Quando o Hololens 2 chegou ao mercado em setembro de 2019, ninguém pensaria que podia ajudar os profissionais de saúde em plena pandemia de COVID-19. A verdade é que a versão dos óculos virtuais da gigante tecnológica está a ser testada por médicos no Reino Unido desde maio, permitindo que, mesmo como menos profissionais nos blocos operatórios, os procedimentos sejam realizados em segurança e numa realidade semelhante à dita normal.

O equipamento recorre a tecnologia de realidade aumentada (RA) e está a ser utilizado em hospitais de Londres para colocar dados relativos, por exemplo, a exames e raios-X na visão do "mundo real" dos médicos. Mas, o grande contributo do Hololens 2 é enviar em tempo real vídeos daquilo que o médico no bloco operatório está a fazer para um ecrã de um computador noutra sala. Aí encontram-se colegas, que por norma estariam no bloco, mas que devido à COVID-19 se encontram noutro espaço. Através desta estratégia, os médicos podem interagir e dar conselhos, quase como se estivessem lado a lado.

Em entrevista à Bloomberg QuickTake News, o cirurgião James Kinross explica que o hospital está a trabalhar nesta tecnologia há cerca de três anos. O objetivo passa por "aumentar a visão" dos médicos, nomeadamente através de imagens de raio-x ou TAC, o que "contribui para uma cirurgia mais segura".

Em tempos de pandemia, a tecnologia tem permitido trabalhar de forma mais eficiente. "Como não temos três ou quatro médicos a ter de deslocarem um computador, podemos trabalhar com muito mais eficiência, tomar decisões mais rapidamente e solicitar testes e investigações também de forma mais célere", explica.

No caso da COVID-19, tem também sido importante para dar lugar a equipas multidisciplinares que, não estando no bloco, conseguem ajudar no processo de cirurgia. De acordo com o site, os médicos garantem que os testes da tecnologia nas enfermarias permitiram reduzir a quantidade de tempo que a equipa passava em zonas de "alto risco". Ao todo foram menos cerca de 50 horas por semana em cada equipa.

Por outro lado, também levou à diminuição da procura por equipamento vital de proteção individual. Ao todo foram poupados cerca de 700 destes equipamentos por ala, por semana.

Quanto ao feedback dos utentes, o especialista garante que tem sido bom. "Os pacientes com os quais usamos o dispositivo respondem muito bem, uma vez que existe, pelo menos, sempre um médico ao seu lado".

O HoloLens foi lançado em 2016, mas a segunda geração dos óculos de RA trouxe melhorias a nível do conforto e da imersão, com novas formas de interação. Os hologramas são mais realistas e a Microsoft mais do que duplicou o campo de visão nos HoloLens 2, mantendo a densidade holográfica.

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