A seleção de um novo diretor executivo para a Microsoft demorou cinco meses. Terá envolvido dezenas de candidatos, que progressivamente foram formando uma short list com os perfis mais adequados ao cargo, explicava no início do ano num blog o responsável da comissão criada para o efeito.



Ao longo do quase meio ano que mediou o anúncio de Steve Ballmer e a decisão do conselho, muito se especulou sobre o tema. O nome de Satya Nadella veio sempre à baila, como uma das hipóteses "caseiras", mas a imprensa, e até os sites de apostas, tinham mais fé nos nomes externos à empresa, como o atual CEO da Ford, um dos nomes apontados com mais insistência durante todo o processo.


A decisão acabou por não ser essa e Satya Nadella assume assim a liderança de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo quase como um desconhecido, ainda que nos últimos anos tenha desempenhado funções de liderança na empresa.


Agora mesmo, o responsável desempenhava funções como vice-presidente da unidade de empresas e cloud da Microsoft. No cargo desempenhou um papel central na transformação da empresa e na integração dos modos as a service, que hoje são transversais às diversas áreas da organização. O Windows Azure é um dos produtos relevantes da unidade de negócio que Nadella integrou, desenvolvido e posto no mercado durante a sua permanência no cargo.

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Antes destes funções, Nadella liderou o negócio de servidores ou a investigação e desenvolvimento na divisão de Online Services, onde terá também desempenhado um papel central na migração para novos modelos de licenciamento e na operacionalização dessa alternativa aos modelos tradicionais. Também já tinha sido vice-presidente da Microsoft Business Division, unidade que centra as soluções de negócio da fabricante, mas também o popular Office.


Embora o percurso profissional deste engenheiro tenha sido feito sobretudo na Microsoft, antes de chegar à empresa Nadella ainda passou pela Sun Microsystems, empresa que hoje pertence ao universo Oracle.


Quando chegou à Microsoft, em 1992, Nadella foi contratado para integrar a equipa de desenvolvimento do Windows NT. Os conhecimentos na área do Unix e dos sistemas operativos de 32-bit enquadraram-no no perfil de candidatos que a Microsoft procurava à data.


A proposta de trabalho surgiu quando frequentava um mestrado em Chicago. Aceitou o convite e continuou no curso, que demorou dois anos e meio a completar e exigiu que viajasse todos os fins de semana para aquela cidade e regressasse durante a semana para trabalhar em Redmond.


A formação do novo CEO da Microsoft começou na Índia onde passou pela universidade de Mangalore e por uma escola pública de elite, um privilégio que garantiu pelo facto de vir de uma família numa situação económico confortável - o pai era funcionário do governo local. Continuou a estudar nos Estados Unidos, onde fez dois mestrados. Um primeiro em ciências da computação na universidade de Wisconsin - Milwaukee e um outro na Universidade de Chicago, na área da gestão.

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Nadella é casado e tem três filhos. Nasceu em Hyderabad, capital do Estado indiano de Andhra Pradesh e reside atualmente em Bellevue, Washington. A paixão pelo cricket surgiu em criança e foi o que o motivou a integrar a equipa escolar e a praticar a modalidade durante vários anos. Na entrevista que deu após a nomeação garante que é um eterno curioso, com muita vontade de aprender sobre todas as áreas e abraçar novos desafios.


Na nova função, o CEO tem pela frente a integração do negócio de telemóveis da Nokia na Microsoft, numa altura em que a empresa está a finalizar uma das mais profundas reestruturações da sua história. O sucesso desta reestruturação terá aliás, para muitos críticos, um peso determinante na capacidade do grupo para garantir sucesso nas suas principais áreas de atuação.


A Microsoft é referenciada como uma empresa de estrutura complexa, pouco flexível e extremamente compartimentada, um cenário que para muitos é a grande explicação para que a escolha do novo CEO tivesse recaído sobre alguém da casa, que conhece a mecânica e se tem destacado pela boa capacidade de comunicação e de trabalho em equipa, algo que nem sempre era atribuído a Ballmer.


A nomeação de Nadella para o cargo é também vista como um sinal claro de que o software continuará a ser o coração da Microsoft, embora apostas recentes da empresa em áreas como a Xbox, os telemóveis ou os tablets Surface indiciem outros interesses. Será interessante ver como se vão acomodar estes dois mundos no futuro.

No perfil do novo CEO é também de destacar a abundância de competências técnicas, bem como a proximidade às áreas de inovação e produto da empresa, algo que muitas vezes foi apontado como uma limitação em Ballmer. Por outro lado, Nadella nunca dirigiu uma empresa, embora tenha formação nessa área. O futuro mostrará como se vai sair o 3º CEO da história da Microsoft.


Entretanto, veja a primeira entrevista do responsável, depois de nomeado CEO da gigante do software.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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