A Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas (ESOP) acusa a unidade FCCN da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, de promover a instalação de aplicações que não controla, em computadores que não os seus, no acesso a eventos académicos “que deveriam ser públicos”, refere em comunicado. A Associação dá o exemplo do serviço Colibri da FCCN, em que o acesso seguro via browser não está proposto para fora do mundo académico, nem está devidamente referido na documentação do mesmo.

“Aquilo que poderia parecer um simples mal-entendido técnico traduz-se, na prática, num desrespeito pela igualdade dos cidadãos”, afirma a ESOP, salientando dois pontos: o primeiro é que o utilizador é induzido a instalar a aplicação Zoom para assistir a eventos públicos, tais como provas de doutoramento, mesmo que estas sejam possíveis de aceder através de um browser. O segundo diz respeito ao manual e tutorial disponíveis induzirem em erro, omitindo que para aceder via browser o utilizador tem de estar previamente credenciado, seja através do registo académico ou de utilizador Zoom para quem não tem.

Refere-se ainda ao facto do serviço Colibri, que é de colaboração Web, funcionar sobre a plataforma Zoom. A ESOP afirma que as provas públicas do serviço, semelhantes às da Universidade de Évora ou Instituto Superior Técnico, apresentam links normais para reuniões em Zoom, mas neste caso para uma página de autenticação “onde só pessoas ligadas a instituições universitárias se conseguem autenticar”.

A Associação salienta que apesar de qualquer utilizador com login prévio no Zoom essa autenticação possa ser também válida para aceder via browser às provas públicas referidas, isso não é explicitamente referido no manual e vídeo explicativo da Colibri. Nesse sentido, para a ESOP, o acesso através de uma aplicação proprietária não poderia ser considerado público, mesmo que seja gratuito, salientando ainda o histórico dos problemas de segurança do Zoom.

“Num momento em que os problemas de segurança informática obrigam a cada vez mais atenção, a FCT-FCCN está a disseminar junto da comunidade académica uma cultura de nova normalidade em que se assume como legítimo instalar aplicações proprietárias para os computadores dos cidadãos”, refere a Associação no comunicado, questionando se a FCT-FCCN terá feito uma auditoria técnica ao código-fonte de cada versão do Zoom lançada. E se a entidade tem condições de garantir a isenção dos problemas de segurança. “À falta de evidências temos de admitir que não, e o acesso via browser preveniria quaisquer riscos”.

A ESOP afirma que tentou contactar por diversas vezes a Colibri, ao longo de meses, mas diz que a resposta dada é inaceitável, visto que ignora a segurança dos seus equipamentos, além de ir contra o espírito da Lei das Normas Abertas. Alerta ainda para a falta de liberdade de escolha dos utilizadores.

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