A ideia começou a tomar forma no rescaldo da II Guerra Mundial, no final dos anos 40, pela mão de um pequeno grupo de cientistas e políticos visionários, de ambos os lados do Atlântico, que acharam que a investigação fundamental seria um bom veículo para reconstruir e restabelecer a paz no continente europeu.

Em 1952 era estabelecido o Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire - que deu origem ao acrónimo CERN que ainda hoje persiste - com o objetivo de criar uma "organização europeia de investigação de classe mundial na área da física".

Refira-se que na altura, a pesquisa na área da física pura estava centrada na compreensão do interior do átomo, e é daí que resulta a escolha do termo nuclear para o nome da organização.

A criação formal do CERN acontece a 29 de setembro de 1954, com o apoio de 12 países fundadores. Desde então, é conhecido como o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado na região noroeste de Genebra, na fronteira Franco-Suíça.

Com o passar dos anos, a organização atraiu mais "apoiantes" e hoje conta com 21 Estados-membros e mais de 10.000 utilizadores, muito graças aos resultados obtidos com os trabalhos que têm sido conduzidos ao longo do tempo sob a sua alçada.

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Uma proposta "vaga, mas entusiasmante" que mudou o mundo para sempre

O CERN foi o berço de uma das tecnologias que - inegavelmente - mudou o mundo: a criação da WWW. Corria o mês de março do ano 1989, quando o físico britânico Tim Berners-Lee apresentou aos seus superiores no CERN um documento que denominou de "Gestão da Informação: Uma Proposta".

Descrita como "vaga, mas entusiasmante", a proposta foi aprovada e no ano seguinte nascia a World Wide Web, a Internet como hoje a conhecemos.

Em 1993 o CERN punha o software da World Wide Web no domínio público, permitindo a sua utilização livre, seguindo-se uma série de ações que permitiram à Web florescer.

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A física e Deus

Além do contributo para o nascimento da Internet como a conhecemos hoje, são várias as experiências que têm posto o CERN no centro do debate científico e aguçado o interesse de quem é menos entendido em física no trabalho dos cientistas e nos progressos que estes têm conseguido fazer.

A mística é tal, que os "corredores" do CERN já serviram de cenário a um dos best-sellers dos tempos modernos - Anjos e Demónios. Do enredo do livro de Dan Brown, fazia parte um dos grandes causadores do atual interesse nos laboratórios europeus: o Large Hadron Collider, mais conhecido como LHC.

Desde a sua criação que o objetivo do CERN é descobrir de que é feito e como funciona o Universo. Se inicialmente a investigação na área da física fundamental estava circunscrita ao núcleo do átomo, atualmente o conhecimento da matéria vai mais além e hoje a principal área de investigação do CERN é a física de partículas - o estudo dos constituintes fundamentais da matéria e das forças que atuam entre eles.

É por isso que no CERN são utilizados os maiores e mais complexos instrumentos científicos, com o objetivo de criar as condições necessárias na deteção e estudo dos constituintes básicos da matéria e da antimatéria. A intenção é possibilitar a demonstração das teorias fundamentais da física de partículas, e a descoberta dos princípios elementares da criação do mundo como o conhecemos.

Para gerar essas condições, o CERN construiu e opera um conjunto de aceleradores de partículas, entre os quais o maior acelerador de partículas do mundo, o "tal" LHC, através do qual foram realizadas as experiências que comprovaram a teoria do mecanismo Brout - Englert - Higgs e descobriram a chamada Partícula de Deus.

O "feito" determinou a atribuição do Prémio Nobel da Física aos dois cientistas que desenvolveram a teoria do Bosão de Higgs, Peter Higgs e François Englert, em 2013.

Um vídeo preparado pelo CERN em 2012, para apresentar na conferência onde detalhou e introduziu ao mundo a descoberta, explica a teoria e a experiência que permitiu confirmá-la no terreno.


Um outro vídeo explica de forma mais visual o conceito da "partícula de Deus".


Com a ajuda do LHC e de outros aceleradores de partículas e de outras ferramentas que venham a ser desenvolvidas, o CERN quer saber de onde viemos e para onde vamos, e por isso promete continuar em busca de respostas para as questões fundamentais acerca do universo.

Por agora, a organização está de parabéns e há um site próprio onde se divulgam as iniciativas comemorativas programadas oficialmente e se vão mostrando as ações entretanto já realizadas.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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