Em 2006, um pedido dos pais de Diogo, um menino com paralisia cerebral, para ajustar os seus brinquedos às suas necessidades veio transformar a quadra natalícia numa época ainda mais especial para Universidade do Minho. Desde então, o Laboratório de Robótica do Departamento de Eletrónica Industrial dedica, todos os anos, durante o mês de dezembro, uma semana à adaptação de brinquedos eletrónicos para crianças com necessidades especiais que, como Diogo, também querem brincar, mas que o não conseguem fazer sozinhas.

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Este ano, entre 9 e 13 de dezembro, o Laboratório de Robótica volta a transformar-se numa espécie de “oficina” do Pai Natal, onde alunos e professores se transformam em “elfos” empenhados em trazer mais alegria ao Natal das crianças com paralisia cerebral. Fernando Ribeiro, responsável pela iniciativa e também criador do evento Robo Party, explica em entrevista ao SAPO TEK, que na edição de 2019 vão participar cerca de 40 a 50 alunos, assim como dois professores, do curso de Eletrónica Industrial da Universidade do Minho. Já no dia 11, a “oficina natalícia” é transferida para a Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, a qual abre as portas ao público para que a comunidade fique a saber mais sobre o tipo de atividades realizadas pelos voluntários.

A iniciativa conta não só com o apoio da SalusLive, um centro terapêutico que lida com crianças com necessidades especiais, e da botnroll.com, que fornece os componentes eletrónicos necessários, mas também da comunidade universitária. Os brinquedos que serão adaptados ao longo da semana foram recolhidos entre 13 de novembro e 5 de dezembro durante a campanha “Oferece! E faz uma criança feliz” promovida pelos Serviços de Ação Social da Universidade do Minho.

As crianças com paralisia cerebral também brincam

Os brinquedos direcionados para crianças com paralisia cerebral, que são desenvolvidos para terem estímulos sensoriais visuais, sonoros ou, em alguns casos, táteis, podem custar entre 100 a 150 euros, elucidou Fernando Ribeiro ao SAPO TEK. Uma vez que o seu processo de fabrico tem de seguir normas especiais, sendo itens que “saem fora da linha de produção”, o seu preço “dispara”, afirmou o responsável.

O elevado custo é muitas vezes incompatível com o orçamento das famílias cujos filhos têm necessidades especiais. A alternativa acaba por não se adaptar à sua mobilidade limitada, impedindo-as assim de brincar, o que é essencial para o desenvolvimento das crianças.“A grande dificuldade destas crianças é não poderem accionar um brinquedo [eletrónico]”, indicou Fernando Ribeiro. Para adaptá-los às suas necessidades, a equipa de “elfos” voluntários do Departamento de Eletrónica Industrial realiza algumas mudanças ao seu funcionamento.

“O que nós fazemos é abrir o brinquedo, vamos à placa eletrónica, tiramos uns fios de lá e acionamos um interruptor grande, ligado com um fio comprido, de maneira a que criança possa ativar o brinquedo com o pescoço, com o pé ou uma mão, dependendo do seu âmbito de deficiência”, esclareceu o responsável. Já os brinquedos eletrónicos que se movem apresentam outro tipo de desafio para as crianças, assim a sua adaptação apresenta um processo diferente. Neste caso, a equipa ajusta o tipo de movimento que os itens efetuam, ao alterar, por exemplo, a localização dos motores para que estes se mantenham no mesmo local.

Segundo Fernando Ribeiro, este ano, a iniciativa tem já planeada a adaptação de cerca de 80 a 90 brinquedos, os quais serão depois entregues a instituições que acolhem crianças com necessidades especiais em várias cidades no Minho. Embora o grau de complexidade dos ajustes a realizar em certos brinquedos possa ser maior do que noutros, fazendo com que os “elfos” possam ficar algumas horas a tratar de uma peça em específico, a sua dedicação à causa faz com que consigam ultrapassar facilmente as dificuldades encontradas.

O espírito natalício não está só presente nos voluntários: até as crianças que doaram os seus brinquedos à campanha de recolha não conseguem ficar indiferentes. “Este ano, houve uma criança que fez um postal à mão e escreveu umas palavras a agradecer aos «Pais Natal» que faziam as adaptações. Este gesto deixou-nos a todos bastante sensibilizados”, recordou o responsável.

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