A tarefa de manter viva a semente de algodão que a missão chinesa conseguiu fazer brotar no lado oculto da Lua não era fácil, sobretudo devido à amplitude de temperatura no solo lunar, que varia entre os 100 graus positivos e os 170 graus negativos. Mesmo assim o facto inédito fica assinalado para a equipa da Agência Espacial Chinesa que pousou no solo da Lua a 3 de janeiro e que usou uma espécie de estufa espacial.

As primeiras imagens enviadas pela sonda Chang'e 4 mostravam uma semente de algodão a brotar dentro da estufa criada para proteger as sementes de algodão, colza (uma planta usada no fabrico de óleos), batata, uma planta com flor muito usada em estudos genéticos (chamada Arabidopsis), ovos de mosca da fruta e algumas leveduras, com as quais os cientistas pretendiam criar "uma mini biosfera simples", como explica a agência oficial de notícias Xinhua. As experiências estão a ser realizadas numa espécie de "estufa" espacial, um recipiente capaz de manter a temperatura entre um e 30 graus, permitindo a entrada de luz natural, água e nutrientes.

A planta morreu com as temperaturas extremas da noite lunar, que dura 14 dias terrestres e que atinge os 170 graus negativo, depois de ser sujeita também a um nível de radiação mais elevado e a uma gravidade menor do que na Terra. Mesmo assim a agência chinesa afirma que a experiência serviu para obter uma "imensa quantidade de informação valiosa".

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A ideia de levar à Lua material biológico foi selecionada entre 257 sugestões recolhidas, em 2016, entre estudantes universitários e de institutos chineses, mas o objetivo de criar plantas no espaço tem sido alvo de várias experiências de diversas origens. As primeiras plantas floriram no espaço há mais de 30 anos, quando a tripulação da estação espacial Saliut-7, pertencente à antiga União Soviética, cultivou a bordo algumas Arabidopsis, que atingiram um ciclo de vida de 40 dias.

Na estação russa Mir, entre 1996 e 1997, cultivou-se trigo, obtendo-se flores e sementes. Em 2016, a Estação Espacial Internacional conseguiu fazer brotar flores zínias e já se cultivaram alfaces que os astronautas comeram.

A sonda chinesa pousou na Lua no dia 3 de janeiro e um vídeo foi partilhado para mostrar o feito.

A China já anunciou esta semana a intenção de continuar a expandir o seu programa de exploração do espaço, com o objetivo de recolher amostras na Lua, durante este ano, e em Marte, em 2020.

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