A Motion Pictures Association of America, organização sem fins lucrativos que representa os grandes estúdios de Hollywood, está a travar uma luta contra as plataformas que promovem a pirataria e não contra os internautas. Esta foi a ideia que o diretor de proteção de conteúdos para a EMEA da MPAA salientou numa conversa com o TeK à margem do Festival IN.

Jan van Voorn tem trabalhado para desmistificar a ideia de que a MPAA também procura a criminalização de “rapariguinhas de 16 anos atrás de um computador”. A ideia é errada e o executivo da associação adiantou ainda que não quer nenhum internauta preso ou multado por fazer downloads ilegais. O objetivo é atacar as grandes plataformas que permitem a descarga de conteúdos e respetivos gestores.

Mas a luta contra os sites de partilha de ficheiros tem sido difícil já que existem agentes intermediários que condicionam as ações da MPAA. Jan van Voorn lembrou as empresas de domínios e servidores que estão estabelecidas em países sem enquadramento legal para a pirataria e que “destroem qualquer estratégia”. Sobretudo em África, “existem países que são verdadeiros paraísos dos sites ilegais”, acrescentou.

Neste sentido a MPAA tem lutado para que sejam criadas regras na Internet – como processos de pagamento e redes de publicidade – que ajudem os estúdios a compensar as perdas causadas pela pirataria.

Jan van Voorn discordou ainda das ideias apresentadas pelo evangelista do Partido Pirata Sueco, Rick Falkvinge, e pelo membro do grupo Quadrature du Net, Jérémie Zimmermann, que apregoaram uma Internet livre de interesses económicos e sem direitos de autor. “Seria louco que tudo fosse gratuito”, criticou o membro da MPAA para a Europa, África e Médio Oriente.

O responsável pela proteção de conteúdos elogiou no entanto novos modelos de negócio como o crowdfunding e a distribuição de serviços como o Netflix ou Spotify. Jan van Voorn pediu um alargamento mais rápido deste tipo de plataformas para que as pessoas possam consumir conteúdos de forma legal, acabando por admitir que parte da pirataria tem início na indisponibilidade de filmes e séries em todo o mundo num espaço de tempo mais curto.

Mas no final da conversa van Voorn frisou o argumento de sempre: fazer dinheiro com os conteúdos dos outros é ilegal e a MPAA vai continuar a lutar a favor dos que se associaram a uma editora e querem ter os direitos de autor protegidos.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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