Um hacker autodenominado de Beale Screamer distribuiu online um software que torna parte da tecnologia de anti-pirataria de músicas e vídeos da Microsoft inútil, informou a C|NET. De acordo com este site de tecnologia, a gigante de software confirmou que o código pode remover as protecções que impedem que uma faixa de música seja copiada durante um número ilimitado de vezes.



Mas, segundo Jonathan Usher, gestor de produto da divisão de multimédia digital da empresa, citado pela publicação online, o dano colocado por esta aplicação à campanha global da Microsoft do software de gestão de direitos digitais (DRM - Digital Rights Management) é diminuto. A empresa estabeleceu um método de actualização das protecções para situações como estas. Parte da música disponibilizada no mercado poderá perder a sua segurança, mas o software, como um todo, vai permanecer seguro, acrescentou Usher.



A Microsoft tem promovido o seu sistema de protecção de conteúdos multimédia como uma das principais atracções do formato de ficheiros áudio e vídeo Windows Media e gastou muito tempo nos últimos anos a tentar convencer as companhias discográficas e estúdios de Hollywood a distribuirem os seus conteúdos através dele.



O software de DRM permite que um proprietário de conteúdos, como uma companhia discográfica, estabeleça normas que definam como é que as obras podem ser utilizadas. No caso de uma música, por exemplo, esta poderá ser reproduzida apenas três vezes, ou pode-se impedir que seja transferida para um leitor portátil de MP3 ou gravada para um CD. Várias grandes companhias discográficas estão a experimentar o lançamento de CDs tradicionais que não podem ser copiados para os discos rígidos de PCs mas incluem ficheiros digitais Windows Media para que possam ser utilizados num computador.



Esta é já, pelo menos, a segunda vez que a tecnologia DRM da Microsoft é comprometida. Em 1999, um grupo de programadores colocaram online uma aplicação que colocava em risco as funcionalidades de segurança utilizadas na versão 4 do Windows Media Audio, um dia após o seu lançamento. O programa, designado de "unf***.exe", espalhou-se rapidamente pela Internet e, apesar de não ter violado de facto os códigos da Microsoft, apontou para uma grave falha nas técnicas de encriptação.



Para qualquer formato áudio de PCs, o leitor multimédia tem que descodificar os dados para um formato digital não comprimido antes que possa ser reproduzido em colunas ou auscultadores. O Unf*** explorava esta vulnerabilidade ao recolher o resultado do descodificador antes que pudesse ser transmitido à placa de som do computador, que cria o sinal das colunas.



O software de Screamer tem também limitações, pois apenas funciona com a versão mais recente da tecnologia DRM da Microsoft, em que uma pequena quantidade de conteúdo foi codificada. Por outro lado, para que o programa funcione, o utilizador tem que possuir já uma licença válida para ouvir a faixa. O software utiliza a informação contida nesta licença para enganar a tecnologia de DRM da Microsoft, removendo completamente a protecção anti-pirataria.



Desta forma, alguém que tenha efectuado o download de uma música protegida através da Web sem pagar primeiro por ela ou obter os direitos necessários para ouvi-la pelo menos uma vez, não poderia utilizar o software do Screamer, Pelo contrário, quem adquirir um CD com ficheiros Windows Media, em conjunção com o software, poderá remover as protecções e distribuir online os ficheiros sem quaisquer restrições.



Numa lista de instruções distribuída com o software - em que também vinha incluído um manifesto contra as actuais políticas de direitos de autor -, Screamer previu que a Microsoft iria encontrar uma forma de contrariar o seu programa, refere a C|NET. Mas, na sua opinião, o código poderá ajudar as pessoas a violarem as próximas actualizações da tecnologia de DRM.



O manifesto do autor também contém uma queixa contra a controversa lei norte-americana - Digital Millennium Copyright Act (DMCA) - que torna ilegal a criação ou distribuição de software que é especificcamente criado para quebrar a protecção dos direitos de autor. No sentido de voltar a proteger os conteúdos online, a Microsoft afirmou que será pedido a algumas pessoas que ouvem ficheiros Windows Media com esta protecção que efectuem o download de código que torna ineficaz o software divulgado online pelo programador.



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