Um estudo levado a cabo pelo Centre for International Governance Innovation entre novembro e dezembro do ano passado revela que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a sua privacidade e segurança na rede.

A investigação, que foi conduzida em 24 países e envolveu mais de 24 mil inquiridos, apresenta resultados claros no que toca aos receios dos utilizadores a propósito da utilização das suas informações pessoais por parte dos governos e empresas. Cerca de 83% dos entrevistados revelou que concorda com uma reformulação, ou com a criação de novas regras, que incidam sobre a forma como as grandes empresas e as autoridades públicas podem utilizar os seus dados pessoais. Cerca de 85% dos inquiridos também acredita que os governos deveriam unir esforços entre si para serem mais eficientes no combate às maiores ameaças à segurança dos utilizadores.

O estudo, apresentado esta semana em Genebra durante uma conferência das Nações Unidas sobre comércio e desenvolvimento, expõe ainda outros dados curiosos: 57% das pessoas revelou estar mais preocupada com a sua privacidade online hoje do que há um ano e quase dois terços acredita ter a sua atividade na internet monitorizada.

Quando questionados acerca das alterações nos seus comportamentos na rede no último ano, os utilizadores indicaram três grandes mudanças: "evitar abrir emails de endereços desconhecidos", "uma redução na quantidade de informação biográfica que divulga online" e a "utilização de antivírus comerciais". 23% das pessoas também referiram que estão a reduzir o número de transações financeiras que fazem online.

"Os utilizadores da internet estão a expressar uma clara falta de confiança no atual conjunto de regras e, mais importante, nas entidades que inspecionam as partilhas e a utilização de informações pessoais online," observou Fen Hampson, diretor do programa de política e segurança do CIGI. Isso mesmo revela outro indicador apurado na pesquisa, onde se revela que apenas 3 em 10 pessoas confiaria informações pessoais ao Estado.

Quando inquiridos acerca da importância dos hackers e dos ativistas digitais na manutenção da segurança e privacidade na internet, os utilizadores também se mostraram pouco otimistas. Quase 60% são da opinião de que grupos como os Anonymous representam mais um problema do que uma solução e consideram mesmo que deviam ser responsabilizados pelas autoridades, dado o cariz criminoso de parte das suas atividades. 

Em assuntos de segurança nacional, as respostas tornam-se mais flexíveis no que se refere à cedência de dados. 70% dos cidadãos concorda que as forças de segurança devem ter direito a aceder aos registos de comunicação online da população, quando estão em causa investigações relacionadas com a segurança nacional. Resultados que vão ao encontro das preferências dos americanos no recente caso que opôs a Apple ao FBI.

 

 

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