Em 2017 faz todo o sentido que exista uma linha de emergência na internet. Os desastres naturais têm provado ser fatais para as comunicações telefónicas e os sistemas alternativos existentes também apresentam falhas determinantes e prejudiciais para os operacionais no terreno. Em alguns dos casos, a internet também não é uma alternativa viável, mas tendo em conta a fragilidade das restantes alternativas, um grupo de investigadores decidiu criar uma espécie de 112 para o online. O projeto vai traduzir-se numa linha de alta velocidade para situações de catástrofe, através da qual as forças de intervenção poderão comunicar de forma mais estável.

Ao contrário de uma outra iniciativa chamada FirstNet, que exigia a montagem de toda uma nova infraestrutura de rede, o método criado por estes investigadores permite estabelecer uma hierarquia nos dados transportados. Desta forma, é possível priorizar informações urgentes acima de outro tipo de tráfego, criando, em consequência, um canal online de alta velocidade para a transferência de dados entre autoridades.

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Com as vias de comunicação que são atualmente utilizadas em caso de calamidade, é comum atingir o ponto de saturação da rede numa fase muito prematura. As infraestruturas não estão preparadas para lidar com picos extremos de tráfego e as chamadas telefónicas, tanto como os dados móveis, acabam por não funcionar da melhor maneira por falta de capacidade.

Por vezes, como sublinha a equipa do Rochester Institute of Technology's Golisano College of Computing and Information Sciences, a demora adicional depende do trânsito digital e dos sistemas de redirecionamento de tráfego, pelo que a solução desenvolvida pelos investigadores se baseia num novo protocolo de organização do tráfego digital.

A equipa garante que o sistema funciona sem afetar os restantes protocolos que organizam a utilização da internet. Neste caso, a maior diferença é que as informações enviadas e recebidas em cenários de emergência não serão acompanhadas por todos os routers de forma a alcançar o seu destino da forma mais rápida. Embora pareça simples, este método leva a que sejam criadas "filas" de informações em situações de pico no tráfego online, uma vez que, para chegar a um destino, vários conjuntos de dados e pedidos podem ser levados a seguir os mesmos caminhos.

tek emergência

Em vez de serem redirecionados pelos diferentes terminais, à medida que atravessam a distância que separa o emissor do recetor, o novo protocolo criado pelo instituto de Rochester organiza diferentes trajetos pré-definidos numa lógica hierárquica, criando assim uma lista dos melhores caminhos a seguir em caso de emergência.

A equipa escreve que este sistema reproduz as estratégias físicas de emergência utilizadas pelas forças de intervenção, quando as informações sobem pelas várias hierarquias até atingirem um coordenador de operações superior. Explica o instituto que, desta forma, os dados vão ser obrigados a comunicar apenas com os terminais de endereços vizinhos, podendo assim identificar falhas de comunicação de forma mais imediata. Outra das consequências positivas é que o redirecionamento será também ele feito mais rapidamente, isentando os dados de grandes esperas no congestionamento virtual.

O sistema de redirecionamento de múltiplos nós, como lhe chama a universidade responsável, foi bem sucedido nos testes já realizados. Em comparação com os protocolos atuais, este sistema foi 12 vezes mais rápido a entregar a informação ao destinatário. A rede utilizada tinha apenas 27 nós e fez uma marca de 12,5 segundos. A equipa, no entanto, acredita que é ainda possível tirar alguns segundos a este tempo.

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