O telemóvel anda sempre no bolso, ou na mala, ligado à internet, com notificações sempre a “pingar” dos muitos amigos e conhecidos, ou das páginas que se seguem nas variadíssimas redes sociais. O dia a dia das crianças e jovens passa cada vez mais pela utilização dos múltiplos ecrãs, durante mais horas, sem interrupções e roubando tempo de estudo, de outros entretenimentos e de sono.

O tema preocupa pais e educadores, mas também as várias organizações que acompanham os temas e que mantêm diversas iniciativas de análise, acompanhamento e prevenção dos riscos.

É o caso do Centro Internet Segura, criado a 1 de Janeiro de 2007 e que é gerido por um consórcio coordenado pela FCT e que gere quatro serviços:  um centro de sensibilização dirigido ao público em geral (www.Internetsegura.pt) e outro específico para a comunidade escolar (www.seguranet.pt), uma Linha Internet Segura e uma Linha Alerta.

“Na última década a Internet e as Tecnologias de Informação e Comunicação evoluíram de forma vertiginosa, sendo que atualmente uma das temáticas da agenda pública prende-se com a cibersegurança, precisamente por tantos serviços da nossa sociedade estarem presentes online, desde a submissão do modelo de IRS, até ao agendamento de uma consulta no Serviço Nacional de Saúde”, explica Sofia Rasgado, coordenadora do Centro, em entrevista ao SAPO TEK.

E o conhecimento dos utilizadores? “Sentimos que as gerações mais jovens têm de uma forma mais intuitiva as capacidades que lhes permitem facilmente otimizar os seus dispositivos e plataformas para estarem mais protegidos. No entanto, verificamos a falta de uma abordagem crítica face à utilização destas diferentes plataformas, contribuindo para cenários de sobre-exposição e consequentemente, roubo de dados, falsificação de perfis, online stalking, cyberbullying, entre outros”, justifica.

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Esta é uma das principais preocupações a nível internacional, que apontam a necessidade de formação como essencial para proteger os mais novos. E Sofia Rasgado não tem dúvidas de que a cultura do uso responsável e informado das TIC é imprescindível e deve ser apoiada.

A Linha Alerta, muito focada na denúncia de conteúdos ilegais, recebeu nos últimos 10 anos cerca de 19.700 denúncias, e o material de abuso sexual de menores representou 99% das denúncias validadas, sendo depois encaminhado o tema para as autoridades de investigação criminal.

Também a Linha Internet Segura, que presta apoio de forma anónima e confidencial, tem sido procurada por pais e professores, mas também por jovens, “para dar resposta a questões que vão desde o simples detalhe técnico a questões que envolvem o foro íntimo ou mesmo a invasão da vida privada”, explica. Os temas mais frequentes são a procura de informação – por vezes técnica –, a privacidade e abuso e a reputação online.

O que podem os educadores e pais fazer?

O Centro Internet Segura tem uma série de ferramentas online e desenvolve várias iniciativas de sensibilização, onde se incluem as 10 dicas para se manter seguro na Internet.

Sofia Rasgado admite que atualmente os ados da investigação nacional e europeia apontam para um modelo de acompanhamento menos “conservador” face à utilização da Internet, ou seja, assente na comunicação aberta e partilha de informação entre educadores, pais e jovens.

“Embora existam cada vez mais ferramentas de controlo parental, a sua utilização, per si, não é garantia de uma proteção eficaz dos menores face a conteúdos inadequados ou a cenários que os exponham e promovam situações de risco”, afirma, pelo que “a boa comunicação é a peça central para lidar com o desafio da utilização mais adequada da Internet e das TIC pelos jovens, garantindo uma sinergia entre gerações”, refere.

Para além dos jovens a preocupação estende-se aos mais idosos, a população sénior que em muitos casos começa a descobrir as ferramentas TIC e a usar as redes sociais e outras plataformas online.

“Encaramos esta utilização como algo muito positivo e que contribui para uma “alteração de padrões” o que, por sua vez, contribui para uma maior agilidade mental e cognitiva, quebrando barreiras provocadas pela distância física. Por exemplo, ter confiança em realizar videochamadas através de uma qualquer aplicação, permite o uso deste serviço para comunicar com amigos e familiares distantes e diminuir a sensação de isolamento”, refere a coordenadora do Centro Internet Segura.

Mas há também riscos. “À semelhança de outras gerações, também a utilização destas plataformas oferece riscos que tornam a população sénior especialmente vulnerável, nomeadamente, tentativas de phishing, fraudes online e ainda cenários de Romance SCAM”, explica.

O Centro Internet Segura está a desenvolver um plano de sensibilização dirigido à comunidade sénior e este ano o Dia da Internet mais Segura inclui um módulo específico dirigido a adultos/séniores onde se abordam temáticas como as redes sociais, a Internet das coisas, o Regulamento Geral da Proteção de Dados e a parentalidade digital.

Veja ainda as 10 dicas do Centro de Internet Segura para se manter seguro online.

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