Durante três dias o Ciência’19 reuniu no Centro de Congressos da Junqueira uma mostra do que se faz na área da investigação e desenvolvimento em Portugal, das universidades e centros de investigação à colaboração com empresas e entidades internacionais. 120 sessões, 673 comunicações, 580 posters (onde investigadores exibiram os seus projetos) e 50 demonstrações são alguns dos números impressionantes dos três dias que facilmente equiparam o evento a um Web Summit da Ciência portuguesa e que tornam difícil acompanhar tudo o que aqui se passou.

No primeiro dia, na sessão de abertura, o Primeiro Ministro António Costa destacou a importância de acarinhar a ciência como símbolo do progresso e sublinhou que o compromisso do país tem de ser sólido e contínuo, mas o protesto de quatro dezenas de investigadores em situações precárias mostrou que nem tudo está bem e que é preciso reforçar os apoios.

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Nos últimos anos o investimento em ciência tem sido crescente, e a capacidade de Portugal atrair financiamento dos programas europeus foi aplaudida pelo comissário europeu Carlos Moedas, que no segundo dia do encontro fez as contas aos mais de 700 milhões de euros recebidos desde 2014 e as mais de 100 bolsas do ERC Research. “Portugal entrou na primeira divisão dos fundos europeus, os fundos competitivos da ciência, graças aos seus investigadores”, afirmou o comissário.

A mesma ideia voltou a ser sublinhada, na sessão de encerramento, pelo Secretário de Estado da Ciência, João Sobrinho, que afirma que “estamos uma pontinha abaixo do principal patamar da inovação”, mas que nos próximos anos vamos chegar lá, com a duplicação do investimento em I&D no próximo quadro europeu. “Queremos que mais financiamento venha para a Ciência e que todos entendam que este é o caminho certo para o país”, defendeu, afirmando que Portugal está no bom caminho para exportar conhecimento e inovação e que este é um dos melhores legados que podemos deixar às novas gerações.

Helena Pereira, Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia acabou por deixar também a boa notícia, como um doce, para o fim do encontro: “Estamos a trabalhar para podermos aumentar o número de bolsas”, afirmou, lembrando que é um trabalho conjunto entre o Ministro da Ciência e do Ensino Superior e o Ministro do Planeamento, que vai permitir aumentar em 300 a 400 o número de bolsas atribuídas anualmente, passando de 1.500 para 1.800 a 1.900 bolsas. “Estamos muito felizes porque constituem um pilar do nosso sistema e representam a garantia de que no futuro vamos ter novos e emprenhados cientistas em Portugal”, afirmou a presidente da FCT.

“Tudo se faz com investigadores e é com o seu entusiasmo e curiosidade, com paixão que as coisas avançam. E não há equipamento que supere fazerem aquilo de que gostam”, sublinhou.

"Respirar ciência" com paixão, mais mulheres e muitas caras jovens

Entre os muitos números do Ciência’19 salta à vista uma presença maioritariamente de mulheres nos painéis de debate, onde mais de 60% dos convidados eram mulheres. E este domínio fazia-se sentir também na audiência, onde encontrámos jovens de todas as idades. Entre voluntários, participantes em projetos que concorreram ao Tanque de Ideias, alunos e oradores em painéis, é claro que os organizadores tiveram a preocupação de alargar a presença dos mais novos, que vão moldar o futuro da ciência.

Pode parecer também um lugar comum, mas nos diferentes painéis a que assistimos transpareceu sempre um entusiasmo e paixão pelas matérias, das mais complexas e intrincadas, como a comunicação e computação quântica à oceanografia e à astronomia, a física e a biotecnologia. Há muita (e muito boa) investigação e projetos a descobrir entre o que esteve em destaque no Ciência’19 mas também entre outras iniciativas que não tiveram tanto espaço de palco.

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Num ano em que há muitas descobertas a assinalar, dos 100 anos da expedição de Arthur Eddington a São Tomé e Príncipe, 100 anos da União Astronómica Internacional (IAU), 50 anos da primeira aterragem do homem na Lua, 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, e 150 anos da criação da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, o Ciência’19 serviu também como espaço de celebração, e Zita Martins, comissária do encontro, sublinhou isso mesmo já na sessão de encerramento, depois de um painel de investigadoras que levou a audiência a uma visita ao sistema solar e à importância de procurarmos vida fora da Terra e nos exoplanetas, com Dava Newman do MIT a entusiasmar e maravilhar a assistência com as imagens do espaço. No mesmo painel também se passou pela inovação social e a investigação do cérebro, com o Human Brain Project e a importância da colaboração, que tem de ser independente das decisões políticas, como sublinhou Maggie Dallman, Imperial College London.

E quem recebeu o prémio do Tanque de Ideias onde estiveram a votação 7 projetos de equipas de jovens ? O vencedor foi o projeto Micotoxinas: um macroproblema, que vai receber o prémio de 10 mil euros, mas Zita Martins sublinhou que todos são vencedores.

A supercomputação e a comunicação quântica não ficaram esquecidas, mas vão ser tema de outros artigos nos próximos dias aqui no SAPO TEK. E no próximo ano vamos querer dedicar mais tempo ao Ciência’20.

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