Depois de um lançamento falhado ontem, a missão de hoje foi bem sucedida e o Soyuz teve luz verde para partir poucos minutos antes das 9 horas da manhã. Levava a bordo quatro satélites, entre os quais o Cheops (CHaracterising ExOPlanet Satellite) que vai estudar os planetas fora do nosso sistema solar e conta com tecnologia de três empresas e de um centro de desenvolvimento, que estiveram envolvidos no consórcio de desenvolvimento da ESA, liderado pela Universidade de Berna, num projeto desenvolvido em parceria com a Suiça.

O vídeo mostra o lançamento, mas uma das fases mais cruciais da missão era a separação do Cheops do foguetão, o que aconteceu como previsto depois das 11 horas.

Houve direito a abraços e festejos no momento especial.

Separação do Cheops do foguetão Soyuz

O Cheops não vai sozinho a bordo do foguetão Soyuz-Fregat, sendo acompanhado por um satélite italiano, o Cosmo-SkyMed, que na verdade é o passageiro principal, e três satélites CubeSats, incluindo o OPS-SAT da ESA. Todos vão "montados" em cima do foguetão com três andares que parte do porto espacial de Kourou, na América do Sul, com hora marcada para as 8h54, hora de Lisboa.

A separação dos vários módulos é faseada, e o plano definido faz com que o Cosmo-SkyMed fosse o primeiro a separar-se às 9h17, seguido pelo Cheops às 11h19. Para as 13h05 está prevista a separação do OPS-SAT e às 13h11 todos os restantes CubeSats devem estar separados do foguetão, e em órbita.

Tecnologia portuguesa num consórcio internacional

O Cheops tem um peso de 280 Kg e o corpo principal, com a forma de um cubo com arestas, mede 1,5 metros. O satélite foi colocado em órbita a cerca de 700 quilómetros de altitude, onde deverá permanecer durante a missão de três anos e meio.

O seu telescópio vai ser usado para medir as muito pequenas variações de luz provenientes destes planetas que giram em torno de outras estrelas. Para conseguir isso, o telescópio é capaz de medir alterações de brilho na ordem dos 0,0001%.Esta é a primeira de uma série de três missões, que incluem ainda a Plato e a Ariel, planeadas para a próxima década, com o objetivo de abordar diferentes aspectos da investigação científica dos planetas mais longínquos.

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O satélite foi construído a partir de uma parceria entre a ESA e a Suíça, através de um consórcio liderado pela Universidade de Berna, e tem “contribuições importantes” de mais 10 outros Estados-membros da agência europeia, entre os quais três empresas e um centro de investigação portugueses.

Segundo um comunicado da agência espacial portuguesa Portugal Space, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e a Deimos Engenharia “lideram” a componente científica do Cheops.

As empresas portuguesas  FreziteHP e LusoSpace estiveram também envolvidas, sendo que a primeira desenhou e produziu as proteções que vão garantir que os equipamentos suportam a amplitude térmica extrema do espaço.

A missão pode ainda ser seguida nas próximas horas em direto, com a intervenção de vários cientistas e investigadores que estiveram envolvidos no desenvolvimento e que vão acompanhar os próximos anos e analisar os dados.

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