A história da Lenovo pode ter começado nos computadores pessoais, ganhando asas com a aquisição do negócio de PCs da IBM e da marca ThinkPad, mas a empresa tem vindo a desenvolver uma estratégia de integração, transformando-se numa IT Company através de aposta interna e de aquisição de novos negócios, como aconteceu com a compra da Motorola e dos servidores da IBM. François Bournibus defende que esta estratégia está a permitir solidificar a Lenovo e a conseguir ganhos de economias de escala em várias áreas, mas também a preparar a empresa para novos desafios.

“A integração [da Motorola e dos servidores IBM] leva sempre tempo. Os primeiros dois a três anos foram para a empresa entender o negócio, integrá-lo e encontrar a organização certa […] Fomos os primeiros a integrar o negócio e agora começa a “render””, explica em entrevista ao SAPO TEK na IFA. As várias áreas de negócio estão a crescer, com uma rentabilidade de 19%, os servidores a ganhar 68% na EMEA, e a Motorola a crescer, justifica.

Para ser um grande ator nas tecnologias de informação a Lenovo sabe que tem de estar presente em 3 áreas: os equipamentos, infraestruturas e cloud, onde pode ser um enabler de aplicações, e é esta a linha que François Bournibus defende. “A Lenovo é única pelo facto e estar nestas três áreas”, explicou aos jornalistas durante a apresentação na IFA, “Estamos num momento muito forte nos vários produtos e nos vários segmentos”.

A estratégia da empresa passa por defender a posição de liderança nos PCs, onde é número um a nível mundial e tem apostado nas marcas ThinkPad e Yoga, consolidar os negócios de mobilidade da Motorola e Servidores que adquiriu há dois anos à IBM, e investir em smart devices, cloud e IOT. Isto cobrindo todos os segmentos, do consumo às grandes empresas e sector público, sem descurar as PME.

Na área dos servidores a Lenovo tem conseguido muito bons resultados, assim como nos datacenters, onde o negócio está a acelerar. “Houve uma grande mudança no mercado nos últimos cinco anos. O nosso negócio era vender servidores a grandes empresas e agora o mercado está dominado por algumas gigantes que compram grande parte dos equipamentos”, refere o presidente da EMEA, explicando que os fabricantes tradicionais estão a sofrer com esta mudança mas que a Lenovo está a conseguir capitalizar as suas mais valias para explorar o novo mercado. Nesta área a empresa teve 67% de crescimento de receitas e a rentabilidade aumentou 11 pontos, e está a conseguir os primeiros lugares no top dos supercomputadores.

A empresa tem uma instalação em Barcelona, que o SAPO TEK já visitou, e está a construir aquele que será o maior datacenter da Europa, em Munique, adiantou o responsável da EMEA, que estima que estará pronto para começar a funcionar no próximo ano.

E os novos negócios? François Bournibus garante que daqui a cinco anos vai ser importante para a Lenovo estar nas três áreas principais da tecnologia – os equipamentos, servidores e cloud. Mas afirma que a área de equipamentos é muito abrangente, e vai muito além dos computadores, passando por dispositivos inteligentes para a casa e também pelos equipamentos de realidade aumentada e realidade virtual.

“Esta é uma área ainda de pequena dimensão mas estamos a trabalhar também no software e nos conteúdos”, afirmou, lembrando que a Lenovo anunciou no ano passado os óculos Mirage AR e que este ano na IFA lançou uma nova experiência com o Star Wars e a possibilidade de jogar do “lado negro da força” na pele de Kylo Ren. E a Lenovo acredita que o potencial não se limita ao entretenimento e que está também nas empresas, com aplicações de negócio.

A área do IOT, e das smart things, faz também parte do alinhamento estratégico da Lenovo que já tem alguns dispositivos para mostrar, como o Lenovo Smart Display, mas comercializados apenas em alguns mercados, do lado ocidental limitados aos Estados Unidos e ao Reino Unido, onde alguns produtos vão chegar antes do Natal. “O IOT precisa de uma plataforma de integração. Estamos a desenvolver uma na China que vai ligar todos os dispositivos e quando estiver pronta vamos fazer deploy para todo o mundo”, justifica. “A ideia é criar um ecossistema de Digital Smart Home”, adianta, dizendo que a estratégia será também de disponibilizar as soluções para empresas.

Para já a Lenovo anunciou uma série de novos equipamentos na IFA, alguns dos quais com tecnologia inovadora e design diferenciador, como o SAPO TEK já contou, e os executivos da empresa prometem continuar a trabalhar em novos produtos onde o design para o cliente está sempre no centro das preocupações, que não deixam para trás a performance e a usabilidade.

E poderá haver novas aquisições num horizonte próximo? François Bournibus diz que não pode comentar aquisições mas não afasta essa possibilidade. “Estamos sempre a avaliar novas oportunidades”, responde o presidente da EMEA ao SAPO TEK, lembrando que a Lenovo tem na China uma organização especialmente focada em procurar novas ideias e em financiar projetos emergentes.

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