O Parlamento Europeu
aprovou de forma unânime recentemente uma alteração à directiva da
União Europeia relativa
aos resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos que inclui uma norma
que impede as fabricantes de impressoras de incorporarem chips nos
cartuchos de tinta.

Estes chips impedem os consumidores de empregarem cartuchos produzidos
por outras fabricantes em grande parte das impressoras disponíveis no mercado.
Por outro lado, impedem a recarga dos cartuchos.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Parlamento Europeu, os
Estados-membros devem tomar medidas no sentido de minimizar a devolução do
chamado lixo electrónico por parte dos consumidores como lixo municipal
não-seleccionado.

Entre as medidas, contam-se uma provisão para uma melhor concepção dos
equipamentos, facilitando a reutilização e reciclagem. O texto do documento refere "diversos fabricantes que impedem a reutilização ou a reciclagem dos aparelhos mediante a integração nos mesmos de diversos dispositivos electrónicos (“clever chips”), que obstam a uma reutilização ou a uma reciclagem desses mesmos aparelhos". Esta prática deverá ser evitada para o que se introduziu um novo artigo no texto da directiva que já havia sido aprovada pela Comissão Europeia, no qual se prevê que "ainda na fase de produção dos aparelhos, se tenha em vista uma fácil desmontagem e valorização".

Fabricantes como a Hewlett-Packard,, Lexmark, Epson e Canon obtêm grande parte das suas receitas de cartuchos
não-reutilizáveis. Uma impressora a cores pode ser adquirida por 100 euros,
mas os preços cobrados na compra de novos produtos tendem a começar nos 30
euros.

De acordo com analistas, a Directiva comunitária poderá afectar mais gravemente a HP, dado que na
companhia norte-americana as receitas provenientes das vendas
de cartuchos têm um peso importante, já que esta é a maior fabricante de cartuchos na Europa. O negócio de
consumíveis da HP, incluindo cartuchos de jacto de tinta e toners de
laser, representa mais de metade das receitas da unidade de impressoras da
companhia, que ascenderam a mais de 20 mil milhões de dólares no ano fiscal de
2002.

Segundo as novas regras, as fabricantes serão obrigadas a pagar pela
reciclagem de produtos eléctricos, variando desde máquinas de barbear a
computadores portáteis, passando por frigoríficos. A União Europeia espera
que 75 por cento destes bens possam ser reciclados. Prevê-se que a directiva
entre em vigor até 2006.

Calcula-se que os produtos eléctricos obsoletos representem actualmente mais
de seis milhões de toneladas de lixo em toda a Europa, sendo que a maior
parte vai parar a lixeiras. As fabricantes estimam que estas normas lhes
poderão obrigar a gastar sete mil milhões de dólares por ano para recolher e
reciclar esse lixo. Avisam ainda que os custos poderão ser reflectidos nos
preços de venda aos consumidores.

Contudo, em geral, os representantes da indústria mostraram-se satisfeitos com
as novas regras, em particular, porque quando o plano estiver completamente
operacional cada fabricante irá pagar pela reciclagem do seu próprio lixo, em
vez de os custos serem partilhados por toda a indústria.

Neste sentido, esta semana foi anunciado um acordo entre quatro grandes fabricantes
de produtos eléctricos - Electrolux, HP, Sony e Braun, para criar uma plataforma de recolha e reciclagem dos
produtos obsoletos.

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