A Meta, dona do Facebook, partilhou informação sobre os critérios que tem usado para publicar conteúdos que, à partida, violam os seus próprios termos de utilização da plataforma. Em causa estão conteúdos com interesse noticioso, que podem ter um caráter violento ou provocatório, mas têm um significado histórico relevante ou interesse para o público.

A empresa relevou que entre junho de 2021 e junho de 2022 isto aconteceu 68 vezes. Parte importante destas publicações, que à partida violam as regras de publicação na rede social mas a publicação é autorizada por causa do seu interesse informativo para o público, têm significado político. No período em análise, 20% das publicações “proibidas” autorizadas, 13, foram feitas por políticos, indicam dados citados pela News.com

Alguns exemplos deste tipo de exceções, no último ano, foram também partilhados pela empresa. Já se sabia que a guerra na Ucrânia tem motivado algumas, porque o Facebook tem permitido publicações com linguagem que normalmente não é autorizada na rede social, quando esta se refere aos invasores russos.

A empresa apontou agora também o exemplo de uma publicação feita pelo ministro da defesa ucraniano, com um vídeo onde se vê um corpo carbonizado, que acabou por ser exibido com um aviso e apenas para maiores de 18 anos.

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A publicação foi autorizada por se considerar que informa sobre um conflito armado em curso, embora à partida contenha o tipo de conteúdo que seria excluído da rede social pelo caráter violento, explica a empresa.

A disponibilização de informação sobre este tema foi recomendada pelo comité semi-independente (funciona à parte da empresa mas é financiado por ela), que revê as decisões de moderação de conteúdos da Meta.

A recomendação constava do parecer dado pelo Oversight Board no caso Trump, quando confirmou a decisão da rede social de bloquear o acesso do ex-Presidente dos Estados Unidos ao Facebook, pelo menos, até 2023. Uma decisão que será revista em janeiro do próximo ano e que poderá ser estendida, se se considerar que “continua a existir um risco sério para a segurança pública", admitiu já Monika Bickert, vice-presidente da Meta para as políticas de conteúdos.

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É a primeira vez na história do Facebook que este tipo de dados são revelados, embora a exceção esteja prevista nos regulamentos da empresa desde 2016. Na altura entrou em vigor depois da empresa ter sido fortemente criticada por bloquear a publicação de uma foto da guerra do Vietname, onde se via uma rapariga nua a fugir de um ataque com napalm.

Como recorda a News.com, o Facebook começou por remover a foto da publicação na rede social, alegando que violava as regras da plataforma sobre a exibição de imagens com crianças nuas, mas acabou por recuar na decisão por causa do significado histórico da imagem.

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