O “gajo dos cartazes”: foi assim que Hugo Rosa ficou conhecido após a atuação que fez no programa Got Talent Portugal em 2015. O momento tornou-se viral na Internet, com o vídeo da atuação no YouTube a reunir atualmente quase quatro milhões de visualizações.

Em entrevista ao SAPO TEK, o humorista recorda que, ainda antes de entrar no concurso de talentos, já fazia stand-up comedy há seis anos. Na altura houve um período entre três a seis meses onde era frequente ser abordado por pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, a darem feedback positivo.

Mas que impacto é que a viralidade teve para a sua carreira? “Francamente, mudou pouco, ou seja, a longo prazo durou pouco”, afirma.

É certo que as pessoas ainda têm boas memórias da atuação e, embora admita que, em termos de carreira, a participação no concurso de talentos acabou por não servir de muito, pessoalmente, sente que conseguiu alcançar um marco.

#ILikeYouLike: Hugo Rosa
créditos: Got Talent Portugal (via YouTube)

“Fui exposto ali numa situação de alta pressão e alta visibilidade e sinto que na sua maioria cumpri: criei um momento que hoje as pessoas ainda se recordam. Nesse sentido estou orgulhoso do que alcancei naquele momento”, realça o humorista.

À semelhança de outros humoristas, artistas e personalidades que se encontram quase num piscar de olhos sob os holofotes da fama online, Hugo também sentiu pressão. Por um lado, por parte do programa, porque o formato dos cartazes era algo diferente no seu reportório humorístico.

Por outro, a pressão de ter se manter no novo patamar alcançado. “Posso dizer que, ao final de dois, três anos de não ter tirado partido daquilo, senti-me desiludido”, admite. “Mas hoje estou bastante em paz com isso".

Como detalha, as pessoas que conhece, incluindo humoristas amigos que têm o seu grau de visibilidade, dependem muito da pressão de criar conteúdo, de se tornar virais na Internet para manter o rendimento, vender bilhetes e aparecer em programas. O trabalho para lá da comédia também ajuda a aliviar a pressão e o humorista defende que prefere “passar sem essa vida”.

“Estou muito, muito mais feliz preocupando-me apenas em fazer stand-up, que é o que eu gosto e é o que eu sempre quis fazer”, realça Hugo Rosa.

Hugo também não se deixa afetar pela pressão das redes sociais. Aliás, a relação que tem com estas plataformas, em particular o Instagram que é onde tem mais presença, não vai além do profissional e, mesmo assim, de forma “muito casual”.

Também há espaço para a tecnologia na comédia

O espetáculo “Dados Pessoais”, o terceiro do humorista, apresenta-se como uma combinação de dois universos. Formado em engenharia eletrotécnica, com especialidade em computadores, Hugo tem 15 anos de experiência em projetos de dados, em áreas como data science, machine learning e inteligência artificial.

O objetivo foi combinar o lado do stand-up centrado na partilha de episódios pessoais e mais além, com uma perspetiva mais orientada dos dados, onde a tecnologia não fica de fora e onde há espaço para gráficos, tenho diagramas de Venn e quizzes.

À medida que a IA se torna cada vez mais popular, crescem as preocupações com o impacto da tecnologia, incluindo nas áreas mais criativas onde a comédia se enquadra.Os humoristas estão destinados a serem substituídos por sistemas de IA? Hugo Rosa acredita que não. “Qualquer trabalho cuja fonte seja a criatividade humana nunca vai ser roubado pela IA”, afirma.

“A lógica de um algoritmo é criar um padrão abstrato de alguma coisa que lhe permita extrapolar um output e é treinado com base em amostras de coisas que já existem”, explica, acrescentando que a criatividade humana, na sua essência, é definida pela criação de algo que não existia antes.

“Trabalhos criativos nunca vão ser totalmente substituídos, porque vai sempre existir alguém com uma ideia nova que ainda não está mapeada em nenhum exemplo de treino do dito algoritmo”.

Hugo já chegou a fazer algumas experiências com o ChatGPT, mas sem sucesso. O chatbot poderá até ser uma ajuda para enfrentar a temida “página em branco” nos momentos em que a criatividade escasseia, mas não é um génio da comédia.

Se eu pedir para escrever 10 piadas de humor negro, ele vai dizer que o humor negro pode ser levado mal, porque é ofensivo (...) e não diz nada”, explica. “Mas depois peço para escrever cinco minutos de stand up comedy observacional, ele vai buscar aquelas coisas de ‘a minha sogra é uma chata…’.

Para o humorista, o stand-up que gosta de ver é aquele que revela algo pessoal, indireta ou diretamente, e onde se consegue encontrar o humor e a emoção mesmo nos momentos mais difíceis ou extremos da vida. “É algo que uma IA vai sempre, sempre falhar”.

A tecnologia vai continuar a marcar os espetáculos do “Dados Pessoais”, com planos para anunciar mais datas e em outros locais do país, e mais além. “Provavelmente, continuarei muito ligado à tecnologia, porque acho que abriu esta porta deste mundo e correu bem, portanto, sinto que vai ser uma ferramenta que posso sempre continuar a utilizar, especialmente, enquanto coisas como IA estiverem na berra”, afirma. 

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