Ao contrário de outras empresas de Elon Musk, como a Boring Company, a Tesla ou a SpaceX, a Neuralink não popula os circuitos mediáticos do sector tecnológico, nem com tanta frequência, nem com tanto ênfase. As operações da empresa, no entanto, merecem toda a atenção do público, pelo trabalho que desenvolve no segmento das interfaces de comunicação entre cérebro e computador. Agora, a startup vai envolver-se num projeto de investigação a espécies primatas, em parceria com a Universidade da Califórnia (UC).

Apesar de parecer uma expansão ao seu negócio, os testes em animais são um passo essencial no processo de criação de uma plataforma neural. A empresa já tinha até tentado concretizar esta fase do processo anteriormente, com a construção de um laboratório em São Francisco, mas abandonou o projeto no passado mês de março. Agora, com um acordo estabelecido com a UC, que lhe custará cerca de 796 mil dólares, a Neuralink terá à sua disposição um dos sete centros de investigação dedicados à saúde de espécies primatas que existem nos EUA.

"A investigação desenvolvida neste laboratório [...] vai fornecer-nos a informação que necessitamos antes de procedermos aos testes clínicos em humanos, o que levará depois à criação de novos medicamentos, terapias ou procedimentos cirúrgicos que beneficiem a saúde e a qualidade da vida humana", lê-se no contracto.

Note que o projeto central da empresa consiste no desenvolvimento de uma interface de comunicação entre Homens e máquinas que funcionará exclusivamente com base nos processos sinápticos dos utilizadores humanos. Isto significa que, com base nesta idealizada ferramenta, as pessoas seriam capazes de transmitir pensamentos para as máquinas que as rodeiam. Na prática, isto permitiria, por exemplo, que as pessoas iniciassem chamadas de telefone sem contactarem fisicamente com o seu telefone, ou que redigissem pequenas notas sem estarem sequer perto do seu computador. Um nível mais complexo de comunicação poderia até fazer com que os computadores revisitassem e armazenassem parte das memórias que criamos.

Parte da comunidade científica acredita que, uma vez emparelhados com os nossos portáteis e smartphones, os humanos poderão atingir um novo patamar de sofisticação cognitiva. A Neuralink não é a única empresa a desenvolver trabalho no ramo, mas este último investimento pode conferir-lhe alguma vantagem face às concorrentes. Note que o Facebook também está a conduzir investigações neste sector.

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