O primeiro passo do projeto que viria a dar origem à BOL (antes Bilheteira Online) foi dado em 1991, quando a Internet era ainda uma promessa, e materializou-se com o software Gest-Bilh no Teatro Nacional D Maria II, uma plataforma desenvolvida para Windows. Depois da evolução para a Internet, com uma plataforma online, e a entrada de vários produtores, o serviço acabou por dominar a atividade da empresa Etnaga.

“O projeto quando começou foi um bocadinho para dar projeção à marca de consultadoria” explicou ao TeK Ricardo Nuno, gestor de projeto, que lembra que na altura a área da plataforma de bilhetes era o parente pobre, com um peso de 2 a 3 % no volume de negócios. Num mercado onde era difícil singrar pelo domínio das produtoras e pelos atrasos no pagamento de comissões, a Bilheteira Online conseguir mudar o modelo, passando a cobrança a ser feita pela plataforma, o que garantiu a sua viabilidade.

O surgimento de novas tecnologias e o crescimento da Internet mudaram os fatores do jogo. “Tínhamos know how e o projeto foi crescendo naturalmente. Atualmente o BOL é líder de mercado”, sublinha Ricardo Nuno.

Juntando as várias peças, a BOL foi colecionando as melhores práticas e adicionando-as à plataforma, montando um sistema de bilhética e gestão para as entidades produtoras de espetáculos que já chamou à atenção de várias entidades internacionais.

Mais do que vender bilhetes o sistema da BOL permite o controle de acessos, validação de presenças dentro do espaço, apresentação e divulgação de salas de espetáculo e CRM, com cartões de fidelização e venda de merchandising, vouchers e cartões de época. Aos terminais de leitura de código de barras juntaram-se também os telemóveis e também as câmaras de vídeo, que permitem a contagem de presenças.

“Conseguimos crescer pela excelência num mercado difícil […] Trouxemos algo inovador que não havia antes”, justifica.

Pelo meio o projeto que nasceu com o nome Bilheteira Online - e que recentemente mudou de nome para BOL – foi crescendo e é agora o “parente rico”, garantindo o envolvimento da larga maioria dos recursos de representando 85 a 90% da faturação da empresa.

No último ano a BOL vendeu mais de 4,5 milhões de bilhetes na sua plataforma, mais do que duplicando os números face ao que acontecia em 2013, e a plataforma conta com mais de 400 produtores e mais de 15 mil visitas diárias.

Mesmo assim a venda de bilhetes através da internet, em termos puros e duros, ainda está aquém do que seria de esperar. Os números variam muito de acordo com a tipologia do evento e a forma como é promovido, mas a média rondará os 25%, com as vendas presenciais em bilheteira a assumirem os restantes 75%.

Ricardo Nuno não tem, porém, dúvidas de que o futuro da venda de bilhetes vai passar exclusivamente pela internet, mas há ainda algumas barreiras a ultrapassar.

“Não sinto a falta do bilhete físico, as pessoas já se habituaram ao mobile ticketing ou ao bilhete impresso em A4 […] O preço é o verdadeiro fator de desbloqueio: quando os bilhetes são mais baratos a taxa de venda de ingressos na internet é superior, o que tem a ver com o cálculo dos custos adicionais de operação para quem compra”, salienta.

Mesmo quando a diferença a pagar é de mais um euro os utilizadores continuam a preferir comprar num dos pontos de venda, que estão também bastante distribuídos com a rede da FNAC e dos CTT.

Para já a BOL está também a apostar noutros mercados, sobretudo em eventos desportivos, uma entrada que está “a concretizar” mas que leva o seu tempo. A empresa já começou a vender bilhetes para alguns encontros da primeira divisão de futebol e de futsal, mas é preciso ganhar mais terreno, num mercado dominado por algumas marcas com grande proximidade aos clubes.

Nos objetivos da empresa está também a internacionalização. A BOL tem feito alguns projetos no estrangeiro mas esta é uma área que quer aprofundar, sobretudo em Espanha e em Angola, até porque o mercado brasileiro exige uma adaptação mais complexa.

Até 2018 a meta definida é conseguir vender 50% dos bilhetes online, mesmo contabilizando as vendas locais.

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