Há um ano atrás a Internet "parou" para ver os resultados dos ataques terroristas às torres gémeas de Nova Iorque e ao Pentágono, face à procura intensa de informação por parte dos cibernautas. Mas, os meios de informação jornalísticos online mostraram também a sua capacidade de resposta a situações extremas, garantindo actualização rápida das notícias e cobertura total do tema.


Um ano depois do "dia que mudou a América", o TeK recorda o que de mais importante se escreveu na sequência dos atentados, repescando os principais efeitos do 11 de Setembro de 2001 na Internet, segurança, liberdade e privacidade e também na economia do sector de tecnologias da informação.



Internet, um meio de comunicação privilegiado
Não foi certamente o primeiro dos meios de comunicação a que a maioria das pessoas pensaram recorrer quando souberam do atentado, mas a possibilidade de cobertura quase imediata da informação deu-lhe um lugar de destaque. Os principais sites noticiosos nacionais e internacionais "entupiram" minutos depois do primeiro ataque às Torres gémeas do World Trade Center ser conhecido.



Versões mais simplificadas das páginas, ou janelas pop-up que permitiam seguir em "directo" os acontecimentos foram soluções adoptadas por alguns sites para facilitar o acesso. O congestionamento de tráfego, com picos de acesso, foi sentido pelos principais ISPs portugueses, mas a situação rapidamente voltou ao normal.



Nos dias após os atentados, a Internet revelou-se um dos meios de contacto por excelência, quer através da troca de emails quer pela abertura de diversos sites onde podiam ser colocadas mensagens e ainda listas de desaparecidos e vítimas. Vieram também os sites de recolha de donativos que recolheram dinheiro para apoio às vítimas, tendo o site da American Liberty Partnership angariado quase 58 milhões de dólares nos dias que se seguiram ao desastre.



A procura de informação e sites sobre os atentados acabou por destronar a palavra sexo na liderança das pesquisas nos motores de busca. Na semana que se seguiu ao 11 de Setembro os termos mais procurados estavam relacionados com os desastres e Nostradamus, o astrólogo-médico-alquimista francês do século XVI que poderá ter previsto nas suas profecias um atentado do género.



Mas, as consequências do 11 de Setembro acabaram por se revelar também na Internet, de onde foi retirada informação considerada como passível de ser utilizada pelos terroristas em futuros ataques e que se tornou um meio bastante mais controlado, apesar de aos olhos dos utilizadores poder parecer que pouco mudou no último ano.



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Segurança em alta, privacidade em baixa

O aumento de iniciativas para apertar a segurança nas comunicações e movimento de pessoas que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro acabaram de facto por levar a uma limitação das liberdades e privacidades dos cidadãos em geral e dos cibercidadãos em especial.



Os alertas começaram a surgir logo após o anúncio das primeiras medidas de controle das telecomunicações e Internet, mas o estudo divulgado na semana passada pelas organizações de defesa de direitos Electronic Privacy Information Center (EPIC) e Privacy International mostra que as consequências foram sérias.


Documentando muitas das medidas antiterroristas e de segurança que foram tomadas no último ano, este relatório identifica ainda as tendências de aumento de vigilância das comunicações, do enfraquecimento dos regimes de protecção de dados e o reforço de tentativas de identificação e estabelecimento dos perfis de indivíduos, todas consideradas como sérios atentados a uma política de manutenção de direitos e liberdades civis.



O ciberespaço e a sua possível vulnerabilidade a ataques externos foi alvo de atenção especial pelos governos e empresas, preocupados com a dependência das sociedades actuais dos meios electrónicos. A criação de um conselheiro nacional para a segurança no ciberespaço por parte da administração Bush, além de um maior segredo exigido às empresas sobre vulnerabilidades de software ajudaram a manter a dúvida nesta área.



Porém, um estudo recente da IDC mostra que a divulgação e conhecimento que se gerou sobre os problemas de segurança face aos atentados não se reflectiu no investimento das empresas. Era de esperar um maior crescimento na aquisição de sistemas de segurança que acabou por não acontecer em grande escala.



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Impacto na economia das TICs

A um ano que já tinha corrido menos bem veio somar-se os resultados do ataque terrorista de 11 de Setembro. Logo nos primeiros dias após a queda das torres gémeas em Nova Iorque foram feitas as contas ao impacto: 15 mil milhões de dólares só para a substituição da infra-estrutura de Tecnologias da Informação destruída, apurou a Computer Economics.



A cotação das acções de empresas de tecnologias, como de outros sectores, foi afectada pelo impacto dos atentados, continuando a sofrer depois com a revelação de escândalos financeiros, da má condição dos mercados de telecomunicações e do difícil arranque das telecomunicações móveis de terceira geração.



A redução dos investimentos das empresas nas TICs poderá vir a recuperar só depois de 2003, segundo a Forrester, embora alguns analistas ainda esperem melhoras este ano.

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