As alterações climatéricas são responsáveis por fenómenos devastadores pelo mundo, sobretudo nas áreas com elevada densidade de precipitação. A quantidade anormal de chuva tem causado inundações nos rios, contribuindo para a destruição das áreas adjacentes e a morte de milhares de pessoas. As cheias são fenómenos difíceis de antecipar, mas a NASA, através de um estudo conduzido por investigadores no Jet Propulsion Laboratory em Pasadena, na Califórnia, analisou os satélites de vigilância dos rios, para tentar torná-los mais eficazes.

O objetivo é diminuir a destruição causada pelas inundações, com a gestão dos reservatórios e barragens quase em tempo real. A agência espacial afirma que os sistemas tradicionais dependem das redes de medidores que detetam as inundações quando atingem um certo nível elevado dos rios, mas essa informação é cada vez menos eficaz. O seu estudo indica que os satélites podem ajudar na vigilância em tempo real se essas informações forem passadas rapidamente a quem faz a gestão dos reservatórios de água.

As inundações ocorrem quando os canais dos rios deixam de ter capacidade de suportar a água da chuva, subindo o seu curso em forma de onda a grande velocidade. Observando as cheias pelos satélites, é fácil prever com precisão como esta se move pelo rio, gerando informações que podem ser utilizadas para gerir o seu impacto em tempo real.

Foi analisada a velocidade das ondas em quase 18 mil quilómetros de rios pelo mundo, tendo em conta a sua largura, inclinação e profundidade. Os investigadores concluíram que as ondas geradas pelas inundações demoram, na sua velocidade máxima, uma média de três dias a chegar à próxima barragem e seis dias a libertar-se de todo o sistema do rio.

Em 2021 a NASA vai lançar um satélite designado para observar a topografia da água na superfície e oceanos (SWOT) com foco nos rios. Através dos cálculos do estudo efetuado, se as informações forem processadas em menos de dois dias, os locais afetados estarão preparados para lidar com as emergências antes de dois terços das ondas identificadas chegarem aos pontos cruciais das cidades.

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