Sonhou ser astrofísico, mas formou-se em jornalismo, embora não tenha chegado a exercer, acabando como diretor criativo na área do marketing. “Acabar” não será bem a melhor expressão para usar, porque Fábio da Silva saiu da agência e desde há uns meses que está exclusivamente dedicado (a dar espaço) à ciência do Espaço, no Universo Perpendicular.

A ideia começou a desenhar-se em 2018 com o objetivo de levar ao grande público as ciências do espaço “através de um ângulo diferente, acessível, criativo, entendível”, explicou Fábio da Silva, que elegeu a plataforma YouTube para o arranque. Só que produzir vídeos bem feitos dá trabalho e havendo em emprego a tempo inteiro, as publicações acabavam por ser muito espaçadas.

Foi no início de 2021, incentivado pela necessidade de literacia científica que a pandemia originou, que Fábio da Silva numa espécie de “é agora ou nunca” decidiu pôr o YouTube um pouco de lado e apostar na produção de vídeos mais curtos. O Universo Perpendicular chegava assim ao Instagram e ao Facebook.

Sucesso ajudado com um toquezinho ("talvez" de Pedro Abrunhosa e) da atualidade

Desde 1 de fevereiro de 2021 que as contas do Universo Perpendicular ganham uma publicação por dia (normalmente) sobre a ciência do espaço ou temas relacionados. “Naquela altura eu queria oferecer ciência que entretivesse as pessoas e nada melhor do que o espaço para o fazer”, referiu Fábio da Silva.

Sente que teve alguma sorte - embora a sorte se faça - pelo apoio que conseguiu desde o início e aponta como o grande “momento de viragem” uma partilha do seu post de estreia que fez com que o projeto escalasse rapidamente. “Houve um senhor que se chama Pedro Abrunhosa que viu o vídeo, partilhou e juntei logo ali dois mil ou três mil seguidores”.

O crescimento continuou, com números bastante positivos - principalmente para um projeto na área da ciência - e em três meses já ultrapassava os 10 mil seguidores no Instagram.

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O aumento de seguidores nas plataformas sociais tem sido sustentado, mesmo no TikTok, que se juntou ao “mundo” do Universo Perpendicular um ano depois, provando que a ciência do espaço também tem lugar - além das “dancinhas” - entre o público digital mais jovem.

Atualmente o perfil do Universo Perpendicular conta com 48,3 mil seguidores no Instagram e com 12,4 mil seguidores no TikTok.

Há a perfeita noção de que a probabilidade de crescer sobe quando acompanha a atualidade e comunica um momento-chave, como o lançamento de uma sonda em direção a Marte ou os primeiros testes da missão que vai permitir o regresso à Lua.

“O valor da informação e a qualidade da informação que coloco em cada vídeo é chave para mim”, sublinha Fábio da Silva.

Conteúdos “curiosos” ou “mais queridos” entre as pessoas também podem fazer a diferença. Um dos mais recentes aconteceu com um vídeo sobre anos bissextos - como é 2024 -, que chegou a um milhão de pessoas e fez com que a conta do Instagram crescesse 15%, ou quase 10 mil seguidores.

O “foguetão" das redes sociais às vezes falha, as leis do Universo não

Além de dar Espaço à ciência, o Universo Perpendicular também tem conteúdos filosóficos e foi precisamente na partilha de algo do género que Fábio da Silva provou um pouco do “lado negro” das redes sociais - e das pessoas que nelas habitam.

O que era apenas “uma simples reflexão filosófica sobre o que é isto de estarmos vivos”, acabou numa publicação reportadíssima.

Fábio da Silva explicou que faz parte do grupo de comunicadores de ciência que são agregadores, ou seja, quer falar para pessoas que aceitam a ciência e que não aceitam a ciência.

“Eu quero ser agregador mesmo quando me insultam. O meu limite é quando me denunciam e o Instagram cede à censura”.

Para o criador do Universo Perpendicular, a publicação terá sido alvo de queixas de bullying, numa tentativa de fazer shadow banning ao vídeo e à pagina em particular. “E isso é perigoso”, apontou. “Eu não peço que o Instagram elimine ou censure quem me critica. Mas também não me censurem a mim por estar a ser eu próprio alvo de denúncias infundadas”.

Continuar a dar Espaço, mas agora acompanhado e com mais atenção ao YouTube

Fábio da Silva ganha “zero” com o Universo Perpendicular, porque nunca buscou essa rentabilização, mas agora está à procura de o fazer, até porque deixou o marketing e está 100% dedicado a dar Espaço à ciência nas plataformas digitais, e acrescenta que há marcas que podem ser associadas ao projeto e com as quais gostava de trabalhar.

Considera que o cruzamento entre entretenimento, ciência e arte “é genial” e lembra os filmes, séries e mesmo música que existem inspirados na ciência do espaço.

Institucionalmente já tem algumas parcerias, nomeadamente com o Instituto de Astrofísica, “a primeira organização a acompanhar o Universo Perpendicular, quando ainda nem sequer o projeto estava nas redes sociais”. O Pavilhão do Conhecimento, alguns Centros Ciência Viva, o Instituto e Nanotecnologia de Braga e universidades, são outras organizações com quem mantém parcerias.

Trabalha com estas instituições numa missão em dois sentidos, não só elevar a literacia científica no grande público, mas também apoiar a própria comunidade científica a comunicar melhor para o grande público.

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