Chama-se DeepText e o Facebook apresenta-a como uma ferramenta de interpretação textual que, de acordo uma publicação no blog da rede social, vai permitir uma filtragem mais eficiente dos conteúdos apresentados aos seus utilizadores e uma interpretação “quase humana” do contexto e intenção em que cada publicação, mensagem ou comentário é escrito.

Com esta ferramenta, que está munida de inteligência artificial, o objetivo do Facebook é fazer chegar os resultados mais adequados às pesquisas dos seus utilizadores e fornecer opções contextuais pertinentes a cada interação que seja feita com aquele site.

Confuso? Os testes que estão a ser conduzidos com o DeepText ajudam a compreender a aplicabilidade real desta ferramenta.

“No caso do Messenger, por exemplo, esta ferramenta está a ser utilizada para nos ajudar a compreender quando é que uma pessoa quer ir a algum lado. O DeepText é usado para detetar intenção, para nos ajudar a perceber que uma pessoa não está à procura de um táxi quando escreve, ‘acabei de sair do táxi’ em vez de ‘preciso de um táxi’”.

Embora possa parecer um exercício simples, a deteção e interpretação automática de uma frase como esta, estava antes condicionada pela palavra “táxi” que era lida sem equacionar o contexto em que surgia, podendo originar as mesmas respostas da rede social, independentemente do que se escrevia antes ou depois da palavra.

A interpretação adequada de mensagens como esta, podem levar o Facebook a sugerir-lhe um atalho para chamar um táxi mas apenas nas situações em que precisa realmente dele.

Mas o DeepText pode ser-lhe útil noutras situações. Imagine que faz uma publicação no Facebook onde anuncia que está a vender um carro, por exemplo. O que o DeepText pode fazer nestes casos é interpretar a publicação, recolher as informações mais pertinentes, como o objeto que pretende vender, o preço e a localidade, e propor que utilize as ferramentas apropriadas que a rede social tem na área de vendas.

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Apesar de exigirem processamentos complexos, estas sugestões não deverão demorar muito a aparecer dado que o DeepText consegue analisar milhares de publicações por segundo e já tem suporte para mais de 20 línguas diferentes.

E não precisa de se preocupar com jargões ou desambiguações semânticas porque os programadores prepararam-no para isso. Ao contrário do que as ferramentas mais semelhantes fazem atualmente, “bro” e “brother” podem ser considerados enquanto a mesma palavra, apesar de serem diferentes na sua forma, explica a equipa do Fecabook.

Para tornar as suas ações mais pertinentes, o DeepText também tem a capacidade de extrair a identidade autora das publicações que analisa, seja ela uma pessoa, lugar ou evento e assim tornar-se mais eficiente na remoção de conteúdo impróprio e spam, uma área em que a rede social ainda revela alguns problemas.

Esta quinta-feira, o Público deu conta que um dos pedidos de remoção recebidos pela empresa, referente à fotografia de um cadáver, demorou cerca de 36 horas a ser eliminada. A fotografia era de Jennifer Streit-Spears e foi publicada pelo seu homicida, minutos após a sua morte. A rede social acreditou que a publicação se tratava de um pedido de ajuda, tendo em conta que a descrição que a acompanhava seria “Por favor rezem por nós e gosto de todos vocês”.

É exatamente este tipo de situações que o DeepText pretende evitar.

O desenvolvimento desta ferramenta vem no seguimento de uma aposta que tem sido levada a cabo por quase todas as tecnológicas a nível da automatização de processos com inteligências artificiais.

No passado mês de Abril, a Fortune, publicava num artigo de antevisão ao DeepText, uma declaração de Joaquin Candela que espelha bem as ideias do Facebook no campo da AI. “Estamos a tentar construir mais de 1,5 mil milhões de inteligências artificiais – uma para cada pessoa que utiliza o Facebook ou qualquer um dos seus produtos”, dizia o responsável pela equipa de aprendizagem automatizada desta rede social.