Em causa está um acordo assinado entre a fabricante de processadores norte-americana e várias empresas chinesas, públicas e privadas, organizadas em joint-ventures detidas pelas duas partes e com uma participação chave da Sugon Information Industry, fabricante de supercomputadores participada pelo Governo chinês. O acordo foi assinado em 2016 e acabaria por ser a base para o desenvolvimento dos processadores chineses Dyhana.

Nos termos do acordo, a AMD terá partilhado tecnologia dos seus processadores com arquitetura x86, que pode alegadamente ter sido usada para atividades de espionagem  O The Wall Street Journal, que avançou a notícia, garante que a fabricante terá removido a encriptação da tecnologia, deixando “à vista” os detalhes de design do hardware. Para contornar as regras norte-americanas, a AMD terá recorrido a uma “estrutura complexa” de empresas, envolvendo duas joint-ventures, diz o WSJ..

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A AMD reagiu e afirma que deu informação “diligente e proativa” às autoridades competentes, antes mesmo de criar as joint-ventures e que na sequência disso não foram levantadas quaisquer objeções ao acordo.

A fabricante também acusa o jornal de omitir informações relevantes na história, como as “significativas proteções” postas em ação pela empresa, para prevenir o acesso a informação essencial sobre a tecnologia e técnicas de engenharia reversa, que pudessem permitir o seu uso para desenvolver atividades contra os EUA.

Certo é que os acordos de licenciamento de tecnologia na China renderam bom dinheiro à AMD. A empresa terá encaixado 293 milhões de dólares em receitas de licenciamento entre 2016 e 2018, segundo o site Seeking Alpha e nos primeiros três meses de 2019 já encaixou mais 90 milhões de dólares.

No artigo do WST recorda-se ainda outro movimento de aproximação à China da AMD pela mesma altura, que conduziu à venda de uma participação maioritária nas fábricas que mantinha na China e na Malásia, a fundos controlados pelo Governo chinês. A operação rendeu 371 milhões de dólares.

O Departamento de Comércio norte-americano alargou recentemente as restrições de exportação a mais empresas chinesas, onde se inclui a Sugon, o que torna a relação da AMD com esta empresa mais polémica, embora a fabricante já tenha assegurado que os termos da colaboração atual se alteraram e estão focados em tecnologia desenvolvida para o mercado chinês.

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