Neelie Kroes, comissária europeia para a Concorrência, está preocupada com o facto do próximo sistema operativo da Microsoft, o Windows Vista, poder violar as regras da concorrência, não oferecendo aos utilizadores uma escolha real em termos de pacotes de software. A comissária endereçou já essa inquietação ao CEO da Microsoft, por escrito, revelou hoje um porta-voz da Comissão Europeia.




Na missiva dirigida a Steve Ballmer, Neelie Kroes questiona a possibilidade das novas funções integradas no Windows Vista poderem fazer com que os consumidores não precisem de procurar outros pacotes de software alternativos. Na lista das preocupações estão a pesquisa na Internet, gestão de direitos de autor e o software que permite criar documentos num formato equivalente ao pdf da Adobe.

"Estamos preocupados com a possibilidade do próximo sistema operativo Vista incluir vários elementos que estão actualmente disponíveis separadamente, quer da Microsoft quer de outras empresas", explicou o porta-voz aos jornalistas, segundo citação de agências internacionais.

O porta-voz da Comissão sublinhou ainda que esta carta não implica a criação de um investigação oficial, como a que decorre relativamente ao sistema operativo para servidores e a integração do Windows Media Center no Windows XP.

A carta é apresentada como uma resposta ao pedido de análise enviado pela Microsoft à Comissão com vista a avaliar as possibilidades de violação dos direitos de concorrência do novo sistema operativo. "Pensamos que a Microsoft está a zelar pelos seus interesses. Quer lançar outro produto sem ter que se preocupar com acções da Comissão sob a lei da concorrência", adiantou a mesma fonte.

A Microsoft escusou-se a comentar a carta da Comissária, afirmando não a ter recebido. Numa declaração escrita, citada pela Associated Press, a empresa realça que manter a indústria e os reguladores informados sobre os desenvolvimentos dos seus produtos foi sempre uma prioridade.

Amanhã e depois a Microsoft vai reunir com a Comissão Europeia em mais uma audiência do longo processo que se arrasta há vários anos e culminou com a decisão de aplicar uma multa à empresa de software em 2004. A Microsoft tenta assim evitar a aplicação de uma multa diária por incumprimento das sanções estabelecidas pela UE.

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