A indústria dos videojogos é a maior do entretenimento, superando o cinema e a música. Seja no PC, consolas e até nos equipamentos mobile ou nas redes sociais, há sempre um jogo para cada pessoa, por isso, na atualidade o gaming está mais enraizado do que nunca, e tem vindo a expandir-se a outros domínios, como é o caso das transmissões de streaming ou o fenômeno das competições eletrónicas (eSports).

O certo é que estamos a viver um novo período de mudança, com a Sony e a Microsoft a esgrimarem argumentos na preparação do lançamento das suas novas consolas, a PlayStation 5 e Xbox Series X, respetivamente. Há algumas mudanças, sobretudo no hardware que pretende “matar” os loadings dos jogos, há cada vez mais um enfoque nos serviços digitais, como o cloud gaming proposto pelo PlayStation Now e xCloud, mas há outro denominador comum: a aposta no saudosismo, na retrocompatibilidade, e na oferta de jogos clássicos dos seus catálogos.

Nesse sentido, e considerando que o gaming não se resume aos universos PlayStation e Xbox, reunimos alguns clássicos de todas as plataformas, incluindo o PC e a Nintendo, que continuam a valer a pena revisitar. As listas são sempre subjetivas, referentes aos gostos pessoais de cada fã de videojogos, mas existem clássicos, que de uma forma ou outra marcaram a sua época, e por isso deixamos algumas dessas sugestões.

Psychonauts

Provavelmente deve ter ouvido falar em Psychonauts 2 como um dos nomes “sonantes” do catálogo da Xbox, previsto para 2021. Mas o primeiro título foi lançado em 2005, na estreia da Double Fine, o então novo estúdio de Tim Schafer, a mente brilhante por trás de aventuras point & click como The Secret of Monkey Island, Day of the Tentacle, Full Throttle e Grim Fandango ainda no tempo da LucasArts.

Psychonauts foi o seu cartão de visita como produtor independente e desde então foi somando sucessos, graças ao seu humor presente em todos os títulos. Neste jogo de ação e plataformas na terceira pessoa controla o jovem Raz, que tem habilidades especiais. Foge de um circo para entrar num campo de férias para jovens igualmente dotados.

Deverá relembrar a aventura dos “míudos-maravilha” completamente tresloucados, um voice acting muito bom e uma história hilariante. Pode encontrar o jogo em serviços digitais como o GoG e o Steam.

Diablo II

A Blizzard está a produzir dois novos jogos da série Diablo, o quarto capítulo da saga para PC e consolas, mas também o título para smartphones Diablo Immortal. E o terceiro jogo continua a ser atualizado com novas temporadas de conteúdo. No entanto, Diablo II é o melhor capítulo da saga para a maioria dos fãs, aquele que ajudou a cimentar o género hack and slash, ou seja, os RPGs de ação que inspiram os jogadores a explorar masmorras profundas à procura de tesouros.

O segundo capítulo apresentou novos demónios, mas sobretudo expandiu a capacidade multijogador cooperativa do jogo original, novas classes de personagens e um vasto arsenal para construir e personalizar a sua build.

Recentemente a Blizzard lançou uma versão remastered do primeiro jogo, mas os fãs acreditam que o estúdio norte-americano está também a fazer o mesmo tratamento ao segundo. O original pode ser adquirido na Battle.net.

Baldur’s Gate II

Este RPG clássico da BioWare continua a figurar nas principais listas de clássicos que os amantes do género RPG devem jogar, sobretudo numa época em que a belga Larian Studios retomou a série e prepara o terceiro capítulo, ainda para este ano.

A completar 20 anos, este RPG inspira-se no universo Forgotten Realms, baseado em regras de Advanced Dungeons & Dragons, resultando num RPG com uma perspetiva isométrica. O jogador controla uma equipa de seis personagens, incluindo o protagonista criado pelo jogador, e mais cinco aventureiros recrutados ao longo da campanha.

Tanto a nível de gameplay, como a sua arte, e também a voz dos atores, num período em que os RPG e aventuras ainda eram baseados em textos, este título continua a ser um dos melhores de sempre no seu género. Uma herança muito forte para a Larian Studios assumir. Baldur’s Gate II pode ser encontrado, numa versão melhorada, na GoG.

Half-Life 2

A série Half-Life catapultou a Valve para o topo da “cadeia alimentar” da indústria dos videojogos. Mas demonstrou que o seu líder, Gabe Newell, que é o génio por trás do Steam, afinal não sabe contar até três. Portal, Left 4 Dead, Team Fortress e Half-Life são títulos aclamados da empresa que nunca receberam um terceiro jogo. E no caso de Half-Life ainda é mais grave: aquele que seria o terceiro jogo passou a chamar-se Half-Life Episodes, mas sabe o que aconteceu depois do segundo episódio, que acabou com um “cliff hanger” histórico? Adivinhou, o terceiro episódio nunca viu a luz do dia.

Mas Half-Life 2 é um dos melhores FPS de sempre. A nível de narração e técnico, como o motor Source a demonstrar ser uma das melhores tecnologias da altura. O jogo continua a explorar a invasão de extraterrestres de outra dimensão, a corporação Black Mesa e o misterioso e intrigante G-Man, que fez a vida negra ao protagonista Gordon Freeman.

O universo foi revisitado recentemente pela Valve através de Alyx, uma aventura de realidade virtual para o novo headset Valve Index, que serve de prequela aos jogos originais, que podem ser adquiridos no Steam.

Oddworld: Abe’s Oddysee

Oddworld: Abe’s Oddysee é um jogo de plataformas inspirado por um mundo estranho, onde a raça de Abe, Mudokon, serve simultaneamente como escrava e como comunida na RuptureFarms, uma fábrica de processamento de carne.

Estamos perante uma aventura hilariante, com Abe a ter de salvar os seus compatriotas da escravidão, resolvendo puzzles, em cenários divididos por ecrãs. Como Abe não está armado tem de evitar os inimigos de formas muitas vezes criativas.

Abe’s Oddysee recebeu um remake recente da Just Add Water, mas este foi o primeiro de uma série de cinco jogos previstos. Até à data foram lançados quatro: Abe’s Exoddus, Munch’s Oddysee e Stranger’s Wrath. Curiosamente, recentemente numa das apresentações da PlayStation State of Play, foi revelado Oddworld: Soulstorm, aquele que é considerado um reimaginar de Abe’s Exoddus, de uma forma livre.

Conker: Live & Reloaded

Quando a Rare foi adquirida pela Microsoft no início de 2000, foi uma das maiores aquisições na indústria, até porque o estúdio era extramente popular nas consolas da Nintendo, e neste caso eram necessários trunfos para o lançamento da primeira Xbox. Conker: Live & Reloaded foi na verdade um remake do jogo lançado alguns anos antes para a Nintendo 64, Conker’s Bad Fur Day, adicionando capacidades multijogador para demonstrar o potencial online da Xbox.

O jogo em si é uma das mais brilhantes aventuras da Rare, em que o estúdio troca as voltas aos jogadores ao apresentar personagens fofinhas, como o próprio esquilo protagonista, mas num ambiente completamente adulto. A personagem é um alcoólico e fumador, não faltando os palavrões e linguagem forte.

A aventura leva-o mesmo a encontrar personagens hilariantes, assim como bosses originais. Relembrar o The Great Mighty Poo é daqueles momentos épicos nos videojogos, ou não fosse este inimigo um gigantesco “cocó” tenor, que ataca a personagem enquanto canta opera. E para o calar, Conker tem de enfiar rolos de papel higiénico pela goela abaixo…

Omikron: Nomad Soul

Omikron: Nomad Soul foi o primeiro jogo da Quantic Dream de David Cage, um estúdio que tem lançado diversas aventuras interativas que funcionam quase como filmes nas consolas PlayStation, como Detroit: Become Human e Heavy Rain. O primeiro jogo foi considerado pioneiro no que diz respeito à utilização de atores virtuais, uma máxima que é agora usada constantemente na captura de movimentos.

Mas Nomad Soul tinha o ícone David Bowie a desempenhar diferentes papeis, num mundo distópico controlado por inteligência artificial. David Bowie assumia o papel de Boz, uma entidade mística líder de uma ordem religiosa que apenas existe no digital nas redes de computadores de Omikron; assim como um artista de rua clandestino que dá concertos em bares. O músico, assistido pelo seu guitarrista Reeves Gabrels, contribuiu com diferentes músicas do seu álbum Hours, modificadas para o contexto do jogo.

Esta aventura de mundo aberto incentiva os jogadores a projetar-se entre diferentes personagens, assumindo as suas habilidades e papel neste mundo. É considerado um dos grandes jogos de sempre. Pode ser encontrado no Steam e GoG.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time

A série The Legend of Zelda dispensa qualquer apresentação. A Switch é a nova casa da série e todos os fãs aguardam com ansiedade o Breath of the Wild 2. E será que a Nintendo tem mais algum remake na calha, como o Link’s Awekening?

O certo é que Ocarina of Time é ainda um dos melhores títulos da série (e considerado um dos melhores jogos de todos os tempos), aquele que ajudou a estabelecer toda a mitologia desta série criada por Shigeru Miyamoto há mais de 30 anos. O jogo apresentou diferentes linhas temporais, oferecendo uma perspetiva de um jovem e adulto Link. As suas masmorras intricadas tornaram-se uma imagem de marca da série.

Como novidades apresentou pela primeira vez um sistema de trancar os inimigos, assim como botões com ações sensíveis ao contexto que ainda hoje são usadas nos videojogos. Por outro lado, a música teve um papel importante no gameplay, obrigando os jogadores a aprender diferentes melodias para desbloquear ações. A mais recente versão pode ser encontrada na 3DS.

Sensible World of Soccer

Numa época em que FIFA e PES não existiam, a série Sensible Soccer era garantia de diversão para os amantes de futebol. Com uma perspetiva fixa, vista de cima, os jogadores parecem autênticas formigas atrás da bola. O certo é que a flexibilidade do editor, e numa época em que as licenças dos clubes e jogadores começavam a ser olhados como fonte de negócio, permitia criar equipas de raiz, como o clube do nosso bairro.

A jogabilidade era fluída, ainda que muito simples, com apenas um botão contextual para rematar, carrinho, passar a bola e outras ações. Atualmente pode ser jogado na Xbox 360, numa versão que a Codemasters fez como remaster.

Metal Gear Solid

O lançamento da primeira PlayStation foi a casa de alguns clássicos imperdíveis como Final Fantasy VII, Gran Turismo e claro, Metal Gear Solid, a obra-prima de Hideo Kojima. O jogo era um spin off da série Metal Gear, transposta para uma perspetiva tridimensional.

Este título ficou marcado por expandir o conceito de ação furtiva, em que a abordagem sorrateira, evitando conflitos ou eliminado os inimigos sem levantar alarmes funcionava como centro da experiência.

E depois os bosses e os inimigos carismáticos, como Revolver Ocelot, Psycho Mantis e outros ficam gravados na memória de quem jogou este título.

Metal Gear Solid pode ser encontrado em Metal Gear Solid: The Legacy Collection na PlayStation 3.

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