À volta de 480 mil pessoas visitaram os stands de cerca de 6.150 expositores na CeBIT 2007, que hoje encerrou as suas portas. Os organizadores mostraram-se satisfeitos com as reacções dos expositores, que voltaram a assinalar um reforço da qualidade profissional dos visitantes e das suas intenções de fechar negócios ou estabelecer parcerias.

Quanto a iniciativas paralelas na área das tecnologias de informação e das comunicações (TIC), a edição deste ano da CeBIT terá sido das mais ricas, com particular destaque para várias sessões de discussão em torno das aplicações da tecnologia RFID, de um congresso de telemedicina e da badalada reunião de ministros das telecomunicações da União Europeia no dia de abertura da feira.

Mais do que nunca a polémica em torno do número de visitantes foi grande, pois, neste ano, a organização da CeBIT proporcionou aos expositores pacotes de 500 bilhetes - a 1 euro cada - para que, assim, pudessem convidar clientes e potenciais parceiros com os menores custos possíveis. A administração da Deutsche Messe diz que não terão sido mais que umas dezenas de empresas a aproveitarem esta possibilidade e que não terá sido por isso que, neste ano, foi ultrapassado o número oficial de 450 mil visitantes registado em 2006.

Certo é que o peso dos visitantes estrangeiros se reduziu para menos de 25 por cento (106 mil) quando antes oscilava entre metade e um terço - apesar de se ter ampliado para 77 o leque dos seus países de origem -, ao que não será estranho o facto de cada vez mais maior número de expositores alemães (ou de subsidiárias locais de empresas multinacionais) vir à CeBIT em busca de contactos e potenciais clientes sobretudo na Alemanha e nos países limítrofes. A realpolitik financeira de curto prazo volta a imperar, à mistura com uma antipática indiferença nacionalista perante o visitante estrangeiro.

Esta mesma realpolitik financeira obrigou a organização da CeBIT a reduzir de sete para seis o número de dias do certame - que, em 2008, se realizará de 4 a 9 de Março, uma terça-feira e um domingo, respectivamente. Os dias úteis reduzir-se-ão, assim a quatro e numa única semana a fim de corresponder às pressões das empresas expositoras e visitantes, que, segundo Ernst Raue, administrador da Deutsche Messe responsável pela CeBIT, persistentemente se queixavam de que não podiam parte ter dos seus quadros técnicos mais valiosos ausentes em Hanôver durante quase duas semanas.

O país convidado desta edição da CeBIT foi a Federação Russa, que procurou aproveitar a oportunidade para, além de reforçar o seu alegado estatuto de nº 3 no panorama global do outsourcing, quis afirmar o seu potencial de produtor de tecnologias de informação, sobretudo no desenvolvimento de software e de soluções integradas em grande número de vertentes do sector.

Os tópicos onde se registaram mais novidades foram o RFID, as redes sem fios - com o WiMax a prometer já para 2008 a tão esperada "explosão" de equipamentos, soluções e serviços -, a proliferação de propostas e serviços tornados possíveis pela difusão das redes 3,5G de telecomunicações móveis (baseadas no HSDPA, de que surgiu já uma variante com maiores débitos no upload) e ainda a telefonia sobre a Internet.

A mobilidade foi, pois, uma das palavras mágicas - tendo a Intel prometido para Maio-Junho os Centrino Duo, os seus novos processadores Core 2 Duo para computadores portáteis - e até ela não tarda a chegar à televisão. A comissária europeia Viviane Reding exigiu mesmo, num debate dedicado ao tema, que os fabricantes europeus se apressem a definir as normas necessárias ao arranque da TV móvel de modo a que a Europa não tenha que "ir atrás" dos standards que os EUA venham a optar.

No domínio das soluções empresariais, a proposta de uso do software no contexto de um serviço mostrou ser uma tendência definitiva e, por outro lado, o paradigma SOA (Services Oriented Architecture) revelou uma adesão crescente.

O congresso de telemedicina - mais uma vez predominantemente virado para o mercado alemão - revelou algumas novidades interessantes. Entre estas avultou a proposta de uma empresa norueguesa: o World Medical Card, que é um serviço de centralização e disponibilização de dados clínicos de cada pessoa. Este serviço pode ser subscrito individualmente, por empresas para os seus funcionários, por companhias de seguros, por clínicas, hospitais, etc.

Os dados clínicos relevantes de cada pessoa são, para já, guardados num servidor da empresa e a eles terá acesso o utilizador e, se este autorizar, o(s) seu(s) médico(s). Se o utilizador quiser, poderá descarregar e actualizar para o seu telemóvel os dados pertinentes em caso de emergência ou trazê-los impressos num cartão de fina cartolina dobrada em dois e fechado - o qual só será aberto também em caso de emergência a fim de que os prestadores de socorros e posterior assistência fiquem devidamente documentados quanto às particularidades clínicas do doente.

A empresa promotora do World Medical Care tem já parceiros em 17 países - sobretudo na Europa e na América do Norte mas também na Ásia, como o Japão, com versões localizadas para as respectivas línguas, o que permite ao utilizador do cartão usá-lo em viagem, se necessário - e vê na sua proposta uma oportunidade de serviço de valor acrescentado para os operadores de telecomunicações móveis (como já sucede na própria Noruega, onde um operador o incluiu num dos seus pacotes de assinatura).

Rui Jorge Cruz, em Hanôver (Alemanha)
Colaboração especial com o TeK

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