A última sessão do primeiro DellEMCWorld, em Austin, no Texas, foi dedicada à inovação e ao que poderá ser o futuro do próprio Mundo.

Para ser bem-sucedido, um potencial inovador deve estar disposto "a quebrar as regras" e a revolucionar a ordem estabelecida. Malcolm Gladwell, colunista do New Yorker e autor de vários livros que versam sobre novas formas de ver o mundo, acredita que a disrupção tecnológica é também uma disrupção social.

Ele descreve o verdadeiro e bem-sucedido inovador como alguém que não tem receio de arriscar, que não se deixa limitar pelas opiniões alheias e que é movido por um "sentido de urgência", ou seja, por uma compulsão para solucionar o mais rapidamente possível um determinado problema.

Além disso, diz que a irreverência e a criatividade são também traços essenciais do bom inovador. Este deve estar disposto a estilhaçar o "status quo" e a instalar uma nova ordem.

Malcolm Gladwell considera que a disrupção tecnológica não se esgota na esfera da tecnologia e transborda para a dimensão social. Uma tecnologia disruptiva, que cria uma nova categoria ou introduz uma nova forma de "fazer as coisas", afeta as vidas de todos e altera o tecido da sociedade.

O mundo é "radicalmente volátil", segundo o autor, e um inovador tem de estar ciente disso para poder dar resposta às necessidades que vão surgindo.

Kevin Kelly foi também uma das icónicas figuras que esteve sob o grande foco do palco principal do Centro de Convenções de Austin. O co-fundador do Wired, e um dos “profetas” do mundo da tecnologia, falou também de inovação e da forma como toda a miríade de tecnologias emergentes está a afetar tudo e todos.

Ele começa por dizer que foi o “poder artificial”, como a eletricidade, que esteve na raiz da última revolução industrial, e que agora é a “inteligência artificial” que vai motivar a próxima.

Kevin Kelly vê o mundo futuro como “um superorganismo tecnológico”, como uma rede de transmissões incessantes de dados, à semelhança do que acontece nas sinapses entre os neurónios num cérebro.

Esta rede tem na sua base a Internet das Coisas, composta por milhões de milhões de dispositivos que comunicam entre si, ativamente e sem interrupções, gerando cada vez mais dados.

Já hoje em dia podemos verificar que existe um volume de dados quase imensurável. Kevin Kelly afirma que isto torna mais fácil obter respostas, e que as respostas geram ainda mais perguntas, num ciclo interminável.

O co-fundador do Wired diz que a “automatização” do processo de obtenção de respostas – fazendo aqui referência aos motores de busca – está a aumentar o espectro da ignorância humana. Porquê? Porque uma boa resposta dá origem a duas novas perguntas.

A realidade virtual (RV) também foi alvo de uma reflexão. Um dos membros fundadores de uma das maiores publicações de tecnologia, Kevin Kelly considera que a realidade virtual diminui significativamente a distância entre Homem e Máquina. A RV “leva a mente humana para dentro do dispositivo”, diz ele, e fazem o ser humano chegar a mundos que, de outra forma, lhe estariam vedados.

“Estamos perante a Internet das Experiências”, afirma Kevin Kelly.

Ainda sobre este tema, o orador garante que estamos a afastar-nos de uma Era em que a propriedade é o padrão por defeito, e a aproximar-nos de uma nova Era em que o acesso é a palavra de ordem. Por outras palavras, o acesso a um serviço é cada vez mais importante do que deter qualquer tipo de propriedade.

Neste sentido, lembra que as maiores empresas tecnológicas do momento não têm propriedade física. O Facebook é maior empresa de media e não produz qualquer conteúdo; a Airbnb é a maior plataforma de aluguer imobiliário e não têm casas; a Alibaba é a maior entidade de retalho e não tem qualquer inventário; a Uber é a maior plataforma digital de transportes e não tem um único carro.

Foi com estes exemplos que Kelly descreveu os primeiros dias do Futuro, o começo da desmaterialização de tudo.

Como nota de remate e para fazer girar “as celulazinhas cinzentas” da audiência, lembrou ainda que “os melhores produtos dos próximos 20 anos ainda não foram inventados”.

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