE, um híbrido baseado no Serie 1 Coupé, que começará a ser produzido já no próximo ano, adiantou a empresa. O protótipo, que mostramos abaixo, tinha sido mostrado no Salão de Frankfurt em 2009.

[caption]protótipo BMW[/caption]

O mês passado a Nissan reforçou também a sua aposta na área dos automóveis movidos a energias renováveis, desta feita mostrando o seu primeiro carro exclusivamente eléctrico, o Nissan Leaf. E elegendo Lisboa como o destino para o primeiro teste real de condução.

[caption]Nissan Leaf[/caption]

A escolha prendeu-se com a existência da rede nacional de abastecimento, de que falámos acima, sendo Portugal "o único país que dispõe de um sistema de carregamento e de controlo suficientemente desenvolvido para permitir um teste real", disse à Lusa o secretário de Estado da Energia e Inovação, Carlos Zorrinho.

Na semana seguinte, era a vez da Citroën anunciar boas notícias para os adeptos da mobilidade automóvel livre de combustíveis fosseis. A empresa, que estava a permitir o teste do seu carro eléctrico num seminário no Algarve, avançou ter já recebido 12 encomendas em Portugal do novo C-Zero, que tem chegada ao mercado nacional prevista para Janeiro de 2011.

O veículo destina-se sobretudo a trajectos curtos na cidade, dispondo de uma autonomia de 150 quilómetros e precisando de cerca de seis horas para recarregar a bateria, num ponto de abastecimento "normal" - isto porque existem pontos que permitem um carregamento mais rápido, embora sejam menos frequentes. A velocidade máxima do veículo é de 130 quilómetros por hora.

[caption]Citroën C-Zero[/caption]

O carro eléctrico custa 36 mil euros e o recarregamento de bateria deverá rondar os 1,20 euros para uma autonomia de 100 quilómetros, segundo as contas de um responsável da empresa em Portugal. O lançamento é uma aposta que tira também partido da rede de abastecimento a instalar em vários pontos do país até 2011, esclareceu.

O Governo deu também o mês passado outra garantia destinada a incentivar a compra de carros eléctricos, confirmando que se mantinham em 2011 os apoios à aquisição deste tipo de veículos. Apesar dos cortes orçamentais, o executivo diz que a medida se justiça com a redução da importação de combustíveis fósseis.

Os benefícios incluem o incentivo ao abate e o desconto no preço a pagar pelos carros, embora ainda não tenham sido avançado se este modelo da Citroën, por exemplo, vai cumprir os requisitos para beneficiar dessa subvenção estatal.

Pese ainda alguma indefinição nesta área, são claras as movimentações de fabricantes e Estado no sentido de alargar o leque de incentivos aos consumidores para que estes optem por veículos menos poluentes, mas factores como o preço e a falta de autonomia podem continuar a ser disuasores fáceis de apontar...

Joana Martins Fernandes

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