Ao longo das gerações de consolas da Nintendo, a fabricante sempre se destacou por introduzir novos conceitos de jogabilidade e experiências para os seus utilizadores. A Wii estreou os famosos Wiimote, controles com sensores de movimento abrindo um sem fim de possibilidades. E nesse sentido foram apresentados o Wii Sports (considerado um dos jogos mais vendidos de sempre) e Wii Fit, ambos baseados em atividades que simulam desportos e ginástica, introduzindo diferentes periféricos como a famosa Wii Balance Board.

Em pleno 2019, e praticamente três anos depois do lançamento da Switch, a consola híbrida com os poderosos Joy-Cons, provavelmente muitos utilizadores já terão perguntado: “onde está o Wii Fit 2?” A Nintendo acaba de responder com o Ring Fit Adventure, a nova grande aposta da fabricante nipónica no que diz respeito a acessórios para fazer ginástica, sem sair da sala de estar. E como o SAPO TEK experimentou, em primeira-mão como um dos meios mundiais selecionados a ter contacto com a nova experiência, esta nada tem a ver com aquilo que a Nintendo lançou até hoje. O objetivo de queimar calorias? Esse permanece, mas "elevado ao quadrado"…

Ring-Con
A nova experiência de fitness da Nintendo utiliza o acessório Ring-Con e uma bolsa com um elástico ajustável.

Foi na sede europeia da Nintendo em Frankfurt, na Alemanha, que o TEK suou durante hora e meia para relatar na primeira pessoa a experiência do Ring Fit Adventure. E tal como a fabricante explicou, cada uma das três palavras do título corresponde à essência da experiência: Ring é o periférico físico utilizado para interagir com o jogo; Fit corresponde à utilização das diferentes partes do corpo nas suas mecânicas; e Adventure serve para distinguir este jogo das demais propostas inspiradas em ginásios virtuais, ao colocar-nos num mundo repleto de ação, confronto com criaturas e resolução de puzzles, enquanto se tonifica o corpo. Mas vamos por partes…

Um “aro de plástico” e uma bolsa com elástico ajustável…

A simplicidade sempre foi o segredo da Nintendo e olhar para o “aro” ou Ring-Con, como é chamado, de plástico flexível, não parece ser uma grande inovação. Mas este, acompanhado de uma simples correia para a perna, transformam-no num poderoso periférico, e é tudo o que precisará para participar na aventura, e respetivos exercícios. Uma roupa confortável, uma toalha e uma garrafa com água ao lado também dão uma ajuda, porque sim, irá suar muito durante as sessões de “treino”, por isso vai certamente queimar bastantes calorias.

E se anteriores experiências de fitness sempre soaram a “light”, levantando-se muitas questões sobre a eficácia deste tipo de ginástica virtual, Rig Fit Adventure assume a “guerra” contra os ginásios, com uma diferença: colocar um sorriso nos utilizadores enquanto se divertem, e claro, se cansam.

O nosso primeiro contacto com o acessório foi de real surpresa, e a pergunta colocada imediatamente ao responsável da Nintendo que deu o briefing foi: “se dobrar muito posso partir este plástico?”, pelo que a resposta foi um simples “pode tentar, mas não vai conseguir”. De facto, o Ring-Con é feito de um material resistente, mas muito flexível, composto por duas pegas esponjosas nos lados para as mãos e um encaixe para um dos Joy-Cons. A correia ajustável serve para prender o segundo Joy-Con à perna esquerda, e vai capturar os movimentos de corrida e outros exercícios efetuados com os membros inferiores.

Mas o segredo está no próprio aro, pois não só permite detetar todos os movimentos feitos com os braços, girando em direção circular e no seu eixo para a frente e para trás; como assume a força aplicada a tentar encolher (empurrando de fora para dentro as extremidades) como esticar no sentido oposto, para fora. E toda a força aplicada e respetivos movimentos são interpretados pelo pequeno comando wireless, transformando a jogabilidade…

Pela experiência que tivemos durante esta hora e meia, se dúvidas houvesse do esforço físico utilizado nas atividades, no dia seguinte as dores nos braços e ombros foram (muito) reais, e iguais a uma sessão no ginásio, sobretudo quando não se está habituado aos exercícios.

Uma aventura repleta de ação e muito exercício físico

O periférico, que vai chegar às lojas no próximo dia 18 de outubro, será acompanhado de um jogo, e mesmo que a Nintendo não revele preços, o SAPO TEK apurou que este será semelhante a um título em versão normal da Switch. Acreditamos que o periférico possa ser dinâmico, e tal como aconteceu com o LABO, outros títulos da Nintendo podem mesmo receber suporte do mesmo. E podemos especular controlar Mario Kart 8 com o Ring-Con em forma de volante e o Joy-Con na perna a fazer de acelerador e travão.

Quanto à aventura em si, a Nintendo desenvolveu uma história como pano de fundo, introduzindo o Ring como um objeto místico, uma espécie de lâmpada de Aladino que serve para aprisionar não um gênio, mas um malévolo Dragão mestre de fitness. Exato, a personagem encarnada e caracterizada livremente pelo jogador, foi enganada pelo vilão, levando-o a libertar-se para tornar o mundo num caos. Mas o Ring tem consciência própria e pede ajuda ao protagonista para o enfrentar e voltar a aprisionar. Mas claro, para tal, a personagem tem de estar de forma e superar os desafios de fitness propostos.

Com um ambiente de fantasia muito animado e colorido, a aventura desenrola-se na terceira pessoa. Para a personagem se deslocar, os jogadores terão mesmo de correr, no mesmo sítio claro, simulando as passadas, com o sistema a assumir a velocidade, seja ela mais rápida ou lenta. Na prática, a forma como o utilizador pega no Ring-Con, a personagem no jogo mimica todos os movimentos.

Já apertar ou esticar o aro correspondem a duas ações distintas e importantes, enquanto corre, ou anda: esticando o Ring irá sugar, como um aspirador, os itens espalhados pelo cenário, tais como moedas. Já apertar o acessório dispara uma espécie de rajada de vento que serve para destruir caixotes e até inimigos, assim como ativar interruptores e outros elementos, considerando que quanto mais força fizer, mais poderoso é o ataque. E as ações tornam-se ainda mais complexas quando pode apertar o aro, apontando-o para baixo, fazendo a personagem saltar e flutuar pelo ar como se tivesse um jetpac, servindo para superar obstáculos ou mesmo encontrar caminhos secretos durante o nível.

A diversão ganha uma nova dimensão quando encontra inimigos. Neste caso o jogo ativa o modo combate, e aqui são colocadas à prova as capacidades físicas do jogador. Imagine um combate de Pokémon, por turnos, em que terá de efetuar ataques, mas também preparar a defesa das investidas dos inimigos. Neste caso, cada ataque corresponde a um exercício único que deverá escolher, tendo em conta que uns atingem apenas um adversário de cada vez, outros dão dano em múltiplos, pelo que deve ajustar à estratégia.

Os ataques correspondem a exercícios localizados no corpo, pelo que se optar por golpes com as pernas, deverá deitar-se no chão e imitar os movimentos da personagem no ecrã. Quanto mais intenso e rápido, mais eficazes. Pode escolher movimentos com os braços ou mesmo baseados em ioga, neste caso os alongamentos suaves serão mais eficazes. Há agachamentos e alongamentos, entre outros movimentos que estimulam diversas partes do corpo.

Mas para que não escolha os ataques ao acaso, eliminando aqueles que “não lhe convenham” por preguiça, cada um corresponde a uma cor, que utilizado num inimigo com um tom semelhante ganha bónus de dano. A Nintendo promete cerca de 40 Fit Skills, ou seja, golpes executados através dos exercícios. Há ainda o modo de defesa, em que terá de rodar o aro de forma meter as duas mãos na frente, empurrando-o contra a barriga, simulando o “encaixe” de murros dos adversários. Mais uma vez, quanto mais força fizer no acessório, mais eficaz é a defesa, e no final verá a barriga mais “tonificada”.

Nesse sentido, os combates são intensos, divertidos e desafiantes, considerando que a aventura se rege pelos princípios de um RPG. À medida que supera os desafios, a personagem ganha a habitual experiência, subindo de nível. E em cada nível torna as suas estatísticas mais fortes, entre outros aspetos que não podemos revelar para já. De forma prática, pelo que compreendemos, é que à medida que a personagem se torna mais forte no jogo, mais fáceis serão os exercícios, ou pelo menos enfrentar os inimigos de nível inferior. Sim, poderá repetir as missões, estando prometidos 20 mundos para explorar, para fazer algum grind, ou seja, ganhar experiência para se tornar mais forte e tentar desafios mais complexos.

Diferentes formas para se manter em forma

Obviamente que terá de lembrar-se que todas as ações são feitas com o corpo, por isso, quanto mais tempo jogar, melhores benefícios físicos terá, mas também irá cansar-se. Nesse sentido a Nintendo desenhou a aventura de forma a poder jogar pelo menos meia-hora por dia, prometendo dessa forma conteúdo para vários meses e adaptados ao tempo disponível para as atividades.

Para além da aventura, Ring Fit Adventure apresenta outros modos de jogo, destinados a prolongar a sua longevidade, incluindo mini-jogos divertidos no modo Quick Play para sessões mais curtas, que incluem partir caixotes com rajadas de ar acionadas pelo Ring-Con ou moldar peças de barro fazendo agachamentos.

Outros modos são aplicados a sessões de exercício para utilizadores que não estão interessados na aventura. O Simple permite escolher uma série de exercícios específicos e efetuá-los individualmente. As pontuações ficam registadas para que outros jogadores tentem quebrar os recordes. Já o modo Sets proporciona sequências relacionadas de diferentes tipos de exercício dedicados a um tema ou a uma parte do corpo específica. Este modo oferece uma boa forma de trabalhar um grupo muscular, como pernas, ombros, membros inferiores ou tronco.

Para os jogadores que vivem em apartamentos e desejem jogar de noite, mas com o receio de incomodar os vizinhos com os “saltos” e corridas, poderá ativar o modo Silent. Neste formato, as corridas são substituídas por outros exercícios mais calmos, de forma a manter as pernas ativas, mas sem grande impacto no chão.

De ter em conta que o jogo tenta ao máximo corrigir os movimentos dos utilizadores. Com o entusiasmo, de querer correr mais rápido ou fazer ataques, os mais distraídos vão executar movimentos erráticos e menos eficazes. Por isso, de salientar que o jogo mantém um assistente virtual para exemplificar as ações e dar dicas sobre como obter melhor eficácia dos mesmos. E visto que todo o jogo se desenrola em torno dos exercícios, é possível ler os batimentos cardíacos através do sensor do próprio Joy-Con.

Há muito mais para descobrir, incluindo outros modos de jogo, mas para já, os jornalistas que estiveram presentes no evento na Alemanha não os podem revelar.

Segundo o presidente da Nintendo of Europe, Stephan Bole, “a Nintendo esforça-se sempre por pensar em novas formas de entreter os jogadores e colocar sorrisos nos seus rostos. Ring Fit Adventure para a Nintendo Switch é um tipo de jogo novo que combina o exercício físico com aventuras”. O executivo acredita que os jogadores que começam a jogar, se deixem envolver na aventura, enquanto alimentam o desejo de continuar a melhorar a sua personagem. O que talvez não se lembrem é que no processo estão a queimar calorias, esquecendo por momentos o esforço que algumas atividades requerem. E é por isso, pelo desejo de regressarem no dia seguinte à aventura de exercícios, que a Nintendo pretende que os seus jogadores se tornem mais “fit”.

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