A relação entre a X (ex-Twitter) e os anunciantes que suportam o negócio da rede social, comprada em novembro do ano passado por Elon Musk, vai de mal a pior. Musk foi um dos convidados da conferência DealBook Summit do The New York Times, onde foi questionado sobre a debandada de anunciantes da plataforma nos últimos meses e especialmente nas últimas semanas, depois das suas polémicas declarações relativas ao conflito Israel-Hamas.

Na resposta, Musk não teve rodeios: “Não façam publicidade”, disse. O entrevistador, incrédulo, perguntou: “Não quer que façam publicidade, como assim?”. E Musk reiterou: "Não. Estão a tentar chantagear-me com publicidade, com dinheiro? Vão-se F*”. E embora fosse difícil não ter percebido à primeira repetiu o desejo, com todas as letras.

A conversa continuou, mas o tom não mudou. O entrevistador perguntou a Musk se conseguiria - e pretendia - manter a plataforma a funcionar por muito tempo com os seus próprios recursos, se de facto os anunciantes deixassem de investir.

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O empresário respondeu que se o boicote dos anunciantes continuar, a X vai morrer e a culpa será dos anunciantes. Prometeu ainda que, se lá chegarmos, tudo ficará bem documentado e o mundo poderá julgar quem teve a responsabilidade na falência da X. Musk também frisou que não aceitará responsabilidade nesse desfecho e está convencido que o mundo também não o vai responsabilizar.

A CNBC foi uma das televisões que transmitiram a entrevista de Musk. Veja o essencial:

O empresário parece especialmente sentido com a Disney, um dos últimos grandes anunciantes a deixar a plataforma. A sua frase mais polémica da entrevista foi seguida de um “Olá Bob, se estiveres na audiência…é isto que sinto”. O CEO da Disney é Bob Iger, que falou na mesma conferência mais cedo.

Esta quarta-feira Musk tinha-se retratado de uma polémica declaração sobre o conflito em Israel, quando concordou com o comentário de um utilizador a condenar a força da resposta de Israel ao ataque do Hamas. A declaração foi imediatamente considerada antissemita e, depois dela, o número de anunciantes que cancelaram investimentos publicitários na X aumentou ainda mais.

Musk admitiu  entretanto que o comentário pode ter sido a coisa mais idiota que já partilhou online. “Peço desculpa por esse tweet…deve literalmente ter sido o pior post e o mais idiota que alguma vez fiz”, reconheceu publicamente. Antes, Musk já tinha feito uma visita a Israel onde foi acompanhado pelo Primeiro-Ministro do país.

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Mas o retratamento pode não ter sido suficiente (mesmo antes destas novas declarações). Recentemente foi divulgado um estudo que também provocou baixas de peso entre os anunciantes. Mostra associações pouco recomendáveis, feitas pelo algoritmo da rede social entre conteúdos e anúncios. A análise é da Media Matter, que a X entretanto processou, e identificou vários conteúdos de teor nacionalista e antissemita, exibidos ao lado de publicidade de grandes anunciantes, nomeadamente da Disney. A X garante que as conclusões são pouco rigorosas e claramente publicadas com a intenção de prejudicar a empresa.

Além da Disney, cancelaram os seus investimentos na X nos últimos tempos marcas como a Apple, a Comcast, Warner Bros ou a IBM, entre outras.

Linda Yaccarino, a CEO da X contratada para o cargo pela sua experiência na área comercial, partilhou entretanto online a entrevista de Musk, que rotulou de "entrevista sincera", acrescentando os seus próprios comentários sobre o tema, um bocadinho mais moderados. A "X está num cruzamento único de liberdade de expressão e main street - e a comunidade X é poderosa e está aqui para o receber".

Nos primeiros meses do ano, Musk e a nova CEO da companhia partilhavam dados otimistas sobre as receitas de publicidade da empresa e a recuperação de muitos anunciantes, que tinham deixado a plataforma nos meses a seguir à aquisição por não terem gostado das mudanças e exigências da nova gestão. A tendência de recuperação da principal fonte de receita da X parece ter voltado a inverter-se.

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